Habitação: spread sobe aos 8%
Os bancos estão cada vez mais exigentes na concessão de empréstimos à habitação. Além disso, quem já contraiu crédito para a compra de casa assiste a um endurecimento das condições, com a banca a subir os spreads para valores recorde.
Desde há cerca de três anos, altura da eclosão da crise financeira, os spreads no crédito à habitação não param de subir. De uma média de 1%, os spreads situam-se agora na casa dos 6%.
Recentemente, foram seis os bancos que aumentaram os spreads em Portugal: Santander, Montepio, Barclays, Banif, Crédito Agrícola e o Deutsche Bank, escreve o "Diário Económico". O Banif está a cobrar o spread mais alto (7,95%) aos clientes de maior risco no crédito à habitação, acrescenta o jornal.
Para João Fernandes, economista da Deco ProTeste, com a atual dificuldade no acesso ao crédito é normal que os spreads sejam elevados. No entanto, o especialista não recomenda que as pessoas recorram a empréstimos nestas condições.
"Um spread acima de 3% parece-nos inviável, não vale a pena recorrer ao crédito nesta situação. As pessoas vão assumir riscos enormes e no futuro poderão ter dificuldade em pagar o empréstimo", diz João Fernandes.
Além disso, o economista sublinha que o spread é só uma componente das taxas de juro, havendo também um indexante e que a soma dos dois assumirá ainda maiores proporções.
Travão à subida dos spreads
João Fernandes lembra ainda que poderá ser proposto aos clientes a subscrição de outros produtos como forma de baixar o spread, mas neste caso é necessário ver a sua utilidade, porque o custo da subscrição pode não compensar a descida do spread.
"Convém estarmos atentos à taxa anual efetiva revista (TAER), que mede as vantagens e as desvantagens do ponto de vista financeiro da subscrição desses produtos adicionais",acrescenta.
Questionado sobre eventuais restrições à subida dos spreads, João Fernandes afirma que embora existam restrições ao nível do Código Civil estas não são aplicadas no crédito à habitação, apenas no crédito ao consumo, que impede a fixação de limites arbitrários. No futuro, defende o especialista, poderá haver nesta área uma solução semelhante à do crédito ao consumo.
O economista da DECO é peremptório: "Se a escalada dos spreads continuar sem um travão, estes tornar-se-ão insustentáveis para o consumidor, havendo necessidade de um legislador intervir para tirar alguma margem de manobra à escalada selvática dos preços do crédito à habitação."



O Banif está a cobrar um spread de7,95% aos clientes de maior risco no crédito à habitação
