O Estado português vai permitir e comparticipar a venda da vacina pandémica nas farmácias. A garantia foi dada ao Expresso pelo director-geral da Saúde, Francisco George. No entanto, o acesso alargado só deverá acontecer depois de "Dezembro ou Janeiro", quando serão vacinados, gratuitamente, os três milhões de portugueses incluídos nos grupos prioritários.
Os cinco laboratórios encarregues da produção para todo o mundo estão autorizados no mercado nacional há vários anos e já iniciaram as negociações com o Ministério da Saúde. O objectivo é assegurar a totalidade da encomenda 'a tempo e horas' e com um custo reduzido. Contactados pelo Expresso, os laboratórios admitem que os preços deverão ser semelhantes aos da vacina para gripe sazonal, ou seja, a rondar os €10.
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O valor é a referência à saída do laboratório, mas deverá ser inferior para a factura pública. Como acontece com todos os medicamentos, vão seguir-se reduções em função das quantidades e da própria comparticipação do Estado. Todos os países estão a negociar, mas a Organização Mundial da Saúde já se antecipou a eventuais favorecimentos, por exemplo, dos países que vão dar mais lucros às farmacêuticas. "Houve um pré-acordo para que a vacina seja disponibilizada no mercado ao mesmo tempo. Mas, só os EUA já reservaram, e pagaram, 80 milhões de doses e vão aumentar para 600 milhões de vacinas", salienta o coordenador do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Ricardo Jorge, Jaime Nina.
Os especialistas nacionais são unânimes em afirmar que se vive uma corrida contra o tempo, pois a pandemia vai chegar três meses antes da vacina. Ainda assim, nada está perdido. A população doente terá acesso a antivirais - também à venda nas farmácias -, e a maioria dos casos pouco graves poderá até dispensar este tipo de tratamento.
"Mais de 90% dos que vão adoecer não necessitarão de cuidados especializados, ou seja, de serem hospitalizados. Poderão ficar em casa orientados por telefone. Serão cenários semelhantes aos dos anos com maior actividade gripal no Inverno", salienta Francisco George. Por exemplo, no último Inverno, 700 mil pessoas adoeceram com gripe sazonal.
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| Como se produz a vacina
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Texto publicado na edição do Expresso de 11 de Julho de 2009