18 de setembro de 2014
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Não acabem com os taxistas

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Não há personagem como o taxista. Com bigode ou turbante, esta figura define por si só a atmosfera das cidades, aquela atmosfera chungosa mas genuína que não vem nos postais. As memórias das nossas cidades são as memórias dos nossos taxistas. Em Istambul, fui enganado à grande. Cada bandeirada era uma estirada intercontinental. Era a forma que eles tinham de regatear o preço. Eles conduziam um táxi, sim senhor, mas não deixavam de estar no Grande Bazar. Em Washington DC, o regatear chegou ao gamanço. Ou eu passava para lá a guita ou ele deixava-me ali perdido no meio dos "projects" (bairro social em escala tétrica). Só não me roubou mais porque eu disse que era português e o sujeito gostava de "soccer" e do Figo. Sim, devo uns trocos ao Figo. Em Munique, os taxistas eram máquinas eficientes, mas não tinham sal. Eram tão interessantes como um parafuso. Mil vezes o meu gangster de Washington.

 

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Oiça Steve Jobs: tire o tablet à sua filha

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Já sabíamos que os chefões da Google têm os filhos numa escola normal, sem tecnologia de ponta, sem software à Google; não há ali ecrãs de toque, nem ipads, só mesmo o bom e velho quadro e, com sorte, pauzinhos de giz que mascarram as mãos. Paradoxo? Nem por isso. Fazer algoritmos de software implica uma mente matemática e abstracta que só pode ser treinada de uma forma: o petiz tem de enfrentar os problemas matemáticos com uma pega de caras, usando apenas lápis, borracha e, com sorte, ábaco. Não há software ou hardware que mude isto. Aliás, o contacto com a tecnologia até pode atrapalhar. 

 

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Os árabes precisam de Henry Miller

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Mesmo que fosse possível reparar o abismo político entre o velho ocidente e o mundo árabe, mesmo que países árabes se transformassem agora em formosas democracias, mesmo nesse cenário quimérico continuaríamos a sofrer ventanias bélicas, porque o problema árabe não é político. É social ou cultural. Estou a falar do lugar das mulheres, o lugar da mulher emancipada. Desde o início do século XX, ocidentais e árabes seguiram dois caminhos distintos no campo dos costumes, dois caminhos que não se tocam e que continuarão a criar atrito e ódio no campo árabe. Sim, boa parte da cultura árabe odeia-nos não por aquilo que fazemos mas por aquilo que somos. 

 

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A bondade de "House of Cards"

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Se ainda não viu a segunda temporada, não continue a ler. Se já viu, eu sei o que V. está a pensar, sei que parece idiota colocar "bondade" e "House of Cards" na mesma frase. Mas dê-me dois minutos. "House of Cards" é escrita por Beau William, o argumentista do filme "Nos Idos de Março" (2011), que é a revisitação da história clássica da perda da inocência. Ora, "House of Cards" é o passo seguinte e mostra uma Washington sem rasto de inocentes. 

 

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A culpa é do Benfica e FC Porto, não de Paulo Bento

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O bode expiatório já foi expulso em direcção ao deserto. E agora? Vamos continuar com o mesmo problema: o actual grupo de jogadores portugueses à disposição do seleccionador, seja ele Paulo Bento, Ferguson ou o Papa, é o mais fraco das últimas décadas. Só a presença de Ronaldo tem conseguido disfarçar o óbvio ululante: Portugal caiu para a segunda divisão, já não produzimos Chalanas como a China produz chips. O jogador português nunca foi um atleta paramilitar como o alemão, mas teve sempre aquela imprevisibilidade chalanística, futrística, vitor-paneirística. Mas cadê os Futres e os Chalanas de hoje? Não temos. Ou melhor: temos, mas nunca têm hipóteses de triunfar. O jogador português é a ave rara do campeonato português.

 

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A América é dos indianos: o Ocidente morreu?

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2009

Como se pode ver pela foto, ando atrás deste tema há muito tempo. O que é o Ocidente? O Ocidente ainda existe? A resposta começa com um "não". A ameaça que unia Europa e EUA desapareceu (URSS), europeus e americanos sentem-se distantes, os próprios europeus não formam um bloco (há um abismo entre Europa ocidental e Europa de leste) e, acima de tudo, a América está a mudar. Os EUA são cada vez mais uma entidade virada a oeste (Ásia-Pacífico). Fala-se muito da imigração dos mexicanos, mas convinha olhar para o grupo mais poderoso: os indianos ou indo-americanos. Exemplos? Fareed Zakaria é provavelmente o jornalista mais influente da América neste momento. Sem grande exagero, podemos considerar Zakaria como a voz da América.

 

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Costa e Seguro: querem a Constituição ou querem o Euro?

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Ver dois socialistas a discutir a realidade é como ver dois ceguinhos a falar de cinema. Falam sobre tudo, menos sobre o filme. Passados todos estes anos, o PS continua a recusar olhar para a realidade, para os factos, para os problemas. Sim, as diferenças de opinião devem existir entre a esquerda e a direita. Mas essas diferenças estão a jusante. A montante, é preciso reconhecer um ponto de partida empírico e comum a todos. O problema do PS - como ficou bem patente neste debate - é que ainda nem sequer chegou à fase do reconhecimento da realidade. Exemplos? Costa e Seguro falam da "dívida" e do duo "pensões/salários" como se fossem duas coisas separadas. Fazem lembrar aquele cartaz do BE que diz "Cortem na dívida, não nos salários". O problema é que os salários dos funcionários públicos são a dívida. A despesa do Estado é a dívida, porque a carga fiscal (apesar de já ser alta) não chega para cobrir as despesas fixadas constitucionalmente com funcionários e pensionistas. É assim tão difícil perceber isto?

Perante esta realidade insofismável, Costa e Seguro só têm dois caminhos: ou defendem um corte estrutural e definitivo na despesa a fim de permitir a progressiva diminuição do endividamento e a fim de criar espaço para uma redução dos impostos para famílias e empresas, ou defendem um aumento da carga fiscal que permita manter os tais "direitos adquiridos" garantidos pelo tal "princípio da confiança" que o TC insiste em ver no tijolo à Tolstói que temos como Constituição. O primeiro e sensato caminho é aquilo que a preguiça instalada apelida de "austeridade". O segundo caminho é aquilo que um socialista devia defender se fosse coerente com as suas ideias.

Como não têm coragem para propor um aumento ideológico de impostos, Costa e Seguro viram agulhas para a Europa. Seguro fala de quimeras impossíveis como a mutualização da dívida. Ou seja, pede um federalismo financeiro e a institucionalização da troika. Sim, as tais "eurobonds" significariam a institucionalização permanente da troika e o fim definitivo da nossa soberania parlamentar. Não, obrigado. E Costa? Bom, parece um pouco mais realista em relação à evolução da UE, mas, ora essa, diz que é preciso aumentar os fundos estruturais para Portugal. Como bom socialista, Costa só sabe governar com o dinheiro dos outros.

Incapazes de enfrentar a realidade portuguesa, Costa e Seguro acham que a solução está num qualquer abracadabra europeu e ficam à beirinha de uma queixinha que é cada vez mais recorrente no PS: ou a UE faz o que nós queremos, ou nós deixamos de ser europeístas (a Europa treme com a perspectiva). Voltámos, portanto, àquilo que ando a dizer desde 2010: o PS vai ter de escolher entre duas identidades. Ou fica com a Europa ou fica com a Constituição socialista que nos governa. Ou defende os benefícios e as exigências do europeísmo (alterando a Constituição) ou entra numa versão socialista do "orgulhosamente sós" (saindo do Euro e da UE).  Enquanto não tomarem esta decisão, Costa e Seguro continuarão a ser dois ceguinhos a discutir Godard e Truffaut.

Setembro faz-nos bem

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Setembro é chegar das férias a ressacar por uma dose de rotina, é uma ressaca que começa a bater lá pela terceira semana de Agosto, um gajo ainda dá mergulhos mas já só pensa no regresso, sinal de que já limpou a cabeça, quando era puto até vestia pijamas de inverno na semana em que começava a escola, que também era a semana em que a RTP começava a passar grandes filmes e os filmes são pra ver em pijama. Setembro é esta nostalgia do frio.

 

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Costa e Seguro: a roupa suja cheira mal

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António José Seguro tem um delicado rosto de acólito. Pior: é um acólito inseguro, daqueles que não sabem bem as rezas. Seguro é incapaz de transmitir uma grama de segurança. E esta insegurança foi reforçada pelas constantes queixinhas que empilhou à porta de António Costa. Parece que Seguro, coitadinho, esteve ali durante três anos a fazer o trabalho mais difícil e agora vem o Costa quando já cheira a poder. Parece que foi traído por um camarada, etc. O Dr. Seguro já devia saber que isto é política, e não a Santa Casa. Claro que Costa ia esperar, claro que Costa não se ia desgastar durante os três orçamentos mais complicados, claro que Costa ia esperar pelo momento certo (a fraca vitória do PS em Junho). Mas isso é só política, um conceito que Seguro parece desconhecer. Se não quiser ler os clássicos, o Dr. Seguro pode sempre ver "House of Cards". Ser o queixinhas da turma não o leva a lado nenhum.

António Costa, sim senhor, tem uma gravitas gerada por décadas de poder ao mais alto nível (esteve nos governos que enterraram Portugal entre 1995 e 2011, e dizem que participa num programa de televisão). Mais: Costa tem a autoconfiança das costas quentes e da boa imprensa. Tudo bem, sempre houve filhos e enteados. Mas resta um pormenor chato: a realidade e a governação. E aqui António Costa foi de uma nulidade confrangedora. Um político não pode dizer tudo ao eleitorado, mas Costa usa e abusa da fuga à realidade. Diz que é preciso um caminho diferente, insiste na ideia de que a "austeridade" é uma mera escolha e não realidade pura e dura, mas depois é incapaz de apontar um caminho. Nesse ponto, verdade seja dita, Seguro parece ter uma visão mais madura. Foi interessante, por exemplo, ouvi-lo a privilegiar os bens transaccionáveis em detrimento do estado como motor económico. Moral da história? Costa acha que chega ao poder apenas e só com o seu estatuto de D. Sebastião. Das duas, uma: ou ele está enganado, ou os portugueses são idiotas.     

Mas há aqui um ponto mais importante do que as virtudes e defeitos destas duas personagens de novela socialista. E o ponto é este: a moda da democracia direita dentro dos partidos é um péssima notícia para a democracia representativa. O que restará do PS depois destes meses de roupa suja lavada em público? As primárias só reforçam o ódio entre tribos. Depois destes ataques viperinos, costistas e seguristas sentar-se-ão à mesa para governar o país? Haverá um conselho de ministros costista e outro segurista? Por favor, devolvam-me os congressos. 

A culpa é sua, e não de Paulo Bento

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Sim, Paulo Bento é a personificação da teimosia, mas ele é apenas a ponta deste iceberg futeboleiro-patriotista. A actual base de recrutamento é uma anedota quando comparada com o lote de jogadores que tivemos nos anos 80, 90 e 2000. Chalana, Figo e Deco lideraram constelações de jogadores talentosos. Ronaldo está sozinho. Não há memória de uma situação tão pobre. Portugal era sinónimo de "jogador talentoso", mas estamos a perder essa marca. Já não somos o Brasil da Europa, tal como o Brasil já não é o Brasil. 

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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