O Governo quer criar um grupo de trabalho para definir "soluções de consenso" para o desenvolvimento do aeroporto de Beja, enquanto autarcas e deputados da região acusam o Executivo de falta de estratégia para a infraestrutura.
O "desafio" de criar o grupo de trabalho foi hoje lançado em Beja pelo secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro, numa reunião com autarcas, deputados e agentes económicos do Baixo Alentejo sobre o ponto de situação de projetos estruturantes para a região, como o aeroporto de Beja.
A criação do grupo de trabalho "não pretende apenas ganhar tempo, mas encontrar soluções de consenso dos diversos autarcas, agentes
económicos e das forças políticas" do Baixo Alentejo "no sentido de encontrarmos um modelo de desenvolvimento comum" para o aeroporto de Beja, disse Sérgio Silva Monteiro aos jornalistas, no final da reunião. O grupo visa "encontrar alternativas para estimular a utilização" do aeroporto de Beja e da respetiva zona industrial e "permitir que a infraestrutura possa ser, de facto, um polo de desenvolvimento, porque, neste momento, é um polo de retração", disse.
Aeroporto de Beja "é um polo de retração"
O aeroporto de Beja "é um polo de retração", porque "temos contas a pagar, que oneram o Estado e as entidades que participam no capital da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB), e não temos nenhuma atividade económica", explicou.
"É isto que pretendemos mudar", disse, referindo que o grupo de trabalho deverá ser criado "ainda este ano" e que pediu à Assembleia Distrital de Beja e à Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (AMBAAL) para decidirem que entidades locais "devem estar representadas".
"O Governo quer estar, porque quer ser um facilitador dos negócios", disse, defendendo que "temos de ser capazes, a nível regional e a nível central, de deixar de discutir se a infraestrutura faz sentido ou não e passar para a fase seguinte: acertar todos um plano de viabilização da infraestrutura", disse.
"O facto de termos todos envolvidos significa que nenhum vai ficar de fora desta discussão e, no futuro, vai estar responsável pelas decisões que forem tomadas a nível do grupo de trabalho", disse.
"Há muitos estudos feitos que não devem ser jogados fora"
Em declarações aos jornalistas no final da reunião, o presidente da Câmara de Beja (PS) e presidente da AMBAAL, Jorge Pulido Valente, disse que os autarcas ficaram "muitíssimo preocupados, porque não há perspetivas relativamente a estratégias de desenvolvimento" do aeroporto de Beja.
Segundo o autarca, o secretário de Estado "mostrou grande abertura para dialogarmos e podermos discutir propostas, mas é omisso relativamente às estratégias do Governo para o desenvolvimento" do aeroporto de Beja.
"O Governo mostrou claramente que está sem estratégia nenhuma e que desconhece muito o problema" do aeroporto de Beja, disse o deputado do PS eleito por Beja, Luís Pita Ameixa, referindo que "quando não se quer fazer nada ou não se sabe o que é que se há de fazer cria-se um grupo de trabalho".
"Há muitos estudos feitos, que não devem ser jogados fora, há muito trabalho feito e o aeroporto está a progredir e era necessário avançar", defendeu.
O deputado do PCP eleito por Beja, João Ramos, disse que a criação do grupo de trabalho surge, "precisamente, porque o Governo tem muitas dúvidas quanto ao futuro do aeroporto de Beja".