19 de junho de 2013 às 2:55
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Hoje também há boas notícias

Se todas as PME do país tivessem o mesmo desempenho das PME da Rede COTEC, o défice orçamental estaria próximo dos 3%.

Nicolau Santos (www.expresso.pt)

Os Encontros Rede PME Inovação COTEC são sempre excelentes momentos para lavar a alma das desgraças do país. Com o 4º Encontro, que decorreu esta semana, voltou a acontecer o mesmo. A empresa vencedora do prémio PME Inovação COTEC-BPI 2010 foi a Polisport. O leitor nunca tinha ouvido falar nela certamente? Não se preocupe. Eu tenho mais obrigações e também não a conhecia. E, no entanto, a Polisport, empresa de equipamentos para veículos de duas rodas (bicicletas ou motos) sediada em Oliveira de Azeméis, é uma companhia altamente inovadora (conta com 11 registos de patentes, quatro patentes já concedidas e cinco registos de design comunitário). Inventou as cadeiras porta-bebés para bicicletas, liderando o mercado europeu neste sector, e patenteou a tecnologia de injeção de plástico, que permite produzir peças decoradas por fusão entre o grafismo e o plástico. A empresa desenvolve os processos de inovação em articulação com universidades portuguesas e exporta 97% da sua produção para 60 países.

A Nautilus, uma empresa de Gondomar que associa novas tecnologias de informação ao mobiliário escolar tradicional, tendo criado secretárias e quadros de sala de aula com computadores integrados, foi distinguida com uma menção honrosa, que se junta aos três últimos prémios internacionais da Inovação para a Educação da Woldidac, a associação mundial para a indústria da educação.

É a descoberta destas pequenas e médias portuguesas, altamente inovadoras, que a ação da COTEC permite. E isso é muitíssimo importante por três ordens de razões. Em primeiro lugar, porque é o reconhecimento público do trabalho altamente meritório desenvolvido por pequenos empresários, que são desconhecidos do grande público, constituindo um incentivo adicional para prosseguirem o caminho que vêm trilhando. Em segundo, é a constatação de que, dentro das mais de 360 mil PME nacionais, há muitas profundamente inovadoras em matéria de produtos, serviços e métodos de gestão, ao contrário do que normalmente se pensa. E, em terceiro, é a prova de que muitas destas PME estão essencialmente viradas para a exportação e podem ser fundamentais naquilo que o país mais necessita: exportar como a principal via para sairmos da crise em que nos encontramos.

São estas empresas, inovadoras e exportadoras, que merecem e que devem ser apoiadas pelos fundos públicos em detrimento das grandes companhias instaladas confortavelmente na área dos bens não transacionáveis. Por duas razões. Em primeiro, porque o nosso tecido industrial é esmagadoramente constituído por PME, que são as grandes criadoras de emprego do país. E, em segundo, porque as 141 empresas que pertencem agora à Rede COTEC mostram níveis de rentabilidade económica e de robustez financeira muito acima da generalidade das outras PME; e apresentam indicadores económico-financeiros substancialmente superiores aos do conjunto das empresas nacionais, tanto em termos globais como sectoriais.

De tal modo que Rogério Carapuça, presidente não-executivo da Novabase, não hesitou em afirmar que se todas as PME do país tivessem o mesmo desempenho das PME da Rede COTEC, o crescimento do PIB que daí decorreria poderia colocar o défice orçamental nos 3%, mantendo-se a despesa constante. Mesmo exigindo cálculos mais finos, é um objetivo que vale a pena tentar alcançar.

Apanhados no meio do jogo alemão


Não é pelos nossos bonitos olhos que Jacques de Larosière, ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, ou o embaixador norte-americano em Portugal, Allan Katz, mostraram recentemente a sua incompreensão perante a atitude dos mercados para com o nosso país. Em entrevista ao Expresso, Larosière criticou mesmo as agências de rating por não avaliarem adequadamente os esforços que o país está a fazer, no sentido de reduzir o défice orçamental em quase três pontos percentuais no próximo ano, de 7,3% para 4,6%, um esforço brutal que será pedido aos portugueses em 2011.

Pois mesmo assim, Portugal só conseguiu colocar a última emissão de dívida pública deste ano a uma taxa de 6,8% e, no mercado secundário, os títulos andavam já nos 7,4% na quinta-feira. O que justifica esta escalada, se entretanto o Orçamento do Estado para 2011 foi aprovado na generalidade e contempla a tal fortíssima redução do défice? Nenhuma razão interna e apenas razões externas. E as razões externas vêm, por um lado, da degradação da situação irlandesa, com a oposição a recusar um entendimento com o Governo e a exigir eleições. Mas vem por outro, e sobretudo, da nova posição alemã face à União Europeia. Decididamente, a Alemanha deixou de querer estar no centro da construção europeia para passar a estar na sua vanguarda. Por outras palavras, a Alemanha acha que já pagou toda a fatura da II Guerra Mundial e que chegou a hora de definir o seu futuro sem estar dependente de outros. E assim resolveu unilateralmente o seu problema energético com a Rússia. Resolveu unilateralmente o seu relacionamento comercial com a China, que está a sustentar fortemente as suas exportações. E pensa manifestamente que se um país como Portugal, que representa cerca de 1% da economia europeia, sair do euro, isso não representará um risco sistémico para a moeda única (no que tem razão). Pelo caminho, resolveu segurar a Grécia, não pelos gregos, mas pela enorme exposição que os bancos alemães e franceses tinham naquele país.

Voltamos assim ao lema "Deutschland ubber alles" (a Alemanha acima de tudo). Uma Alemanha que quer uma Europa à sua imagem e semelhança e que não se preocupa com o que possa acontecer com os países periféricos, mesmo que estes estejam a fazer um esforço brutal para reduzir os seus desequilíbrios orçamentais. O que daqui vai resultar é um euro a duas velocidades ou a saída de um ou mais países da moeda única. Para Portugal será obviamente dramático. Mas para a Alemanha, a soberba de hoje será a sua desgraça futura, como já foi no passado.

A ajuda chinesa


De repente, eis que descobrimos que o Império do Meio pode ser a nossa salvação. Ora comprando a nossa dívida pública (pois se já compraram tanto aos Estados Unidos e se compraram à Grécia, porque não hão de fazer o mesmo à nossa?), ora entrando no capital das nossas empresas (EDP) e dos nossos bancos (BCP), ora estreitando a relação com outros (BPI), ora explorando as nossas reservas de lítio, ora abrindo o seu enorme mercado às exportações portuguesas. Este cenário idílico convém ser filtrado através da máxima maoísta: não confundir a árvore com a floresta. A China é hoje a segunda maior potência mundial e será a primeira em meados deste século. Para isso, necessita de aceder a matérias-primas indispensáveis ao crescimento da sua economia. Necessita de tomar posições estratégicas a nível global. E necessita de apoio político nas organizações internacionais.

Em troca do que fizerem por nós, os chineses esperam que os apoiemos (ou, pelo menos, sejamos neutrais) no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que esqueçamos esse pequeno problema dos direitos humanos e que sejamos um aliado em África e no Brasil. Por isso, temos de repetir todos os dias: os países não têm amigos, têm interesses.

Ricos e mal agradecidos


O Governo bateu-se para que a Vivo não fosse vendida à Telefónica. Não evitou esse triste destino, mas conseguiu que a proposta subisse €350 milhões em relação ao último lance espanhol. Mas se esperava alguma gratidão desenganou-se. O conselho de administração da PT aprovou a distribuição de um dividendo extraordinário, de um euro por ação este ano e 0,65 em 2011. Nem a Caixa Geral de Depósitos se opôs. E assim se prova mais uma vez que os privados adoram socializar os problemas (e os prejuízos) e privatizar os lucros - já que no próximo ano as regras fiscais mudam e este dividendo pagaria um imposto de 29%, que daria um apoio não despiciendo para reduzir o défice para 4,6%. Com esta decisão, os acionistas nacionais e internacionais da PT tratam da sua vidinha e fazem um gesto muito vernáculo aos portugueses para que tratem da sua.

 

 


(...) Os amigos intensos se fazem vénias
é por brincadeira, eu com eles concluo
do péssimo estado do mundo. Era bom, era,
que fosse apenas Portugal. Os amigos
intensos não têm uma receita para me dar,
sabem que não há duas passagens iguais
da paixão ao amor, mas que é preciso
passar. Quando estão juntos os amigos intensos
são terra e ar, e água e fogo, palha e prata,
luz e oiro, murmúrio das folhas, eterna
canção, jura infantil, pêndulo forte, morna
parede, jardim selvagem, desdém que pensa,
ritmo que vem lá de muito longe, paixão
que soube passar ao amor, encontro e calor.

Helder Moura Pereira, "A Tua Cara Não Me É Estranha"


 

Nicolau Santos

Texto publicado no caderno de economia do Expresso de 13 de novembro de 2010
Comentários 7 Comentar
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Desculpe, diga lá outra vez sff
A conselho de um advogado: “os factos abaixo descritos não estão confirmados; algo que eu não creio que venham a ser”

Há anos que neste jardim à beira mal plantado:

- Saltam como pipocas casos de corrupção corroborados, mas não provados.

Ou - pode acontecer – ser uma "congénita" estupidez dos Agentes do Estado. O que sinceramente, levanta dúvidas.

Para os credores e “avalistas” (consideremos a Alemanha como tal), confirmam-se decisões que vão esmagar a população. Objectivo: aumentar a receita.

Mas… e aqui surge o problema: que irão fazer os Governantes com essa receita adicional?

E o prenúncio não é o melhor: as mordomias; os aumentos de despesa dos Gabinetes; as ideias fixas de obras faraónicas; enfim… a demência governativa continua. Latente, mas mantém-se.

E (o que considero um atrevimento irresponsável, ou talvez não, pois depende do “serviço” que se está a fazer) deita o odioso, para quem vê o fruto do seu trabalho, as poupanças colectivas, serem esbanjadas por grupos de malfeitores? Falo, entre outros, dos alemães.

O Governo do PS não precisa de OMO para lavar mais branco, têm-no a si.

PS. Berlusconi, apesar de todo o seu poder, tanto político como financeiro (em função da sua fortuna pessoal), além de deter vários Órgãos de informação, não evita a denúncia de todas as tropelias que comete.

Por ser homónimo (ou xará), lembro a revista “L’espresso”, que o Expresso infelizmente, é só isso: xará
QUER MELHOR NOTÍCIA QUE ESTA?
A Empresa Pública CTT, administrada por Estanislau Costa, decidiu, concentrar grande parte dos seus serviços num único edifício, na ZONA QUE JÁ FOI CONSIDERADA, A REBOLEIRA À BEIRA TEJO, Isto só porque, tal como, na Reboleira do seu tempo, qualquer dia não haverá um m2 de terra sem um prédio em cima. Estou a Falar DO PARQUE DAS NAÇÕES. E A MUDANÇA É PARA O EDIFÍCIO COM O NOME DE "BÁLTICO".
Os CTT vão pagar uma renda mensal de 4,2 milhões de euros por mês. Segundo parece, os contractos de arrendamento que os CTT tinham com as Instalações onde estavam, alguns só caducam daqui a 15 anos e prevê-se que só de indemnizações aos antigos Senhorios os CTT, terão que vir a pagar mais de 40 milhões de euros.
ISTO É UM ACTO DE GESTÃO DE UM GESTOR DE UMA EMPRESA PÚBLICA...Mas sabem V. Exas. a quem pertence o edifício da NOVA REBOLEIRA? Á MOTA ENGIL DE JORGE COELHO, pois claro. UM NEGÓCIO TÃO RUINOSO, SÓ PODIA ENVOLVER LUVAS..LUVAS E MAIS LUVAS. Será que aos CTT, para pagar uma renda deste montante, não seria muito mais vantajoso, entrar num contracto de leasing, mesmo que fosse a 20 anos, pagaria metade da RENDA e daqui a 20 anos o Edifício era da EMPRESA. É claro que para COELHO, este negócio não interessa, daqui a 20 anos a MOTA, terá empochado muito mais de 1000 milhões em rendas. Este montante teria dado para comprar, pelo menos 5 prédios. Mas o Importante para ESTANISLAU, não é defender a Empresa que Administra. Essa é do POVO e o POVO que se lixe. Há que defender o AMIGO e '''???
O aldrabão-mor do online Ver comentário
Um Pouco de Verdade de Vez em Quando
The richest 1 percent of Americans now take home almost 24 percent of income, up from almost 9 percent in 1976. As Timothy Noah of Slate noted in an excellent series on inequality, the United States now arguably has a more unequal distribution of wealth than traditional banana republics like Nicaragua, Venezuela and Guyana.

C.E.O.'s of the largest American companies earned an average of 42 times as much as the average worker in 1980, but 531 times as much in 2001. Perhaps the most astounding statistic is this: From 1980 to 2005, more than four-fifths of the total increase in American incomes went to the richest 1 percent.

At a time of 9.6 percent unemployment, wouldn't it make more sense to finance a jobs program? For example, the money could be used to avoid laying off teachers and undermining American schools.

So we face a choice. Is our economic priority the jobless, or is it zillionaires?

To me, we've reached a banana republic point where our inequality has become both economically unhealthy and morally repugnant.

A Alemanha de Merkel
Tenho lido com atenção as suas crónicas. E para além de uma crónica de Clara Ferreira Alves há uns tempos atrás, parece ser o único analista a colocar "o dedo na ferida", a Alemanha.
O que está a acontecer na Europa é uma tragédia para os países do Sul, mas sobretudo para a União Europeia. Uma Europa dividida, enfraquecida, desmoralizada, prenuncia o pior dos males. Assim reza a história. Oxalá eu esteja enganada!
Nicolau Santos
BRAVOOO!!!!
Transparencia
Olá.

Como toca várias opiniões, gostaria que comentasse também as eleições no Kosovo, tendo em consideração os seguintes parâmetros :

Quantos podiam votar ?
Quantos votaram ?

Obrfigado
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