A procura de cuidados de saúde nos três maiores grupos privados cresceu mais de dois dígitos durante o primeiro semestre deste ano, comparando com os primeiros seis meses do ano passado.
De acordo com os dados da actividade assistencial da José de Mello Saúde, Espírito Santo Saúde e Hospitais Privados de Portugal, fornecidos à agência Lusa, o crescimento esteve, em todos os casos, bem acima dos 10% (exceptuando os internamentos nos hospitais da CUF, que subiram apenas 3,5% face aos primeiros seis meses do ano passado).
O grupo HPP Saúde, da Caixa Geral de Depósitos, registou no primeiro semestre um aumento da facturação de 130% para 67 milhões de euros e espera terminar o ano com um volume de negócios de 130 milhões de euros, o que representa um crescimento superior a 115% relativamente ao ano passado.
O administrador financeiro da HPP Saúde, Jorge Morgado, afirmou à Lusa que os resultados se devem a um aumento exponencial da actividade em todas as linhas de produção: o número de consultas aumentou 101% no primeiro semestre face ao período homólogo; no bloco operatório o aumento das intervenções foi de 67%; na imagiologia foi de 124% e os internamentos registaram uma subida de 270%.
Segundo o administrador, o Hospital dos Lusíadas está a "crescer substancialmente em volume de negócios" e o grupo "está a crescer todos os meses em termos de performance". Nestes hospitais da HPP, "mais ou menos 25% dos clientes são particulares e os 75% restantes são [detentores de] seguros de saúde", especificou.
O volume de negócios do grupo Espírito Santo Saúde subiu, no primeiro semestre, 17% para 107 milhões de euros. "Só no Hospital da Luz, o crescimento da facturação foi 30%", referiu à Lusa a presidente da Espírito Santo Saúde, Isabel Vaz.
A actividade assistencial do grupo cresceu cerca de 17%, com 405 mil consultas feitas no primeiro semestre. O número de urgências chegou a 142 mil e este grupo privado fez cerca de 16 mil cirurgias. Em 2008, a facturação do grupo foi de 187,6 milhões de euros.
A presidente do grupo afirmou à Lusa estar "muito satisfeita" com os resultados, considerando que os hospitais da ESS "têm muita procura porque garantimos a confiança dos doentes nos nossos serviços".
Questionada sobre a eventual influência da crise económica na actividade da saúde privada, Isabel Vaz rejeitou essa ideia: "A vida corre-nos bem", disse, salientando que também nos seguros de saúde a procura aumentou. "Toda a actividade relacionada com os seguros privados de saúde continua a crescer e por isso estamos também a crescer", concluiu.
A José de Mello Saúde foi o único dos três maiores grupos de saúde que não forneceu à Lusa os dados da facturação do primeiro semestre. A organização liderada por Salvador de Mello adianta apenas que os internamentos nas suas unidades subiram 3,5% para 11.360 no primeiro semestre. A José de Mello saúde, que detém os Hospitais Cuf, aumentou ainda as consultas em 27,5% para 328.667, e as urgências em 23,9% para 102.337. O número de doentes operados subiu 16,1% para 11.061 no primeiro semestre.