23 de outubro de 2014
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O mundo nunca esteve tão bem

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Nós, ocidentais, temos a mania da crise. Talvez seja consequência da martilogia cristã: temos sempre um par de óculos que só consegue ver abismos com Leviatãs à nossa espera. Em 2014, estamos a passar por um pico deste pessimismo. Sucede que a atmosfera pessimista não faz sentido em termos históricos. Nunca vivemos tão bem. Nunca houve tão poucas guerras. "E o Ébola?", pergunta o leitor ali do canto. Meu caro amigo, as pandemias do passado matavam centenas de milhares ou milhões. A Gripe Espanhola de 1918 infectou cerca de 500 milhões e matou entre 50 e 100 milhões à escala global. O meu avô lembrava-se disto. "E as guerras?" Meu caro, a Síria, o Iraque e até a Ucrânia são brincadeiras quando comparadas com as verdadeiras guerras do passado. 

 

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Os bebés de "Walking Dead"

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Faça o que fizer, não consigo convencer a minha doce e sapientíssima mulher a ver "Walking Dead". Diz que tem "seres nojentos" (a.k.a. zombies) e que fica sempre angustiada quando tenta ver. Já lhe tentei explicar que essa angústia é o melhor elogio que se pode fazer à série. Esse sufoco não é originado pela mera presença dos zombies. Para citar Jorge Jesus, os zombies são "pinars", meros pretextos para os dilemas sentidos por Rick e restantes personagens. E são estes dilemas que nos metem medo: devemos ou não salvar aquelas pessoas? Serão de confiança? Podemos salvar aquele bebé? 

 

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O sportinguista

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Ver um jogo do Sporting ao lado de amigos sportinguistas é uma experiência desconcertante. Eles não sabem ver bola. Há ali qualquer que lhes escapa. Se quiserem, falta-lhes a gramática emocional. Exemplos? O central faz um sprint para evitar uma saída de bola e, num ápice, os meus amigos começam a aplaudir. O quê? Então vocês aplaudem um central que se limitou a fazer o seu trabalho? Um benfiquista só aplaude um central se ele marcar um golo de pontapé de bicicleta depois de fintar a equipa adversária numa jogada à Beckenbauer. Os sportinguistas ainda não perceberam que os defesas são feitos na forja da porrada e do assobio. Sim, o defesa é uma espécie de sogra, um mal menor que se tolera. Bater palmas a um central é como dizer sim, sogrinha, venha cá para casa o tempo que quiser. 

 

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Ricardo Salgado e a semiótica da sopeira

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Meu caro Dr. Ricardo Salgado, venho por este meio colocar-lhe uma pergunta que me inquieta há bastante tempo: onde é que V. Exa. arranja essas sopeiras bestiais? Sim, as sopeiras: quando diz que a culpa é do contabilista, V. Exa. sobe ao nível das grã-finas que estão sempre a culpar a sopeira, a porteira ou a cozinheira. Eu também quero. Eu também quero esse mecanismo bestial que transfere o dolo para os meus subordinados num milagre da lógica. Cometi um erro numa crónica? Ora essa, a culpa é da criada que passou o espanador aqui no teclado naquele exacto momento. O meu pai sempre me ensinou que nós somos responsáveis, directos ou indirectos, por aquilo que acontece na nossa casa. Isto é muito kantiano, sim senhor, mas é uma enorme maçada. Portanto, meu caro Ricardo, faça lá o favor de me contar como é que chegou à quadratura do círculo: quanto as coisas corriam bem, o mérito era seu; quando as coisas descambaram, a culpa foi transferida para a sopeira.

 

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Jessica Athayde e a mulher felliniana

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Cara Jessica,

eu não percebo nada de moda, mas sei alguma coisa de mulheres. Neste sentido, gostava de te dizer uma coisa deveras séria, quiçá profunda: tu és de uma gostosidade bíblica. Só mesmo Cecil B. DeMille para te filmar. Quando Deus Nosso Senhor criou as mulheres, Ele estava a pensar em ti e não naquelas comedoras profissionais de alfaces que dominam as passerelles. Sim, a tua polémica é oportuna porque é cada vez mais claro que a ditadura ossuda não pode durar muito mais tempo. Não é possível continuarmos a viver num mundo onde o ideal de beleza feminino é ditado por estilistas gays. Eles não fazem por mal, atenção. Como não gostam da mulher enquanto fêmea, eles têm a tendência natural para escolher garotitas raquíticas que são a negação da sensualidade feminina. Não é defeito, é feitio. Mas a verdade é que a indústria da moda "deserotizou" a mulher, aboliu as formas curvilíneas, ilegalizou a mulher felliniana. E tu, minha querida, estás na Liga dos Campeões das fellinianas.

 

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O bibliotecário de Ronaldo

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Há centrais que têm a delicadeza de um acidente geológico, há centrais que podiam ser porteiros de discoteca, há centrais que distribuem rotativos à Van Damme e depois há centrais como Ricardo Carvalho, centrais que são o anti-central, o anti-zagueiro, o anti-caceteiro. Num mundo de brutamontes, Carvalho é uma delicada peça de porcelana, levemente feminina. Se repararem bem, ele move-se como uma bailarina, aos pulinhos, em bicos de pés. O central típico movimenta-se como um blindado, até deixa as marcas das lagartas no relvado. Ricardo Carvalho, ao invés, é uma Pavlova em chuteiras. Mas não se pense que esta delicadeza é sinónimo de complacência. A nossa Pavlova seca qualquer avançado. Ontem, o gigante Bendtner não tocou na chicha.

 

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As raparigas que amam Putin

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A Tempo e a Desmodo - As raparigas que amam Putin

Este livro faz aquilo que um ensaio deve fazer: retira qualquer coisa ao leitor, arranca-lhe uma certeza, uma ilusão. Todos nós gostamos de imaginar que a relação entre ditadores e população só pode ser mantida através do poder coercivo do Estado. Na Rússia, por exemplo, a nossa boa consciência assume que Putin só está na sua torre blindada por causa do petróleo, da censura e dos ex-KGB armados com 605 forte.  Em "A Mística de Putin" (Quetzal), Anna Arutunyan conta-nos uma história diferente: grande parte dos russos aprecia Putin, a maioria dos russos gosta da forma como ele está a encenar a glória da velha Rússia.

 

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Será que "Homeland" é racista?

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Uma autora do "Washington Post" chamada Laura Durkay afirma que a série "Homeland" é preconceituosa e, pecado dos pecados, islamofóbica. A tese revela a típica precipitação das almas sensíveis que não vêem um palmo à frente da sua generosidade. Com presença habitual na "Gay City News" e "Socialist Worker", a autora diz que "Homeland" espalha preconceitos sobre o Médio Oriente, visto que mostra muçulmanos comprometidos com a causa terrorista e com esse desporto olímpico chamado apedrejamento de mulheres. A minha pergunta é só uma: existem ou não existem terroristas muçulmanos? 

 

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Salgado e Bava: o capitalismo queque

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Há capitalismo, há capitalismo de estado, há capitalismo-mafioso e depois há o capitalismo queque aqui da aldeia. Bava foi afastado da Oi porque colocou a PT ao serviço de uma solidariedade queque que é a negação da racionalidade do mercado. Quando permitiu que a PT investisse mais de 900 milhões no Titanic chamado Grupo Espírito Santo, Bava desrespeitou os accionistas, os trabalhadores e os clientes da empresa. Bava ajudou o ícone da direita social através de um acto de gestão inconcebível. Mas, verdade seja dita, esta direita também é inconcebível.

 

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Um filme chunga que explica a China

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O filme até está no catálogo da SIC: dá pelo nome de "Fearless" (2006), foi realizado por Ronny Yu, um Michael Bay oriental, e é protagonizado por Jet Li. A narrativa coloca-nos no final do século XIX na China enfraquecida pelas Guerras do Ópio. Uma série de potências ocidentais têm zonas de influência no território chinês. O velho e orgulhoso Império do Meio está a ser retalhado como um vestido de chita. Com o objectivo de humilhar ainda mais os chineses, as potências ocupantes lançam um torneio de pancadaria. Cada nação tem de enviar o seu guerreiro mais poderoso. Perante os brutamontes ocidentais, os franganitos chineses estão tramados, não é? Não, não é. Os chineses respondem com a pureza espiritual das suas artes marciais. O herói Huo Yuanjia (1869-1910), qual Chuck Norris de olhos amendoados, derrota os lutadores ocidentais e o samurai japonês, o mais odiado de todos. O filme é para lá de chungoso, transforma o "Fúria Destruidora" de Van Damme numa peça de autor, mas é muito útil para compreendermos a psique chinesa.

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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