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Grécia não pode ser um segundo Lehman Brothers

O ministro das Finanças alemão atacou o "populismo barato" numa entrevista ao Der Spiegel. Apesar das palavras de Schauble, a especulação de que a Grécia poderá declarar default continua a alimentar o disparo do risco grego. Portugal, depois de uma alta do risco ontem, abrandou hoje.
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A Grécia é tão importante do ponto de vista sistémico como um grande banco, afirmou o ministro das Finanças alemão
A Grécia é tão importante do ponto de vista sistémico como um grande banco, afirmou o ministro das Finanças alemão / AP/Simon Dawson

"Não podemos permitir que a bancarrota de um país membro do euro como a Grécia se torne num segundo Lehman Brothers", declarou ontem o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble ao Der Spiegel, a partir de uma cama de hospital onde foi a tratamento em virtude da sua condição de paraplégico desde uma tentativa de assassinato em 1990.

Depois da teoria do "too big to fail" (TBTF) aplicada aos bancos de Wall Street e da City londrina, ou segundo outros do "too connected to fail", ter surgido aquando do início da crise financeira, o ministro alemão recuperou-a agora para o caso de risco de default em países da zona euro. "A Grécia é tão importante do ponto de vista sistémico como um grande banco", explicou. Acrescentou, para o alemão da Main Street perceber, que "ter uma Europa eficaz, tanto do ponto de vista político como económico, é a melhor forma de servir o futuro dos alemães". E ainda mais explícito: "A união monetária é mais benéfica para nós e para a nossa indústria de exportação do que para quaisquer outros".

Caixa de Pandora


A hipótese que o ministro coloca é que o deixar "cair" a Grécia - defendido por várias correntes de economistas e de políticos - provocará um ataque especulativo brutal na zona euro e um pânico financeiro nos mercados da dívida soberana, abrindo uma caixa de Pandora para o risco de defaults em série, como já ocorreu, noutras épocas.

Schauble insistiu, então, na diferença entre "apoio voluntário" por parte dos membros da zona euro a um país aflito da noção popular de "pagamento de fiança" a um país-bandido em falência e criticou o "populismo barato" que alimenta um clima que favorece a especulação financeira no mercado dos seguros de dívida, no mercado dos hoje famosos credit default swaps (cds). Explicou que, a concretizarem-se, se tratarão de empréstimos "com uma taxa de juro decente", no caso alemão através do banco estatal alemão KfW, com garantias do governo federal, algo que terá de ir ao parlamento para aprovação.

Mexer nos tratados


O ministro alemão aproveitou para discordar da ideia de um fundo europeu para ocorrer a aflitos - como havia sido proposto pelo "plano" do comissário europeu Olli Rhen na semana passada em Madrid na reunião do Ecofin - e sublinhou que outros aspectos do "plano Olli" requerem mexidas nos tratados europeus existentes. Algo que terá de ser discutido com rapidez.

Mas, apesar das palavras do ministro do "motor" da UE, a nuvem de cinzas provocou também uma vítima no mercado do crédito. O adiamento das reuniões em Atenas por parte do Fundo Monetário Internacional (cuja equipa não pôde voar para a capital grega), que deveriam ter começado ontem, mantiveram um nível de especulação elevado sobre a probabilidade daquele país membro da zona euro declarar default (incumprimento das obrigações da dívida soberana) ou avançar, até final do ano, para um reescalonamento da dívida (tema que o Financial Times pôs a circular ontem). A Bloomberg, por seu lado, noticiou, que num encontro privado com deputados, Axel Weber, presidente do Bundesbank (o banco central alemão), teria dito que a Grécia, este ano, precisará mais do que 30 mil milhões de dólares para manter a sua dívida a rolar sem entrar em default. Falou de um múltiplo.

Também a afirmação do porta-voz do governo grego, Georges Pétalotis, de que o governo do PASOK em Atenas não avançará, em 2010, com mais medidas de austeridade, pois as que existem são "hipersuficientes", inflacionou ainda mais a incerteza nos mercados de crédito. Apesar de ser uma evidência política o grau de "absorção" que a sociedade grega aguentará este ano.

Risco acima de 32%


Fruto deste aumentar da incerteza, o mercado dos cds voltou a penalizar fortemente a Grécia, que viu uma deterioração das suas condições de crédito disparar. A probabilidade de default subiu ontem aos 33,32%, mantendo a Grécia em quarto lugar no clube dos de maior risco (onde tem por colegas a Venezuela, Argentina e Paquistão). O risco baixou hoje ligeiramente, mas continua acima dos 32%, segundo os dados mais recentes da CMA DataVision.

Em termos de condições de crédito, o nível dos preços dos cds relativos à dívida soberana grega estão hoje 427 pontos base acima da referência alemã, ou seja o crédito à Grécia sofre uma penalização adicional de mais de 4% (já que cada 100 pontos base correspondem a 1% de agravamento).


Portugal com situação volátil

A deterioração das condições de crédito para Portugal voltou a agravar-se na semana passada, depois do pico na crise de Fevereiro. Esta semana a tendência altista manteve-se na segunda-feira com a probabilidade de default para o caso português a subir acima dos 16%, depois de várias declarações de economistas com projecção mundial e de artigos na imprensa internacional insistirem na ideia de que Portugal é o "próximo".

Esta marca dos 16% pode ser como uma linha Maginot que a ser ultrapassada nos coloca muito próximo de situações como as do Uruguai, Vietname e Líbano, que servem de "fronteira", de momento, entre nós e o clube dos de 10 de maior risco mundial (onde já se encontra a República Dominicana, como 10º passageiro, com um risco de 16,78%), segundo dados da CMA Datavision.

Hoje, até ao momento, o risco português desceu, estando abaixo dos 16% e dos 200 pontos base. O diferencial com o padrão alemão é de 160 pontos base, o equivalente a uma penalização de 1,6%.

Em melhor situação do que nós, no patamar dos 14-15%, estão a Roménia, Lituânia, Egipto e Guatemala. E, também, os restantes "colegas" dos PIIGS (expressão humorística pejorativa criada por alguns meios financeiros), Irlanda, Espanha e Itália. Irlanda e Itália têm agora riscos próximos na casa dos 12% e a Itália mais abaixo, no patamar dos 10%.

Entre os bancos portugueses, a CGD mantinha um nível de preço dos cds acima dos 200 pontos base.



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Risco de Dívida
O que penso nos surpreender (pelo menos à maioria) é a atitude do governo que apesar de toda esta turbulência continua forte com os seus programas de obras públicas como o TGV e o Aeroporto de Lisboa.
Significa isto que se esta a endividar para os próximos anos e décadas, chegando ao ponto de no espectro estar a bancarrota.
Mais confuso fico quando não há politicas claras quanto ao apoio à inovação, à promoção turística e cultural portuguesa no estrangeiro e redução da administração pública que continua gorda e cheia de vícios.
O retrato de Portugal a partir de quem o vê no estrangeiro não é nada abonatório e isso deveria preocupar o poder política, mas principalmente a sociedade civil que teima em não sair do estado de amnésia em que se encontra.
os restantes "colegas" dos PIIGS?
Se este tipo de expressão foi banido na europa do norte por ser considerada ofensiva para estes países, não consigo entender a necessidade do escriba, além do mais português, a utilizar.
É uma pena que alguns comentadores, por tratarem disciplinas de índole financeira, se pensem melhores que a restante população do país onde residem e vivem.
Re: os restantes
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