Depois das greves dos pilotos da Portugália (PGA) e dos trabalhadores de terra, a operação dos aeroportos portugueses será novamente afectada na quinta e sexta-feira, desta vez pela paralisação dos pilotos da TAP. A greve dos pilotos terá início às 00h00 de quinta-feira e prolongar-se-á até à meia-noite de sexta-feira.
A TAP, que admite que a paralisação deverá custar 10 milhões de euros aos cofres da companhia, reconhece que a greve "vai perturbar seriamente a operação" da transportadora, "prejudicando os passageiros com voos marcados".
Com o objectivo de atenuar o impacto da greve, a TAP vai fretar aviões de outras companhias aéreas para assegurar a realização dos voos de longo curso, tendo já garantidos serviços mínimos que asseguram as ligações entre o Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Assegurados estão ainda os voos entre Lisboa e Luanda nos dois dias de greve, bem como os voos para o Luxemburgo na sexta-feira.
Os passageiros da TAP poderão também alterar as reservas das suas viagens para outros dias.
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), que convocou a paralisação, considera que a decisão da TAP de fretar aviões é ilegal e lembra que em 2007 (última greve dos pilotos) a utilização deste recurso motivou uma participação crime da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).
Os pilotos da TAP decidiram avançar com a greve devido ao "impasse" no processo de revisão do Acordo de Empresa e ao "descontentamento" com a gestão do presidente-executivo da transportadora, Fernando Pinto.
Fonte oficial da TAP disse à agência Lusa que a totalidade das reivindicações dos "800 pilotos" da companhia representa "um aumento de encargos de 11,5 milhões de euros". A TAP encerrou o primeiro semestre com prejuízos de 72,4 milhões de euros.
Contas feitas, dividindo os 11,5 milhões de euros pelos 800 pilotos, cada piloto receberia por mês mais 1.026 euros (12 salários acrescidos de subsídio de férias e Natal).
Números que o sindicato contesta, afirmando que "o que está em causa é um aumento de 9,3% da massa salarial bruta, cuja média irá dar, em termos brutos, 600 euros, uma quantia sujeita a descontos".
Segundo o SPAC, os pilotos da TAP possuem o quinto nível salarial mais baixo em Portugal, atrás de outras companhias aéreas como a EasyJet, a Ryanair e a SATA.
Os pilotos paralisaram pela última vez em Outubro de 2007, numa greve nacional que originou o cancelamento de 65 voos e prejuízos de um milhão de euros para a transportadora liderada por Fernando Pinto.