6 de março de 2015
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Costa e a 'dentada de som'

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Não tenho pena, confesso, do clamor que se levantou contra António Costa e as suas declarações aos chineses. Quem por sound bites (literalmente 'dentada de som') vive, por sound bites morre. Do que tenho pena é de que a política não passe disto.

 

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TINA e o menor dos males

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Tenho ouvido muita gente dizer que uma das vantagens da vitória do Syriza está no facto de se acabar com a ideia do TINA (sigla inglesa para There is no alternative, ou seja, não há alternativa). Ora, correndo o risco de parecer descentrado ou tolo, eu penso que quando se afirma que não existe alternativa se subentende que não há alternativa melhor, e não que não há alternativa de todo. Por isso, quem afirma que há alternativa tem o dever de apresentar não um conjunto de facilidades que podem resvalar para o desastre, mas algo construtivo e sério. 

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Hoje sou adepto de Keynes

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Não foi o meu camarada (assim se chamavam os jornalistas) Nicolau Santos que me convenceu. Foi Vítor Gaspar, num texto que escreveu, a lembrar-me que também tenho algo de keynesiano. O texto cita uma frase do economista referida por Samuelson e por Huntington, que diz mais ou menos isto: "Quando os factos mudam, ?eu mudo a minha opinião. ?E o senhor o que faz?" 

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Marques Vidal

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Apesar da leveza, a série "Blue Bloods" tem uma mensagem complexa: a ética em estado puro só existe em Deus; o comum dos mortais precisa da família para ser ético. A protagonista desta série de Mitchell Burgess é uma família nova-iorquina de origem irlandesa e republicana - os Reagan. Apesar de serem conservadores, servem o Estado, ou melhor, o Estado de direito. O avô Henry foi comissário da polícia, o pai Frank (Tom Selleck) é o comissário da polícia, os filhos Jamie e Danny são polícias e a filha Erin é procuradora. Ao longo dos episódios, percebemos que Jamie e Danny procuram ser bons polícias devido ao peso desta dinastia e não por causa dos códigos legais. O mesmo se passa com Erin: a sua dignidade enquanto procuradora é imposta pela família; se pisar o risco, ela sabe que o seu principal medo não será o rosto da lei, mas sim o rosto do avô que tem de enfrentar todos os domingos. De resto, todos os episódios acabam no almoço familiar de domingo, um ritual que coloca a decência a passar de cabeça em cabeça da mesma forma que o puré de batata passa de mão em mão.  

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Palavras que se revelam

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O ministro das Finanças grego disse uma frase curiosa: "O meu maior receio é transformar-me num político". Não sou especialista em ministros das Finanças, mas lembro-me de dois que disseram, mais ou menos, o mesmo: Salazar e Cavaco. 

 

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Entender, concordar e criticar

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Pode entender-se o motivo pelo qual tantos gregos votaram no Syriza. Apesar de mais de 60 por cento não o terem feito e quase metade do eleitorado se ter abstido. 

 

 

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Syriza e Podemos. Queremos?

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Muita gente, demasiada gente, anda a falar de rutura. Primeiro, à direita, os fenómenos nórdicos, o partido de Le Pen ou a Liga Norte de Itália. Mesmo no Reino Unido, embora diferente, o UKIP filia-se na necessidade de uma alteração radical da política europeia. Noutras paragens, e sem que a extrema-direita desapareça, surgiram as propostas de rutura à esquerda - o Syriza e o Podemos são os mais evidentes.

 

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Porcos, salsichas e malucos

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Vejam esta linda história: era uma vez três cordeirinhos, Prático, Cícero e Heitor. E havia um lobo mau. Não sei se estará totalmente aperfeiçoada, uma vez que um lobo mau é um preconceito. Os lobos não são maus, até fizemos, na A24, um viaduto para eles, onde por acaso acho que ainda não passou nenhum. 

 

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Contra a tribo jiadista

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Um dia, há já bastante tempo, o então cardeal-patriarca de Lisboa D. José Policarpo convidou um grupo de cronistas para com eles dialogar. Desse grupo fazia parte o também já falecido Eduardo Prado Coelho, que tinha sido meu professor e com quem mantive relações de amizade, mas distância ideológica (o que com ele, confesse-se, era fácil).

 

 

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Passos ainda pode ganhar?

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Confesso que acho pouco inteligente tentar fazer previsões para um ano como este e que ninguém me encomendou o sermão. Estas linhas são, pois, uma espécie de estupidez por conta própria, com a atenuante de desejar Bom Ano a todos. A pergunta que está no título é, no plano partidário, decisiva para 2015. 

 

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Edição Diária 17.Abr.2014

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