Gripe A pode causar prejuízo de €740 milhões em Portugal
As faltas nas empresas devido à gripe A
poderá provocar uma quebra do Produto Interno Bruto (PIB) nacional entre os 0,3 e os 0,45%. (Veja vídeo SIC no final do texto)
O estudo sugere que as empresas promovam programas de combate à propagação do vírus
Nuno Botelho
O absentismo laboral que a gripe A (H1N1) vai provocar em Portugal poderá originar uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) português entre os 0,3 e os 0,45%, entre 490 e 740 milhões de euros.
A estimativa consta de um estudo realizado pela Deloitte, em colaboração com a Intelligent Life Solutions, hoje divulgado.
De acordo com a mesma projecção, os custos da pandemia para o Estado estão estimados em 330 a 500 milhões de euros, contabilizando perdas de IRS, contribuições para a Segurança Social e subsídio de doença. De fora destes cálculos estão os valores referentes a eventuais situações de quarentena.
Segundo Filipe Simões de Almeida, sócio da Deloitte, as projecções tiveram em conta indicadores da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Instituto Nacional de Estatística (INE) e a legislação nacional aplicável.
Os valores estimados "embora significativos, são relativamente reduzidos para a economia portuguesa", acrescentou, advertindo, porém, para efeitos particularmente mais graves nas empresas.
A gripe A tem efeitos ao nível dos quadros de pessoal evidenciado, por isso, contornos diferentes dos problemas com que as empresas portuguesas estão habituadas a lidar, referiu Filipe Simões de Almeida.
Pelo que a Deloitte conhece, o tecido empresarial português "especialmente as pequenas e médias empresas (PME's) não está preparado para enfrentar a pandemia", advertiu, destacando o seu eventual impacto em termos de garantia de funcionamento e de satisfação de encomendas.
"As empresas têm de ser preparar face a um maior absentismo e por um período maior de tempo", declarou Simões de Almeida.
O estudo hoje apresentado admite como consequências da pandemia um crescimento das entregas ao domicílio e das encomendas através da Internet e a possibilidade de sobrecarga das estruturas de comunicação em resultado de um crescimento do teletrabalho.
Para as pequenas empresas a gripe poderá determinar a impossibilidade de satisfação de encomendas e consequente perda de clientes e a interrupção temporária de actividade, refere.
Com vista a prevenir esse tipo de situações, o estudo propõe que as empresas promovam programas de combate à propagação do vírus e estabeleçam prioridades no que aos seus clientes e fornecedores respeita.