30 de janeiro de 2015
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O astronauta

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Se Portugal tivesse NASA, o dr. Proença de Carvalho arranjaria maneira de ser astronauta. Estamos perante um homem com o dom da omnipresença divina, um milagreiro que multiplica cargos como nosso senhor multiplica pães e rosas. Além de advogado-mor de poderosos em apuros e de motoristas distraídos, o dr. Proença é figura de proa em quase trinta empresas (Cimpor, Galp, etc.). Sim, esta acumulação de poder não é crime. Aliás, aprecio o valor do trabalho e admiro quem conquista poder dentro das regras. O problema está na acumulação de cargos inconciliáveis. 

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A faca relativista

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Chamemos-lhe Solita. É uma menina guineense que vive numa torre decrépita de Alfornelos ou Santo António dos Cavaleiros. Quando chega à idade, Solita é levada pela própria mãe a um dos apartamentos da torre. Lá dentro, o cheiro a mofo mistura-se com o odor a sangue seco; no balcão da cozinha, a curandeira afia a faca de trabalho que, daqui a segundos, cortará os lábios vaginais e o clitóris daquela criança. 

 

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E se eu fosse francês?

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Em conversa, costumo ouvir o seguinte: "ó Henrique, V. é muito corajoso! Que nunca lhe doam os dedos!" Logo ali mando calar os meus interlocutores para lhes dizer uma coisa: "Felizmente vivo num país onde não é preciso coragem física para escrever. Ameaças em e-mails e caixas de comentários não contam. O meu preço não está na coragem mas na carteira, isto é, sei que nunca irei ter cátedras ou prémios. Mas isso é pouco importante. Coragem tem o bloguer egípcio que conheci há anos em Cracóvia. Ele, sim, é corajoso, pode ir parar à masmorra. 

 

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O senhor bem educado

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O gajo de 1979 acorda, toma banho, lê jornais em papel e ouve música que comprou: é mesmo um disco analógico que se coloca numa geringonça chamada aparelhagem; não é um ficheiro roubado na internet. O gajo de 79 é, portanto, um dinossauro. De seguida, vai tomar a bica no senhor Joaquim e consegue ler os jornais do café. No passado, o "Correio da Manhã", "A Bola" e o "Record" tinham fila de espera, era preciso conhecer as artes da 'fuçanga' para passar à frente. Agora não.  

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A recusa da cruz

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É confrangedor comparar as séries e livros infantis dos anos 80 com as séries e filmes dos anos 2010. Quando é que passámos a assumir que as crianças são idiotas? Para compreenderem o que estou a dizer, só têm de comparar qualquer série dos incontáveis canais de desenhos animados da TV Cabo com "Era Uma Vez no Espaço", uma das séries da minha geração. Apostando na aventura espacial, o seu autor (Albert Barillé) colocava questões profundas à pequenada: o que é a morte? O que é Deus? O que é o inimigo? O que é a democracia? Além da profundidade da substância, convém ainda destacar as diferenças na forma, que são ainda mais decisivas. Os desenhos animados de hoje têm um ritmo frenético; um plano não sobrevive mais do que três segundos; os miúdos não são treinados para pensar, mas sim para sentir. Ao invés, o ritmo de "Era uma Vez no Espaço" é lento. Aliás, para os padrões de 2014, esta série infantil de 1982 é lenta e silenciosa até para os adultos. Não, não estou a brincar: a profundidade e a secura narrativa de "Era uma Vez no Espaço" são estranhas para os adultos de 2014. O ritmo dos "CSI" é mais primitivo e pueril do que o ritmo pensado por Albert Barillé.

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Ir à terra

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O Natal era sinónimo de ir à terra, Foros da Pouca Sorte (Santiago do Cacém). O Natal era ficar parado horas a fio nas filas de trânsito dentro do gelado Fiat 127 do meu pai. Na época, Alcácer do Sal era um Bojador rodoviário quase intransponível. Dava para trocar de carro no meio das filas de quilómetros: se começava no Fiat, acabava a viagem nos Fords ou Minis dos meus tios. Natal era chegar aos Foros e sentir o cheiro do frio. Sim, o frio alentejano tem cheiro, espessura e até nome próprio: cacimba.   

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Faça compras no bairro

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A mercearia da Dona Isabel vende a fruta, as hortaliças e o pão a um preço superior ao praticado no bazar do eng. Belmiro. Mas é na mercearia que faço o meu avio. O talho do sr. João é mais caro do que a secção talhante que o eng. Belmiro tem ao fundo da rua, mas é ali que compro os bifes para a pequena. Não, não é só por terem mais qualidade do que a carne servida pelos talhantes do supermercado. É porque esta vida de bairro não tem preço.

 

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Rui Rio e a República

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Meu caro Rui Rio, tenho uma certa estima por V. Exa. Neste sentido, venho pedir-lhe um favor: pare com a conversa tremendista sobre o fim do regime, até porque não se percebe muito bem o que V. Exa. está a pedir. Isso é lero-lero para garoto dado ao onanismo político, assim ao estilo de José Miguel Júdice. Será que V. Exa. está a pedir um regime presidencialista? Lamento, mas isso não mudaria nada. 

 

 

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A culpa de Sócrates e Soares

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Politicamente, José Sócrates é culpado. É culpado de ter levado o país à bancarrota moral. É culpado de ter tentado controlar a banca através de amigos, é culpado pelas estradas inconcebíveis de Paulo Campos e pela inconcebível licenciatura, é culpado de não ser transparente em relação à sua carteira, é culpado de ter tratado a imprensa com tiques de ditador, é culpado de ter ameaçado o antigo diretor deste jornal, é culpado de ter criado um ambiente que viu "má educação" numa entrevista séria do atual diretor deste jornal, é culpado de pressões inaceitáveis sobre jornais, jornalistas e colunistas, é culpado de ter criado uma linguagem que trata adversários como inimigos, é culpado de ter mentido ao parlamento no caso TVI-PT. 

 

 

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Porno

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Com outros nomes e outras geografias, toda a gente conhece esta história: a Joana e o Ricardo foram apanhados na parte de trás do ginásio, entre os caniços e a rede; estavam a fazer aquelas coisas que tinham descoberto no confessionário da "Maria"; claro que a má fama ficou reservada para a Joana, que passou a ser a quenga do bairro, enquanto que o Ricardo foi elevado a deus do Olimpo, ah, o meu puto papa as gajas todas. No nosso tempo, estes episódios ficavam entre as quatro paredes da escola e acabavam por cair no terreno impreciso do mito. 

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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