Três carrinhas do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais entraram hoje à tarde no Estabelecimento Prisional de Coimbra, onde decorre um "motim", como disse um preso, mas o Ministério da Justiça garante que a "a situação está sob controlo".
Uma carrinha chegou às 15:17, outra às 15:20 e mais outra às 15:47, como constatou a agência Lusa no local.
Mais tarde, às 16:40, entrou no perímetro prisional uma viatura dos Sapadores Bombeiros de Coimbra transportando uma lona insufável geralmente utilizada para amortecimento de saltos.
Uma responsável do Estabelecimento Prisional de Coimbra, onde se registou hoje uma revolta de presos e não foram permitidas visitas, veio à porta da cadeia dizer aos familiares dos reclusos que "está tudo bem" e que "não há mais incidentes".
"Sábado haverá visitas e as saídas precárias previstas para hoje vão concretizar-se", adiantou a mesma responsável, que não se identificou.
Questionada pelos jornalistas sobre que "incidentes" se registaram hoje no estabelecimento Prisional de Coimbra, a responsável não quis responder.
Pouco depois saiu um preso em precária, que se limitou a dizer aos jornalistas que "foi um problema com um rapaz", acrescentando que "o ambiente está calmo" na cadeia.
Uma viatura dos Sapadores Bombeiros de Coimbra, que tinha transportado para a cadeia uma lona insuflável geralmente utilizada para amortecimento de saltos, abandonou depois o perímetro prisional.
Fonte oficial do Ministério da Justiça disse à agência Lusa que "a situação está sob controlo" e que os elementos do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais que se deslocaram ao Estabelecimento Prisional de Coimbra não chegaram a intervir, porque "não foi necessário".
Uma mulher que recebeu um telefonema do marido que está preso tinha referido à agência Lusa que este disse que "os reclusos se revoltaram por não ter sido autorizada a saída precária de um dos reclusos", versão confirmada pela fonte do Ministério da Justiça.
"Ele contava sair e o director da cadeia não assinou", disse a mulher, citando o marido, que terá dito que estava "a decorrer um motim, com a revolta dos reclusos, em solidariedade com o colega" que não foi autorizado a sair.
A fonte do Ministério da Justiça disse à Lusa que "alguns indivíduos recusaram-se a entrar nas celas", mas que "a situação está sob controlo".
A mulher disse também à Lusa que o marido disse que "há um preso ferido, o que era para sair em precária".
Uma outra fonte prisional explicou que os reclusos protestaram também contra a falta de qualidade da alimentação e dos cuidados médicos que são prestados no Estabelecimento Prisional de Coimbra.
O caso já foi objeto de uma exposição à Provedoria de Justiça, mas a situação não foi até agora alterada, acrescentou a mesma fonte.
Na sequência desta situação, não foram autorizadas hoje visitas no Estabelecimento Prisional de Coimbra, que decorrem normalmente entre as 14:30 e as 16:00, o que a fonte do Ministério da Justiça justificou por "uma razão de segurança".
Familiares de presos que se encontravam à porta da prisão desmobilizaram entretanto e os elementos do Corpo de Intervenção também abandonaram o local.
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico***
Nota da Direcção do Expresso