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Homem abandona companheira rica

Quanto mais igualitária e próspera é uma sociedade maiores se tornam as diferenças inatas dos sexos.
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Tiro o chapéu e faço uma vénia cavalheiresca ao paradoxo tantas vezes ostracizado. Mas a questão é a seguinte e visa trazer alguns dados de nova colecção ao Dia da Mulher, que ultimamente tem sido comemorado numa perspectiva já de efeméride: quanto mais desenvolvidas e prósperas forem as nações mais os homens ficam diferentes das mulheres; quanto mais igualitárias forem as sociedades, quanto mais os direitos entre sexos se aproximarem, leis e salários convergirem, mais a personalidade do homem diverge da mulher. E nem sequer são ambas entre si. É ele da dela. Como é que a personalidade do agricultor da Etiópia pode ser mais próxima da mulher do que o companheirão dinamarquês cool que arruma a casa e trata do bebé?

Deixem-me fazer aqui um pequeno aparte antes de seguir para este estudo em concreto. A beleza da ciência é precisamente ter muitas vezes a capacidade de contrariar as ideias feitas - Terra à volta do Sol, ui, quem é que estava à espera dessa? -, mas temos problema quando as conclusões surgem ao arrepio da ideologia dominante, nem que seja em temas como a similitude homem/mulher do século XXI, pois correm riscos de apodrecer na gaveta quando até podiam ser colocados na Bimby dos dias e devolvidos à sociedade sem uma patine chauvinista: as tenistas profissionais do Grand Slam são menos competitivas (ou mais cautelosas) nos pontos decisivos, segundo um estudo da Universidade de Jerusalém? Isso é "mau"? Como reverter isso a favor das mulheres, de um ponto de vista feminino? Se as mulheres estivessem à frente de Wall Street, no Lehman Bros, ter-se-ia chegado à crise do subprime e ao "ponto decisivo" que levou tudo a perder? É um exemplo que não tem em conta as D. Brancas deste mundo, mas dá para ilustrar a situação às três pancadas.

Então de quem falamos aqui quando falamos de personalidades diferentes entre homem e mulher? Quem ousa tal dizer? O psicólogo David P. Schmitt, da Universidade de Bradley, director do International Sexuality Description Project, lidera uma equipa de investigação em 60 países (incluindo Portugal) que visou testar os estereótipos masculino/feminino em culturas de todo planeta para testar o que é inato e culturalmente adquirido no género. Para David Schmitt, nas sociedades ricas e desenvolvidas há como que um regresso a uma personalidade anterior à sociedade agrícola, ainda existente nos países pobres, onde as culturas são mais cautelosas, menos assertivas, menos competitivas, onde têm que adaptar as personalidades a regras fixas, hierarquias e papéis de género muito mais fixos do que nas sociedades modernas (e ao gap existente na época dos clãs de caçadores/recolectores anterior ao aparecimento da agricultura e do monoteísmo). Após analisar mais de 40 mil homens e mulheres em seis continentes, o Dr. Schmitt chegou então a esta conclusão: quando desaparecem as barreiras externas entre sexos, as diferenças interiores de personalidade começam a aumentar...

Tal não é assim tão bizarro. As características físicas de homens e mulheres em países menos desenvolvidos, como o peso e a altura, são muito mais aproximadas entre si do que em nações mais ricas. A questão é se é possível extrapolar para a personalidade, se as diferenças entre sexos também aumentam com a prosperidade. Os dados levam a crer que sim, que quanto mais igualitária e rica uma nação se torna, mais as diferenças inatas entre homem e mulher têm espaço para se desenvolver e os traços da sua personalidade se tornam diferenciados.

Eu já tinha intuído esta história - embora me insultassem, talvez apenas estivesse sintonizado com a prosperidade dos tempos. E estamos pois condenados a ser cada vez mais diferentes. A não ser que a crise económica mundial provocada por machos competitivos se agrave tanto que acabemos numa cabana a tratar das cabras, das galinhas e da horta. Qual almas gémeas e de personalidades feitas por medida.

Estudos - Para quem quiser aprofundar o assunto ou não confiar no cronista: "Why Can't a Man Be More Like a Woman? Sex Differences in Big Five, Personality Traits Across 55 Cultures", David P. Schmitt, Bradley University
http://www.bradley.edu/academics/las/psy/facstaff/schmitt/documents/Schmitt.etal-2008-ISDP-BigFive-SexDiffs-JPSP_000.pdf
Pode o exemplo das tenistas (as mulheres mais competitivas do mundo) ser levado para o mundo laboral?: "Gender Differences in Performance in Competitive Environments: Evidence from Professional Tennis Players*", M. Daniele Paserman, Boston University and Hebrew University, October 2009 http://fmwww.bc.edu/ec-j/semf2009/Paserman.pdf

Texto publicado na edição da Única de 6 de Março de 2010


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