26/05/2012 atualizado às 0:12

Grécia em risco de reestruturação da dívida

Os gregos estão chocados com as notícias de que já se fazem avaliações sobre um "corte de cabelo" gigante, entre 40 a 70%, da dívida soberana do país. Um processo de reestruturação da dívida que parece imparável

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
8:44 Quinta feira, 14 de abril de 2011

A reestruturação da dívida grega poderá implicar um "corte de cabelo" (hair cut, na designação técnica, envolvendo uma diminuição do valor facial em dívida) de 40 a 50%, segundo o jornal alemão Die Zeit, citando hoje fontes da União Europeia. Moritz Craemer, da agência de notação Standard & Poor's, é citado, também, no jornal alemão como tendo apontado para um valor de 50 a 70% para o "corte de cabelo".

Este cenário de emagrecimento brutal da dívida soberana grega se é útil à procura de uma "estabilidade da dívida" a médio prazo, coloca os investidores à beira de um ataque de nervos.  Desde o pedido de resgate de Portugal que o risco de default  da Grécia disparou, estando próximo dos 60%. O custo dos credit default swaps (cds, seguros financeiros contra a probabilidade de incumprimento) está a atingir valores surpreendentes - hoje abriu nos 1128 pontos base, 27 vezes mais do que o custo dos mesmos seguros financeiros para a dívida alemã, que serve de referência na zona euro. Mesmo em relação ao custo dos cds para a dívida portuguesa ou irlandesa, o nível grego é cerca de 2 vezes superior. As yields (juros implícitos) dos títulos gregos no mercado secundário estão em alta e em valores proibitivos: 17% para maturidades a 2 anos; 18% para maturidades a 3 anos; 15% para maturidades a 5 anos; e 13% para maturidades a 10 anos.

Reestruturação da dívida na berlinda


Os primeiros rumores "oficiais" de que a União Europeia (UE) estuda uma hipótese de re-estruturação da dívida soberana grega, apesar da intervenção em curso de Bruxelas e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Atenas, surgiram na última reunião do Ecofin (que junta os ministros das Finanças e Economia dos 27 membros da UE) em Budapeste. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, teria levantado a questão nessa reunião e afirmou, mais tarde, ao jornal alemão Die Welt que aguardava um "estudo detalhado da Grécia a ser preparado pela Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE)". Posteriormente, a chanceler alemã Angela Merkel teria defendido uma "reestruturação voluntária" da dívida grega, apesar das complicações técnicas que levanta, segundo o analista Wolfgang Munchau.

O mal-estar na rua grega é crescente. Face a este cenário, "a Grécia não deve entrar, e muito menos liderar, esta discussão", diz-nos Jens Bastian, economista da Fundação Grega para a Política Europeia e Internacional. "O governo grego deve focar-se no seu trabalho de casa e em implementar o acordo sobre o pacote de resgate de maio do ano passado - ou seja prosseguir na consolidação orçamental, nas privatizações, incluindo venda ou leasing de propriedade fundiária, e nas reformas estruturais. Não deve afastar-se um milímetro da sua agenda", sublinha o especialista em Atenas.


Período crítico até 2013

Bastian reconhece que o processo de reestruturação está em marcha, "sobretudo em virtude do ruído que fazem os políticos alemães, finlandeses e austríacos". A barreira, até à data, tem sido o BCE e o FMI, refere o especialista, que pretendem continuar a ter fora do menu "qualquer perspetiva de reestruturações de dívidas soberanas".

No entanto, a Grécia vai atravessar um período crítico nesta matéria pois o próprio governo de Papandreou pretende ir ao mercado financeiro colocar dívida já em 2012. "Mas quem é que vai comprar dívida soberana grega sabendo que uma re-estruturação pode estar incluída no novo Mecanismo de Estabilização Europeia (MEE) a vigorar a partir de meados de 2013?", interroga-se o economista. Um outro cenário "intermédio" poderá ocorrer: "Se a Grécia não conseguir em 2012 colocar dívida no mercado, onde vai buscar, então, os financiamentos? Será que prevê recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), criado depois do pacote especial para a Grécia? E a que preço?".


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pois claro que vai reestruturar
antunesaa (seguir utilizador), 1 ponto , 9:49 | Quinta feira, 14 de abril de 2011
Há muito tempo que é evidente que a Grécia tem de reestruturar a dívida. Tem 158% por cento do pib em dívida. Quem pode aguentar isto? Um haircut de 50% colocaria a dívida grega próximo dos 80% do pib. E no nosso caso se calhar o haircut deveria ser 20%, com as ppps e tudo o mais.
 
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