Lisboa, 04 Mar (Lusa) - O ex-Presidente guineense Kumba Ialá, derrubado em 2003 por um golpe de estado perpetrado por militares, disse hoje à Lusa que acompanha o que está a passar na Guiné-Bissau com "pena".
"É uma pena. É uma pena. É por causa disso que eu, no quadro do meu partido (Partido da Renovação Social), defendemos uma política de não-violência. Qualquer que sejam as questões a resolver temos que priorizar o diálogo, a tolerância, sempre no quadro da paz para procurar uma solução paciífica, para resolvermos os problemas", disse Kumba Ialá, contactado telefonicamente em Dacar, onde se encontra há uma semana.
Nas primeiras declarações do político guineense, desde os atentados que vitimaram o Presidente "Nino" Vieira e o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armas, Tagmé Na Waié, Kumba Ialá disse estar "disponível" para contribuir para a unidade do país.
"Eu não vou abandonar o meu pais. Estou disponível para dar a minha prestação dentro do espírito de unidade nacional para benefício do país", frisou.
Kumba Ialá (que se converteu recentemente ao Islão e mudou o nome para Mohamed Ialá) não foi claro sobre os seus projectos políticos, nomeadamente se tenciona apresentar-se às próximas presidenciais, que se deverão realizar dentro de 60 dias,
"É uma questão que dependerá do partido e também da minha vontade, porque não posso estar todo o tempo a aparecer nas eleições e ser roubado na presença de todas as pessoas", referindo-se às últimas eleições legislativas, em Novembro passado, quando o PRS sofreu uma derrota para o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, que garantiu a maioria qualificada.
EL.
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