23 de novembro de 2014
Página Inicial   >  Opinião  >   Henrique Raposo

Porno

 | 

Com outros nomes e outras geografias, toda a gente conhece esta história: a Joana e o Ricardo foram apanhados na parte de trás do ginásio, entre os caniços e a rede; estavam a fazer aquelas coisas que tinham descoberto no confessionário da "Maria"; claro que a má fama ficou reservada para a Joana, que passou a ser a quenga do bairro, enquanto que o Ricardo foi elevado a deus do Olimpo, ah, o meu puto papa as gajas todas. No nosso tempo, estes episódios ficavam entre as quatro paredes da escola e acabavam por cair no terreno impreciso do mito. 

 

 <p>Para continuar a ler o artigo, clique <a target="_blank" href="http://leitor.expresso.pt/#library/expresso/semanario-2195">AQUI</a>.</p>

 

Fantasmas de Leste

 | 

Chamemos-lhe Külio Rummo. Este distinto cidadão estónio foi meu colega no tempo da outra senhora. Nunca irei esquecê-lo porque ele era a caricatura de uma marca psicológica partilhada pelos restantes colegas da Europa de Leste: o racismo que se julga virtuoso, o ódio racial ou nacionalista que se julga uma bênção do Senhor. 

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

Éramos assim castiços em 1984

 | 
Faz trinta anos que Carlos Lopes venceu a maratona dos Jogos Olímpicos. Tinha cinco anos, mas a minha memória poliu uma polaroid de traços precisos: estávamos todos na garagem do Tio Custódio; rodeados pelo cheiro das pipas de vinho, vimos ali a maratona com entusiasmo pátrio. Estávamos todos juntos, dezenas de vizinhos no mesmo espaço. Já toda a gente tinha TV, mas ainda havia o hábito de ver as coisas em conjunto - reflexo da época em que se via a "Gabriela" na casa do vizinho. O meu velho, por acaso, tinha acabado de comprar a primeira TV a cores para ver o Europeu do Chalana. O bigode do Chalana e as pernas quenianas do Carlos Lopes.  

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

 

O homem que mordeu a cadela

 | 

Chamemos-lhe Dona Ivone. É uma senhora seca e olheirenta aqui do bairro. No seu enxuto busto repousa sempre uma cadela. A "Duquesa" fica ali a flutuar como se fosse um bebé, uma criança felpudinha assim a dar para o Neandertal. Muitas vezes fico a pensar: será que deu este mimo aos filhos? Aposto que não. Está sempre a dizer que "ninguém me vem ver", está sempre a destilar ódio contra os filhos, contra o ex-marido, contra os vizinhos.

 

 

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

 

 

O drone da Europa

 | 
Há uns anos valentes, partilhei a minha vida com malta dos Balcãs e do Leste da Europa. Foi ali que percebi que não existe "Europa" ou "sentimento europeu", foi ali que percebi que o choque civilizacional ocorre ao nível mais íntimo, desde os hábitos de higiene até às memórias. Nas conversas do grupo, as minhas memórias compunham o quadro típico do garoto que cresceu na pasmaceira do fim de história: saídas à noite, sacar miúdas, histórias de bola, filmes, livros. Quais eram as histórias dos meus camaradas eslavos, sobretudo os balcânicos? Quase sem exceções, eram veteranos de guerra ou guerrilha. Mataram, tentaram matar, quiseram matar.  

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

Deixem-nos ter filhos!

 | 

Chamemos-lhe Ismael. Trabalha em Lisboa, vive no Carregado. Morava em Loures com os pais, mas quando se casou comprou ali um T2 sem marquise (ele orgulha-se da sua não-marquise). Comprou ali como podia ter comprado na Rinchoa ou Odivelas. "O banco dá empréstimos como quem dá chupa-chupas", costumava brincar. 

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

Aborto

 | 
Não fui à caminhada porque não gosto de multidões, sobretudo quando a multidão em causa está do meu lado. Mas estou com eles, estou com os meus amigos católicos e protestantes que relembraram a evidência: o aborto é um mal, não é um "direito", não é uma "conquista", não é um "avanço" para colocar ao lado da questão gay. O aborto não é uma questão simples como o casamento homossexual. Dois adultos vacinados podem casar no civil. Ponto final. O aborto é outra loiça.  

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

 

Ultramar: heróis trágicos

 | 

Sinto uma volúpia literária por homens como Alpoim Calvão, um soldado que lutou por uma causa perdida. Ele sabia que era impossível vencer, mas não desistiu do império. Todas as personagens nobres são feitas desta melancolia. Mas convém não endeusar. Certa direita glorifica homens como Calvão, transformando-os em santos. Um intelectual que respeito imenso, Jaime Nogueira Pinto (J.N.P.), tem esta tendência. Aliás, quando tinha a minha idade, J.N.P. dizia que recusar combater em África era um sinal de cobardia. Acho que já não pensa assim. Estou certo de que já desenvolveu uma visão mais complexa e trágica da África portuguesa. 

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

O fantasma encantado

 | 

Abordar a ternura é difícil, porque é facílimo ficar preso no pântano do melaço. Foi sempre assim, mas hoje é ainda mais complicado. O cinismo engraçadista é a nossa moeda de troca. 

 

 

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

O Islão e o racismo fofo

 | 

Há um racismo fofinho que se esconde na ideologia do "antirracismo" e do alegado respeito pelo "outro" (otherness em linguagem caviar). Esta pulhice fofa é evidente na arte. Há uns anos, a artista afegã Lida Abdul esteve em Lisboa a falar precisamente deste ponto. Entre outras coisas, Abdul afirmou que é frequente os ocidentais recusarem o seu trabalho porque não é exótico ou diferente, porque não aborda os problemas das mulheres e crianças afegãs, etc. Nas suas obras (vídeo), Abdul procura aquilo que todo o artista deve procurar: atingir um eco universal a partir de um contexto concreto.

 

 


Para continuar a ler o artigo, clique AQUI .

Ver mais

Pub