O Governo está a ponderar substituir Manuel Maria Carrilho como embaixador de Portugal na UNESCO. O antigo ministro da Cultura, a exercer funções na organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura desde 16 de Fevereiro de 2009, pode vir a ser substituído no lugar antes do termo do mandato (em 2012 ou 2013) por Luís Castro Mendes, actual embaixador português em Nova Deli. A hipótese circula com insistência há vários meses nos corredores diplomáticos e ainda não saiu de cima damesa do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
Ao que o Expresso apurou, a substituição de Carrilho foi seriamente equacionada pelo Governo depois de, em Setembro, o embaixador se ter recusado a votar a favor do ministro da Cultura egípcio, Farouk Hosni, para o cargo de director-geral da UNESCO, como pretendia o Estado português. O voto de apoio ao controverso candidato (acusado nos meios intelectuais de comportamentos censórios e anti-semitas) acabou por ser depositado em urna pelo número dois da missão.
Apesar de previamente combinada com o ministro dos Negócios Estrangeiros, a atitude de Carrilho não foi bem recebida em Lisboa: "Um embaixador não pode ter estados de alma.
Uma coisa é ter opiniões, outra recusar-se a cumprir instruções", comenta-se nas Necessidades, admitindo-se que esta possa ser a principal explicação para a prematura substituição.
O Expresso contactou Carrilho, mas o embaixador não quis prestar comentários. Também do gabinete de Luís Amado não obtivemos qualquer declaração.
Texto publicado na edição do Expresso de 20 de março de 2010