30 de outubro de 2014
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Ricardo Salgado e o princípio da desconfiança

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Última atualização há 34 minutos

Meu querido Henrique Monteiro,

a tua crítica publicada na edição de ontem aqui do Expresso online ("Porque é que Henrique Raposo não tem razão acerca de Ricardo Salgado?") passa ao lado. Mas a culpa é minha. Não me expliquei como deve ser. Como é óbvio, a base de uma sociedade é a confiança, mas eu não estou a falar de sociedade, mas sim de instituições. Sim, na sociedade, ao nível orgânico e pré-político, entre mim e ti, entre vizinhos, entre empresários, a base da sociedade deve ser a confiança. Não me podes acusar de ser cego em relação a este ponto. Luminosas ou lunares, tristes ou alegres, as minhas crónicas sobre os bairros onde vivi e vivo não são apenas exercícios narrativos, também servem um ponto moral: sem esses laços de proximidade gerados nos corpos intermédios, para citar os camaradas Tocqueville, Weber, Alasdair MacIntyre e o Papa, a nossa liberdade será sempre frágil. E um dos problemas da nossa liberdade, em Portugal, está na escassez destes laços.

 

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Um Nokia com o jogo da cobrinha, sff

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O gajo de 1979 acorda, toma banho e lê jornais em papel enquanto toma o mata-bicho. Como se vê, o gajo de 79 é um Neanderthal analógico: diz "mata-bicho" e desconhece as manhãs que cantam nas apps, smartphonesipads e demais icoisas. 

 

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Ricardo Salgado era uma pessoa distinta, não era?

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O princípio institucional de uma democracia não é a Igualdade, a Solidariedade, a Fraternidade ou qualquer outra palavra vaga e abstracta que nos esmaga com a pompa da maiúscula. O princípio que deve reger uma democracia, o princípio que protege as nossas liberdades concretas, é a desconfiança. Sim, a desconfiança em relação a qualquer sujeito com poder, seja ele político ou banqueiro.

 

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A menina que vai salvar a energia nuclear

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Qualquer debate moral sobre energia tem de passar por uma pergunta: as renováveis garantem energia para toda a gente? As renováveis garantem electricidade para uma humanidade em número crescente? As ventoinhas garantem luz para uma crescente classe média mundial? Não, não garantem. As renováveis são um luxo de países ricos sem crescimento populacional. A Europa, que está a morrer, pode brincar às ventoinhas, mas não pode pensar que vai impor a sua agenda às nações com vitalidade demográfica. Lá fora, no mundo real, existem estados que têm de gerir dois fenómenos: populações a crescer e, acima de tudo, crescentes classes médias que exigem aquilo que os europeus e americanos já têm. Os chineses, os brasileiros, os indianos, os indonésios e os tailandeses também querem ter luz na ponta do dedo e sem falhas ao longo do dia, também querem LCDs, DVDs, ar condicionado, frigorífico, hospitais de ponta, etc. E isto não se faz com ventoinhas e painéis solares.

 

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"Escondi a gravidez o mais que pude"

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No sector privado e no sector público, conheço várias histórias de mulheres que se sentiram ameaçadas quando assumiram o desejo de engravidar. Os chefes começaram a fazer piadinhas, ó João, já viu que a Sofia quer ter meninos, logo agora que estava a subir na empresa, ó Manuel, já viu que a Joana quer engravidar, logo agora que é importante no departamento. Tentei convencê-las a assumir publicamente o problema. Como é natural, recusaram. Estamos a falar do seu ganha-pão. Mas é por isso que a chantagem é tão cobarde. Estes chefes sabem que elas não se vão queixar, sabem que elas vão engolir as hormonas e a indignação porque precisam do emprego.

 

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Uma sala desconfortável para Ricardo Salgado

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Não me esqueço da primeira vez que entrei numa sala de tribunal. Era testemunha do Ministério Público e passei o tempo todo a olhar para cima. Sim, para cima. O procurador estava ao nível do juiz. O advogado da quadrilha que ajudei a prender estava ao meu nível. Sim senhora, gostei muito de identificar os meliantes, mas não esqueci a inconcebível arquitectura do nosso estado de direito. Como é que o procurador pode estar acima do advogado de defesa? Nos EUA, aquela sala de tribunal seria uma contradição em termos. Não, isto não é um pormenor. A arquitectura do poder não é uma coisa de somenos. Diz muito sobre a cultura política de um país. Querem mais exemplos?

 

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O mundo nunca esteve tão bem

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Nós, ocidentais, temos a mania da crise. Talvez seja consequência da martilogia cristã: temos sempre um par de óculos que só consegue ver abismos com Leviatãs à nossa espera. Em 2014, estamos a passar por um pico deste pessimismo. Sucede que a atmosfera pessimista não faz sentido em termos históricos. Nunca vivemos tão bem. Nunca houve tão poucas guerras. "E o Ébola?", pergunta o leitor ali do canto. Meu caro amigo, as pandemias do passado matavam centenas de milhares ou milhões. A Gripe Espanhola de 1918 infectou cerca de 500 milhões e matou entre 50 e 100 milhões à escala global. O meu avô lembrava-se disto. "E as guerras?" Meu caro, a Síria, o Iraque e até a Ucrânia são brincadeiras quando comparadas com as verdadeiras guerras do passado. 

 

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Os bebés de "Walking Dead"

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Faça o que fizer, não consigo convencer a minha doce e sapientíssima mulher a ver "Walking Dead". Diz que tem "seres nojentos" (a.k.a. zombies) e que fica sempre angustiada quando tenta ver. Já lhe tentei explicar que essa angústia é o melhor elogio que se pode fazer à série. Esse sufoco não é originado pela mera presença dos zombies. Para citar Jorge Jesus, os zombies são "pinars", meros pretextos para os dilemas sentidos por Rick e restantes personagens. E são estes dilemas que nos metem medo: devemos ou não salvar aquelas pessoas? Serão de confiança? Podemos salvar aquele bebé? 

 

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O sportinguista

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Ver um jogo do Sporting ao lado de amigos sportinguistas é uma experiência desconcertante. Eles não sabem ver bola. Há ali qualquer que lhes escapa. Se quiserem, falta-lhes a gramática emocional. Exemplos? O central faz um sprint para evitar uma saída de bola e, num ápice, os meus amigos começam a aplaudir. O quê? Então vocês aplaudem um central que se limitou a fazer o seu trabalho? Um benfiquista só aplaude um central se ele marcar um golo de pontapé de bicicleta depois de fintar a equipa adversária numa jogada à Beckenbauer. Os sportinguistas ainda não perceberam que os defesas são feitos na forja da porrada e do assobio. Sim, o defesa é uma espécie de sogra, um mal menor que se tolera. Bater palmas a um central é como dizer sim, sogrinha, venha cá para casa o tempo que quiser. 

 

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Ricardo Salgado e a semiótica da sopeira

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Meu caro Dr. Ricardo Salgado, venho por este meio colocar-lhe uma pergunta que me inquieta há bastante tempo: onde é que V. Exa. arranja essas sopeiras bestiais? Sim, as sopeiras: quando diz que a culpa é do contabilista, V. Exa. sobe ao nível das grã-finas que estão sempre a culpar a sopeira, a porteira ou a cozinheira. Eu também quero. Eu também quero esse mecanismo bestial que transfere o dolo para os meus subordinados num milagre da lógica. Cometi um erro numa crónica? Ora essa, a culpa é da criada que passou o espanador aqui no teclado naquele exacto momento. O meu pai sempre me ensinou que nós somos responsáveis, directos ou indirectos, por aquilo que acontece na nossa casa. Isto é muito kantiano, sim senhor, mas é uma enorme maçada. Portanto, meu caro Ricardo, faça lá o favor de me contar como é que chegou à quadratura do círculo: quanto as coisas corriam bem, o mérito era seu; quando as coisas descambaram, a culpa foi transferida para a sopeira.

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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