23 de abril de 2014 às 12:07
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Há miséria, roubos, corrupção? Ao menos proiba-se as mulheres de usarem minisaia

Luis M. Faria
Suryadharma, guardião da fé (e inimigo dos resfriados) Suryadharma, guardião da fé (e inimigo dos resfriados)

Os casos de corrupção surgem em jato, ameaçando os políticos no poder. Sobe inexoravelmente o custo de vida, com gasolina e outros bens essenciais cada vez mais inacessíveis ao cidadão médio. O escândalo e o caos andam de mãos dadas. Perante este cenário, que faz o governo? Ataca as mini-saias. Parece bizarro, mas é o que sucede na Indonésia, como aliás em vários outros países. A moralidade, já em tempos dizia um sábio, é a arma dos patifes. Na Indonésia, maior país islâmico do mundo, essa jogada tem eficácia garantida. O presidente Yudhoyono acaba de encomendar ao seu ministro dos assuntos religiosos, um tal Suryadharma, uma campanha anti-pornografia que se pretende muito ampla. O objectivo final, tão nobre de aspeto como impossível, é extinguir finalmente no país o deplorado flagelo. A incluir na definição de pornografia fica tudo o que sejam roupas (femininas, claro) acima do joelho. Porque todos sabemos, diz um porta-voz parlamentar, aquilo que as roupas provocadoras levam os homens a fazer. São culpa das mulheres, conclui-se, os milhares de violações que acontecem no arquipélago. O dito ministério por acaso é o mais rico do governo, e enfrenta ele próprio um escândalo com o desaparecimento de milhões de dólares referentes aos juros do dinheiro adiantado por candidatos à peregrinação a Meca. Mas a autoridade do ministro não terá ficado comprometida. Afinal, o que são uns milhões entre fiéis de pureza segura? Desde que ninguém faça a viagem em mini-saia...

Comentários 1 Comentar
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Re: Corrupção, caos, mau governo? O remédio é fáci
Claro! Claríssimo!
Ele tem razão!

Quando cheguei da Idade Média, deparei-me com este espectáculo da mini-saia. Estávamos nos anos 60 e tal.
Ia com um amigo meu, Inquisidor Menor, subindo a Av. da Liberdade.
Vinha uma bela de mini-saia, de colunas bem torneadas, e eu, de olhos presos menos no que via do que naquilo que não via, estatelei-me contra um post de iluminação e, com muito pena minha, parti os óculos.
O meu Inquisidor Menor proclamou alto e bom som:
- Elas estão mesmo a pedir para serem violadas!

Ainda hoje lamento o ter partido os óculos!
Sou profundamente míope, sabem?!
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