| Clique para saber tudo o que se passa na Europa
|
|
Talvez já esteja farto da crise grega e o mesmo se passa com os políticos importantes da Europa. Sem dúvida, pensa que os problemas gregos são de natureza financeira: falta de competitividade, dívida e défices gigantescos, um setor público improdutivo. Tem razão, mas essa é só a parte visível do icebergue.
O cerne do problema reside, primeiro, na anarquia e no mau funcionamento da justiça, depois, na existência de um sistema de clientelismo baseado em favores políticos, na troca de favores, na corrupção e num aparelho burocrático monstruoso que serve apenas os seus próprios interesses, que esmaga o espírito empreendedor e põe à prova a população grega. Este estado de coisas trava as melhorias no sistema financeiro.
Desde o início da crise grega que ficou evidente que a classe política grega iria continuar a luta para manter em vigor este sistema de clientelismo, em que os beneficiários fazem parte do setor público, dos sindicatos e, sobretudo, do setor privado financiado pelo Estado. Na Grécia, o contrato social em vigor desde há 35 anos (ou mais) repousa no princípio segundo o qual um cidadão vota num certo partido em troca de um emprego na função pública (para a arraia-miúda) ou de um contrato público de montante exageradamente elevado (para os peixes graúdos).