Holanda. O quente-e-frio de uma seleção em brasa
Van Marwijk anda pegado com um jornalista e a coisa parece não acalmar. Hoje foi apenas mais um capítulo desta novela. Vale a pena começar o texto em discurso direto.
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"Isto do Van Bommel estar aí ao seu lado quer dizer que ele vai jogar?", pergunta o jornalista
"Então mas a primeira pergunta que faz é logo sobre o onze?", responde Van Marwijk
"É que você está a fazer segredo de quem joga ou não", pergunta o jornalista
[silêncio]
"Estou só a retirar as minhas conclusões", insiste o jornalista.
"Deixou o casaco no carro foi? Parece mais fresco. Não está com calor?", ironiza Van Marwijk
"E Huntelaar, joga? É porque temos de marcar dois golos", atira o jornalista
"Está a falar à três ou quatro minutos. Já falámos sobre tempo, se está calor ou frio, mas esta foi a sua melhor pergunta até ao momento", encerra Van Marwijk.
O que começou para ser uma apresentação em família - é que a filha de Van Marwijk é casada com Van Bommel - acabou em discussão da grossa. A imprensa holandesa está pelos cabelos com o seu seleccionador. Porquê? É simples. A Holanda tem provavelmente as melhores soluções ofensivas deste Europeu e apenas marcou um golo - e sofreu 3. Tem zero pontos.
Por isso, contra Portugal, Van Marwijk projetará uma equipa ao ataque. Só pode. "Temos de ganhar por 2-0, sei disso, e a táctica vai girar em função disso. E os atacantes que escalarmos serão escolhidos para esse efeito. E estamos, claro, a contar com a vitória da Alemanha (risos)." Será que Van Marwijk já falou com os tais avançados? Surpresa. "Falo com alguns jogadores e com outros não. Falo com os que vão estar na equipa."
No subconsciente dos jornalistas holandeses, o jogo do mundial de 2006 continua a agoirá-los como um espírito errante. E Van Marwijk sabe disso. Pede "disciplina." Convém não esquecer que ao lado dele está Van Bommel, indiscutivelmente um dos futebolistas mais duros desta geração. Vamos a ele.
Van Bommel e a moral em baixo
O capitão da seleção está a dar últimas no futebol. Tem 35 anos e este Europeu é uma oportunidade de ouro para ganhar algo pela Holanda. Mas não está fácil. "Nunca tinha previsto este cenário antes de começar a competição. Ter de depender de outros para chegar aos quartos-de-final... é algo que nos afecta. Não estamos completamente em baixo, temos uma boa hipótese, mas a atmosfera não é a melhor. Preferia que fosse como aquela que vive a Espanha, depois de ganhar por 4-0 [à República da Irlanda].
O que falta saber é se o onze holandês refletirá a obrigação de fazer dois golos a Portugal. Há jornalistas holandeses que dizem que sim e afiançam esta equipa: Stekelenburg; Van der Wiel, Mathisjen, Heitinga, Willems; De Jong, Van Der Vaart e Sneijder; Robben, Huntelaar e Van Persie.


Contra Portugal, Van Marwijk vai projetar uma equipa ao ataque
