A adesão à greve de hoje da função pública rondava, cerca das 10h, os 80% na região Norte, ficando os efeitos "um pouco" aquém do esperado pelos sindicatosdevido à alegada substituição de grevistas por funcionários precários.
"Esperávamos, sinceramente, que houvesse um pouco mais (de adesão), nomeadamente no que diz respeito ao encerramento de balcões e serviços", afirmou o vice secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP, filiado na UGT), José Abraão, em declarações à Agência Lusa.
Segundo o dirigente sindical, o protesto só não está a ter mais impacto "porque há, nomeadamente nos centros de saúde, trabalhadores a ser substituídos por outros em regime de outsourcing e de prestação de serviços, que, por estarem em situação precária, não têm condições para fazer greve".
Acusação de ilegalidades
"Há serviços que não estão encerrados mas deviam estar, porque as pessoas que lá estão não têm competências para a prestação de serviços e está a cometer-se uma ilegalidade", corrobora Artur Monteiro, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte (STFPN, afeto à CGTP).
Em declarações à Lusa, o sindicalista aponta o caso de várias escolas no Porto, que "só não estão encerradas devido aos trabalhadores desempregados dos serviços de emprego, que deviam estar a fazer serviços cívicos".
Ainda assim, o SINTAP destaca o "encerramento de alguns tribunais e escolas no Porto, Vila Real, Braga e Viana do Castelo" e a forte adesão no sector da recolha do lixo e nos Transportes Urbanos de Braga (nestes últimos a greve ultrapassará os 95%, paralisando a maioria das carreiras de autocarro).
No Porto, o STFPN dá conta de "mais de duas dezenas de escolas sem aulas", do encerramento dos serviços informativos da Segurança Social em Miguel Bombarda e, na Loja do Cidadão, do fecho do registo automóvel e do funcionamento de todos os restantes serviços "a meio gás".
Hospitais limitados
"As finanças de Amarante também estão encerradas e, nos hospitais, o Padre Américo (em Penafiel) está sem consultas externas e com os serviços de raio x e os blocos operatórios encerrados, enquanto o Hospital de Gaia regista uma "adesão de 70 a 80% na maioria dos serviços e o Hospital de Matosinhos tem alguns serviços fechados".
A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Frente Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado marcaram esta greve contra o congelamento salarial, o agravamento das penalizações das reformas antecipadas, questões relacionadas com as carreiras e com o sistema de avaliação.
Os sindicatos suspenderam a paralisação na região autónoma da Madeira para facilitar os esforços que estão a ser feitos para que a vida na ilha volte à normalidade, após o temporal de 20 de fevereiro.
A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 30 de novembro de 2007, contra a imposição de um aumento salarial de 2,1%.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo Ortográfico, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.