O reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Nóvoa, considerou hoje "absurdo" o número de instituições de ensino superior público existentes no país, apelando a uma reorganização urgente da rede e à fusão de algumas universidades e institutos politécnicos.
"Esta malha de instituições públicas - 15 universidades e 15 politécnicos - num país com dez milhões de habitantes é absurda. E mais absurda ainda é a situação em Lisboa", afirmou António Nóvoa, no discurso de abertura do novo ano académico, referindo-se à existência de três universidades públicas na capital.
Para conseguir ter uma universidade de referência no plano internacional, Lisboa tem de seguir o mesmo caminho de cidades como Nova Iorque, Amesterdão, Barcelona ou Londres, "juntando instituições universitárias e politécnicas, juntando universidades e laboratórios de investigação e criando dimensão e massa crítica", defendeu.
"A reorganização da rede e a integração de instituições é o único caminho de futuro (...) A criação na cidade de Lisboa de uma universidade de referência no plano internacional deve ser o nosso sonho e o compromisso da nossa geração", afirmou António Nóvoa.
Na sessão solene realizada hoje na UL, o reitor apelou ainda a um reforço do financiamento directo das instituições, considerando que seria "um erro de graves consequências" se o esforço de investimento na ciência "fosse feito à custa do ensino superior".
Neste sentido, Nóvoa congratulou-se com a intenção anunciada este mês pelo Governo - numa carta enviada aos reitores - de estabelecer um contrato de confiança com o ensino superior, semelhante ao actualmente existente para a ciência, e aumentar o nível de financiamentio global directo".