O Governo grego aprovou a realização de um referendo sobre o plano de resgate de 130 mil milhões de euros proposto na semana passada pela União Europeia.
Durante uma reunião de emergência do conselho de ministros que durou mais de sete horas e terminou já de madrugada, o primeiro-ministro George Papandreou terá defendido que "o referendo dará uma mensagem clara dentro e fora da Grécia sobre o nosso rumo europeu e participação no euro".
Na segunda-feira o chefe do Governo grego já tinha dito que o voto "será vinculativo" e que se o povo grego disser "não" ao acordo feito com os parceiros europeus, este não será promulgado.
Papandreou reúne-se com líderes europeus
Papandreou deverá encontrar-se hoje à noite em Cannes, França, à margem da cimeira do G-20 com a diretora executiva do FMI, Christine Lagarde, o Presidente francês Nicolas Sarkozy (anfitrião de uma cimeira do G20), a chanceler alemã Angela Merkel e os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Sexta-feira o seu governo enfrentará um decisivo voto de confiança no parlamento grego.
Entretanto, em declarações à televisão grega o ministro do Interior disse que o referendo sobre o novo resgate à Grécia deve acontecer em dezembro.
"Existe a possibilidade de realizar o referendo em dezembro", disse o ministro grego na televisão estatal, adiantando ser necessário que os detalhes do novo acordo de resgate europeu à Grécia sejam negociados "o mais depressa possível" com os parceiros internacionais.
Balde de água fria
O anúncio de um referendo caiu como um balde de água fria nos parceiros da Zona Euro, que temem agora um quebra incontrolada dos compromissos por parte da Grécia, com consequências nefastas para outros países da UE.
Se o "não" vencer, isso poderá levar à queda da moeda europeia e à impossibilidade da Grécia pagar a sua dívida, o que deixará o sistema bancário europeu e as economias regionais em risco de uma nova crise, de acordo com opiniões publicadas na imprensa estrangeira.
Desde Bruxelas, Paris e Berlim sucederam-se os apelos insistentes a Atenas para manter o plano de aplicação do resgate europeu.