25/05/2012 atualizado às 19:06

Guiné-Bissau: Ex-ministro Francisco Fadul diz que eleitores estão perante "um dilema"

Lisboa, 04 Jul (Lusa) - O ex-ministro da Guiné-Bissau Francisco Fadul disse hoje que os eleitores estão perante "um dilema" entre os dois candidatos às presidenciais, mostrando-se pouco confiante numa mudança do país enquanto os actuais políticos se mantiverem no poder.

18:49 Sábado, 4 de julho de 2009

Lisboa, 04 Jul (Lusa) - O ex-ministro da Guiné-Bissau Francisco Fadul disse hoje que os eleitores estão perante "um dilema" entre os dois candidatos às presidenciais, mostrando-se pouco confiante numa mudança do país enquanto os actuais políticos se mantiverem no poder.

"A mudança será pouca. Para os eleitores, estas eleições são um dilema", disse à agência Lusa disse o antigo ministro de um governo de unidade nacional Francisco José Fadul, referindo-se à escolha entre Malam Bacai Sanhá, candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Kumba Ialá, apoiado pelo Partido de Renovação Social (PRS), que vão disputar a segunda volta das presidenciais.

Francisco José Fadul sublinhou que "um dos candidatos já declarou que vai manter as chefias militares inconstitucionais e ilegalmente nomeadas", o que, defende "quer dizer que não terá voz própria no processo institutcional do país".

"Além disso, é conhecida a sua subserviência ao primeiro-ministro e a sua filosofia pessoal redutora do Estado ao PAIGC, como nos tempos do Partido do Estado, o que não deixará de gerar reacções organizadas ou não, de ordem política ou não", disse o antigo-ministro, líder do Partido para a Democracia Desenvolvimento e Cidadania (PADEC).

Quanto ao candidato do PRS, Francisco José Fadul salientou que "ninguém ignora que tem fortes influências no meio militar", facto que lhe confere "maiores possibilidades de gerir o actual contexto político-militar, se quiser desta vez ater-se aos princípios da legalidade democrática".

O antigo ministro disse acreditar que a "evolução da Guiné Bissau acontecerá, quer os actores políticos queriram quer não" e sublinhou que o país "não pode eximir-se ao direito internacional, sob pena de ser relegado para um canto".

Contudo, acrescentou, que "com os actuais actores políticos, a transformação vai demorar, na medida em que o próprio Estado - que poderia ter valor privilegiado nessa evolução - está refém desses actores que lhe retiram toda a eficácia e capacidade de regulação societal".

Francisco José Fadul defendeu ainda que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) terá um "papel crescente" e disse ter "fé pessoal" de que o espaço lusófono poderá criar "mecanismos que estimulem boa governação, democracia, cidadania e desenvolvimento e penalizem as posturas contrárias por parte dos estados-membros".

Francisco Fadul foi primeiro-ministro de um governo de unidade nacional, de Dezembro de 1998 a Fevereiro de 2000.

Segundo anunciou hoje a Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, a segunda volta das eleições presidenciais no país está marcada a para 26 de Julho.

Os resultados eleitorais, anunciados quinta-feira, "não sofreram qualquer contestação", contando Malam Bacai Sanhá com 39,59 por centos dos votos, e Kumba Ialá, com 39,42 por cento.

A Guiné-Bissau está a realizar eleições presidenciais antecipadas na sequência do assassínio do Presidente "Nino" Vieira, a 02 de Março, horas depois dos chefe das Forças Armadas ter sido morto num ataque à bomba.

JMG/MSE.

Lusa/Fim

Lusa
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dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 1:41 | Domingo, 5 de julho de 2009
... na Guiné, uma herança bem mais forte do que pensávamos.
 
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