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Governo não escondeu o desemprego, escondeu mais austeridade

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Se fosse mesmo verdade, era a política keynesiana mais eficaz da história da Humanidade. Num ápice, o desemprego desapareceu. Infelizmente é apenas uma ilusão de ótica. O que desapareceu foram as previsões para a taxa de desemprego no Documento de Estratégia Orçamental (DEO). O governo decidiu não as incluir por estar a analisar a questão a fundo e pretender apresentar novas projeções (maiores naturalmente) até final do mês. Só que, para Bruxelas, enviou um anexo com as estimativas. O que motivou fortes críticas dos deputados da Oposiçao a Vítor Gaspar durante uma audição hoje no Parlamento.

O ministro insistiu que os números enviados para Bruxelas são estimativas "precárias" e "provisórias", uma vez que o governo ficou surpreendido com a subida do desemprego acima do que seria sugerido pela evolução da economia. Uma surpresa que, em si mesmo, provoca alguma perplexidade. Afinal, fazer previsões em períodos de crise grave com base em relações estatísticas calculadas em fases normais é tão arriscado como conduzir um carro a olhar para o espelho retrovisor.

Questões de respeito institucional pelo Parlamento à parte, há uma dúvida que salta de imediato à vista. Se o DEO - e o próprio ministro - dizem claramente que o desemprego é um dos principais riscos orçamentais e as previsões utilizadas são "precárias" e "provisórias", o que pensar das estimativas para as contas públicas? Tem que ser o óbvio: são precárias e provisórias.

Mas a história não acaba aqui. É que as novas estimativas do desemprego serão superiores e isso terá consequências em termos de contas do Estado. Não apenas na Segurança Social, onde de facto os efeitos são mais diretos e evidentes, mas também nas receitas fiscais.

Percebe-se agora a suspensão relâmpago das reformas antecipadas. Mais do que um ato de prudência foi uma medida desesperada que, mesmo assim, pode não ser suficiente. A análise de sustentabilidade da Segurança Social incluída no Orçamento de 2012 baseou-se em estimativas de desemprego que já eram otimistas face às atuais previsões do governo e da troika para os próximos anos.

Com a revisão em alta, o desfasamento face à realidade aumenta e as projecções de saldos do sistema podem tornar-se completamente irrealistas, em particular até 2014. É quase inevitável que esta pressão adicional sobre a Segurança Social (e as contas públicas em geral) obrigue o governo a tomar mais medidas de austeridade.  

Ao enviar para Bruxelas um anexo que não foi remetido ao Parlamento, mais do que esconder o desemprego, o governo estava a esconder a necessidade de mais austeridade. Gaspar não o disse, nem podia, mas consegue perceber-se a estratégia. O governo quer ter uma análise detalhada do desemprego, a tempo da quarta avaliação do memorando marcada para o final de maio, para tentar convencer a troika que qualquer derrrapagem nas contas é cíclica e que, por isso, a meta de défice de 4,5% deve ser flexibilizada.

 


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'Governo não escondeu o desemprego, escondeu...
Não percebo muito bem a última frase. Por cíclica, pretende-se designar um défice conjuntural, sem controlo do governo, face a um défice de origem estrutural que seria atribuido ao governo?

Não percebo no entanto porque é que as revisões do desemprego em alta seriam fundamentais para mostrar isso a Bruxelas. Afinal de contas, o falhanço do governo em fazer previsões não é prova de que acidentes aconteceram, a única coisa que prova é que não souberam fazê-las. Ou que, e isto é que é procupante em governos, não souberam agir de forma a que as previsões dessem "certo". Se têm desculpas ou não, não são certamente desculpas melhores que os governos que os antecederam.

A admissão do excesso de desemprego ocorre pouco tempo depois destes governantes dizerem que o programa de ajustamento corre de forma excelente. Os dados do desemprego já deviam ser conhecidos e os argumentos manifestando surpresa pelo desemprego já deviam estar a ser preparados e no entanto, defendeu-se que estava a correr tudo bem. Inclusive, já ouvi no ar, palavras como liderança do Eurogrupo como prémio. Mas as coisas não estão bem, como se denota no seu texto. É impossivel estarem bem se estamos a preparar argumentos para defender a flexibilização do défice.

Mas aqui pode haver uma leitura errada da sua parte, João... ou então muito certa. É que parece que o ministro deixou cair que existia uma janela de oportunidade para diminuir os impostos directos. E isso é impossível se falharmos o défice.
Re: 'Governo não escondeu o desemprego, escondeu..
Re: 'Governo não escondeu o desemprego, escondeu..
Re: 'Governo não escondeu o desemprego, escondeu..
Que espanto!!!
Espantoso é o espanto do Ministro das Finanças (isto já só o espanta a ele!!!) perante os números "precários" e "provisórios" do desemprego... Num país completamente voltado para o mercado interno, onde o poder de compra afunda a pique, as empresas continuarão falir aos milhares, e os números do desemprego só podem subir, cada vez mais! E tencionam "resolver" o problema com mais austeridade? Mais a economia afundará, e mais o desemprego crescerá! E esta bola de neve não terá fim! Não queiram fazer do crescimento da economia e das exportações uma prioridade, não, e vão ver onde é que a "austeridade" nos vai levar... A "austeridade", de resto, tem feito maravilhas na Grécia!!!
Porque é que esta gente não percebe que "ir além da Troika" deveria significar adoptar medidas para o crescimento económico, ao invés de aplicar "requintes de malvadez" às medidas do memorando?
Se o governo lesse os meus posts já sabia
Eu dissse sempre que estes cortes cegos iriam dar tal pancada na economia que a despesacortada baixaria sim, mas a receita de impostos caía e a despesa com desempregos e afins subiria. No final os números do estado serão piores do que se tivessem agido com mais humanidade e teríamos muito menos portugueses na miséria.

A lógica diz que quando a economia capitalista privada está mal, o estado aparece e meter dinheiro, quando a economia recupera e há trabalho, o governo retira boa parte das suas ajudas.

O problema de portugal foi o estado ter continuado a gastar muito a sustentar pançudos quando a economia não andava mal (jogadas com dinheiros da europa que no geral satisfizeram clientelas dos partidos PS PSD CDS).

Não foi apoiar a economia quando está em baixa.

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