Eduardo Lourenço, hoje distinguido com o Prémio Pessoa, é "um dos vultos mais importantes da Cultura Portuguesa de todos os tempos, não só do nosso tempo", disse o escritor Vasco Graça Moura.
O autor de "Os Desmandos de Violante", editado este mês, salientou a "intervenção intelectual" de Eduardo Lourenço "numa série de áreas da vida, desde a literatura à política, passando pelas artes plásticas até à filosofia, em que tem construído um trabalho ensaio que é um monumento da Cultura portuguesa europeia".
"Eduardo Lourenço é um pensador da Europa", reforçou Vasco Graça Moura, distinguido em 1995 com o Prémio Pessoa.
No início deste mês, em declarações à Lusa, Eduardo Lourenço afirmou que a União Europeia quis "andar muito depressa" e esse facto "pode estar na origem da crise que [se] atravessa atualmente".
"Provavelmente quis-se andar muito depressa, provavelmente teria sido mais interessante que os Doze [Estados] se tivessem consolidado como um grande núcleo, com mais organicidade e mais regras de atuação democraticamente aceites", servindo "de pólo de atração" a outros países, prosseguiu o ensaísta. "Mas não foi isso que se fez. Com a queda do muro de Berlim, a Europa ficou à deriva", afirmou.
Eduardo Lourenço, 88 anos, é o 25.º distinguido com o Prémio Pessoa.