25 de outubro de 2014
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O drone da Europa

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Há uns anos valentes, partilhei a minha vida com malta dos Balcãs e do Leste da Europa. Foi ali que percebi que não existe "Europa" ou "sentimento europeu", foi ali que percebi que o choque civilizacional ocorre ao nível mais íntimo, desde os hábitos de higiene até às memórias. Nas conversas do grupo, as minhas memórias compunham o quadro típico do garoto que cresceu na pasmaceira do fim de história: saídas à noite, sacar miúdas, histórias de bola, filmes, livros. Quais eram as histórias dos meus camaradas eslavos, sobretudo os balcânicos? Quase sem exceções, eram veteranos de guerra ou guerrilha. Mataram, tentaram matar, quiseram matar.  

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Deixem-nos ter filhos!

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Chamemos-lhe Ismael. Trabalha em Lisboa, vive no Carregado. Morava em Loures com os pais, mas quando se casou comprou ali um T2 sem marquise (ele orgulha-se da sua não-marquise). Comprou ali como podia ter comprado na Rinchoa ou Odivelas. "O banco dá empréstimos como quem dá chupa-chupas", costumava brincar. 

 

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Aborto

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Não fui à caminhada porque não gosto de multidões, sobretudo quando a multidão em causa está do meu lado. Mas estou com eles, estou com os meus amigos católicos e protestantes que relembraram a evidência: o aborto é um mal, não é um "direito", não é uma "conquista", não é um "avanço" para colocar ao lado da questão gay. O aborto não é uma questão simples como o casamento homossexual. Dois adultos vacinados podem casar no civil. Ponto final. O aborto é outra loiça.  

 

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Ultramar: heróis trágicos

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Sinto uma volúpia literária por homens como Alpoim Calvão, um soldado que lutou por uma causa perdida. Ele sabia que era impossível vencer, mas não desistiu do império. Todas as personagens nobres são feitas desta melancolia. Mas convém não endeusar. Certa direita glorifica homens como Calvão, transformando-os em santos. Um intelectual que respeito imenso, Jaime Nogueira Pinto (J.N.P.), tem esta tendência. Aliás, quando tinha a minha idade, J.N.P. dizia que recusar combater em África era um sinal de cobardia. Acho que já não pensa assim. Estou certo de que já desenvolveu uma visão mais complexa e trágica da África portuguesa. 

 

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O fantasma encantado

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Abordar a ternura é difícil, porque é facílimo ficar preso no pântano do melaço. Foi sempre assim, mas hoje é ainda mais complicado. O cinismo engraçadista é a nossa moeda de troca. 

 

 

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O Islão e o racismo fofo

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Há um racismo fofinho que se esconde na ideologia do "antirracismo" e do alegado respeito pelo "outro" (otherness em linguagem caviar). Esta pulhice fofa é evidente na arte. Há uns anos, a artista afegã Lida Abdul esteve em Lisboa a falar precisamente deste ponto. Entre outras coisas, Abdul afirmou que é frequente os ocidentais recusarem o seu trabalho porque não é exótico ou diferente, porque não aborda os problemas das mulheres e crianças afegãs, etc. Nas suas obras (vídeo), Abdul procura aquilo que todo o artista deve procurar: atingir um eco universal a partir de um contexto concreto.

 

 


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Os putos da Ponte D. Luís

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O Porto (sem o prefixo FC) faz-me bem. Andei por lá nestas férias e voltei a sentir o desejo de ali morar. Tolero os lisboetas, gosto dos portuenses. Não me sinto em casa em Lisboa, sinto-me em casa no Porto. Os portuenses são mais parecidos comigo: mais abertos, mais dados, mais desassombrados, mais simpáticos mas também mais abrasivos se for necessário. É gente sem as meias-tintas da corte lisboeta. Até gosto dos gunas junto à Sé. Sim, eu sei que sou do sul e que nunca serei um verdadeiro tripeiro.     

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Jennifer Lawrence e Hannah Arendt

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Liderado pelas falanges libertárias, à esquerda e à direita, o ar do tempo colocou a net num pedestal. A net é vista como uma deusa que abriu o novo estádio de evolução da humanidade, um estádio mais avançado e livre. Lamento, mas tenho de interromper o coro. Por várias razões, a net é uma ameaça à liberdade. Para começar, as redes sociais geram ondas de unanimidade burra, legitimam campanhas de ódio, criam uma cultura de autocensura e abrem espaço à "ditadura das minorias". Além disso, como se viu nesta semana, a net é a maior ameaça à privacidade. Ao contrário de Marilyn Monroe, Jennifer Lawrence não se consegue defender.

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A avó portuguesa

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Num jantar com a família de uma amiga americana, a matriarca, a sra. Dachos, fez questão de se sentar à minha beira. Passados poucos minutos percebi o porquê da honra: tinha uma história para me contar. Em Filadélfia, em meados do século XX, a sua grande amiga era uma rapariga portuguesa chamada Fátima. Aliás, ainda são amigas, mas agora a sra. Dachos faz uma crítica à sra. Fátima: "Ela, como avó, estraga os miúdos com mimos; vocês, portugueses, são todos assim." Disse-lhe que percebia a crítica. Um pai americano coloca o filho fora de casa aos 20 anos.

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Algarve e internet

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As minhas crónicas têm sempre três parágrafos. Na semana passada, escrevi sobre a minha relação de amor-ódio com o Algarve. No primeiro parágrafo, desenvolvi a parte menos luminosa: tal como milhares de outros turistas portugueses, tenho razões de queixa em relação ao atendimento no Algarve. Lamento, mas é assim há décadas.     

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Edição Diária 17.Abr.2014

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