18 de maio de 2013 às 23:00
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Grécia: novo ministro das Finanças é "um trunfo"

"Os mercados financeiros respeitam Stournaras", afirma Efthimia Efthimiou, especialista da revista grega "Capital". Yannis Stournaras, o indigitado ministro das Finanças, é conhecido como o "Senhor Euro". Não se sabe ainda se estará na cimeira europeia que começa amanhã.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Yannis Stournaras foi indigitado ministro das Finanças do novo governo grego, depois da primeira escolha, Vassilis Rapanos, ter adoecido e, segundo alguns jornais gregos, estar em discordância com o elenco do novo governo e com a plataforma de renegociação com a troika. Ainda não está confirmado que tome posse a tempo de se deslocar na delegação grega à cimeira chefiada pelo presidente da República Karolos Papoulias.

"Os mercados financeiros respeitam Stournaras", diz ao Expresso Efthimia Efthimiou, especialista da revista grega "Capital", e uma das intervenientes mais ativas no twitter ao longo da crise grega. Yannis é considerado um trunfo nas negociações com a troika e para tranquilizar os mercados financeiros. Com 55 anos, o novo ministro é professor de Economia da Universidade de Atenas e diretor da Fundação para a Investigação Industrial e Económica (IOBE), um think tank ligado à Confederação da Indústria Helénica. Doutorado no Reino Unido tem sido um dos defensores mais activos de um processo de reformas estruturais na Grécia. No seu currículo conta o facto de ter chefiado as negociações para a entrada da Grécia na União Monetária e Económica nos anos 1990 e adopção do euro em 2001. Por isso é alcunhado como o "Senhor Euro".

Recentemente, foi ministro de Desenvolvimento no último governo grego, de gestão, que conduziu às eleições legislativas antecipadas de 17 de junho. Foi, também, diretor-geral do Emporiki Bank, que acabaria por ser vendido ao Crédit Agricole francês.

Os pontos de renegociação


A renegociação do Memorando de Entendimento (MoU) com a troika é a sua missão imediata e decisiva. "O governo grego tem uma tarefa muito difícil pela frente. Os líderes dos três partidos [Nova Democracia, que ganhou as eleições por 170 mil votos, o PASOK e a Esquerda Democrática] que suportam o novo governo prometeram, nas suas campanhas eleitorais, que tentarão renegociar as medidas dolorosas [do MoU] sem colocarem em risco a participação do país como membro da União Europeia e a permanência no euro", sublinha Efthimia Efthimiou. Um falhanço nesta missão pode ser fatal para o novo governo, saído de umas eleições muito polarizadas entre os dois partidos mais votados (Nova Democracia e Syriza) e com um parlamento fragmentado. Mais de metade dos votos expressos em urnas no dia 17 de junho pronunciou-se contra o MoU.

De acordo com o documento de políticas dos três partidos apoiantes do novo governo, a plataforma de negociação com a troika tem os seguintes pontos fundamentais:  regresso dos acordos colectivos de trabalho; um teto para as obrigações fiscais individuais; a recapitalização do Banco da Agricultura; a expansão e extensão do sistema de subsídios de desemprego; alterações fiscais, como a baixa do IVA de 23% para 13% na área alimentar; benefícios aos mais afetados pela crise (reformados e famílias numerosas), substituição do imposto sobre propriedades; congelamento dos despedimentos na função pública; extensão por mais dois anos do período de ajustamento do défice orçamental até 3%, ou seja até 2016; ligação do plano de privatizações a uma estratégia de crescimento económico.

O presidente grego será portador de uma carta do primeiro-ministro hospitalizado em que apela à cimeira que se inicia amanhã para que "a Europa responda ao povo grego". Subentende-se positivamente.

Panorama económico sombrio

O Centro de Planeamento e Investigação Económica (KEPE) adiantou a previsão de uma nova recessão este ano implicando uma contração do PIB grego em 6,7%, com um terceiro trimestre particularmente dramático, em que se estima que haja uma contração de 9,14%.

O filme da depressão prolongada da economia grega é elucidativo: de uma queda ligeira de 0,16% em 2008, para uma contração de 3,25% em 2009, de 3,52% em 2010, e de 7% em 2011.

Em termos acumulados, as perdas em relação à tendência do PIB antes do início da crise, somam 43% (para o caso português, como comparação, terão sido de 37%). Os custos orçamentais já vão em 27,3% do PIB e o aumento da dívida soberana em relação ao PIB disparou 44,5 pontos percentuais, segundo o estudo de Luc Laeven e Fabián Valencia, publicado esta semana pelo Fundo Monetário Internacional, intitulado "Systemic banking crises database: an update". Mais grave, até à data, é o balanço para a Irlanda e Letónia em termos relação com a tendência do PIB, com perdas acumuladas superiores a 100% nesta crise, e para a Islândia e Irlanda quanto aos custos orçamentais, que foram superiores a 40%.

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E que trunfo
É um trunfo é , e que trunfo , foi com este trunfo que a Grecia entrou no Euro com a preciosa ajuda da Goldman Sachs.
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