As negociações finais entre o primeiro-ministro grego Lucas Papademos e os partidos políticos para a aprovação de um segundo plano de resgate coincide hoje com uma greve geral na Grécia, em protesto contra as novas medidas de austeridade.
O chefe do executivo helénico - de perfil tecnocrático e que lidera desde 11 de novembro um governo de "unidade nacional" que inclui os socialistas do PASOK, os conservadores da Nova Democracia (ND) e a direita radical LAOS - tem-se desdobrado nas últimas três semanas em intensas reuniões com os representantes dos credores privados e com a "troika" internacional.
O objetivo da dupla negociação consiste na celebração de acordos complementares, para um "perdão" de 100 mil milhões de dívida pública grega, assumidos por credores privados com destaque para a banca, a par da concessão de um novo empréstimo de 130 mil milhões de euros pela "troika" internacional (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu), que inclui novas medidas de austeridade.
As complexas negociações entre Papademos e os líderes dos três partidos da coligação, representados pelo ex-primeiro-ministro socialista George Papandreou e pelos chefes dos conservadores, Antonis Samaras, e da direita radical, Georges Karatzaferis, ainda não permitiram um acordo político.
Negociações prosseguem hoje
Na tarde de segunda-feira, fonte governamental citada pelas agências internacionais admitiu o prosseguimento das conversações no dia de hoje, enquanto Padademos se voltava a reunir na noite de segunda-feira com a missão da
troika FMI-UE para encerrar os últimos capítulos "cruciais".
Os credores internacionais, em particular a
troika, exigem um compromisso explícito de Papandreou, Samaras e Karatzaferis para a concretização das duas operações de resgate, que implicam novas medidas muito impopulares.
No entanto, aumentam os receios sobre o agravamento da profunda recessão no país, para além dos custos eleitorais para as três formações - sobretudo para socialistas e conservadores que têm repartido o poder desde o regresso da democracia em 1974 -, em caso de aprovação das medidas de austeridade incluídas no novo pacote de 130 mil ilhões de euros.
A maioria dos media gregos previa na segunda-feira um acordo final do trio político no poder, que autorizaria Papademos a promover em paralelo o acordo final sobre a reestruturação da dívida com os credores privados.
No entanto, os três partidos ainda não chegaram a um acordo definitivo sobre as medidas de austeridade incluídas no segundo plano de resgate.
Cortes nas pensões dividem partidos
As últimas discussões relacionam-se com os cortes previstos nas pensões, numa redução do salário mínimo (atualmente nos 750 euros) exigida pela UE e FMI, e num projeto de "despedimentos imediatos" de 15 mil funcionários públicos. No entanto, os subsídios de férias e natal deverão ser mantidos no setor privado.
De acordo com diversos media em Atenas, Papandreou escreveu uma carta a Papademos onde sugere que, em caso de acordo, o governo de "salvação nacional" deverá permanecer no poder até 2013, afastando o cenário de eleições legislativas antecipadas já anunciadas para a próxima primavera.
Perante o atual cenário, as duas principais centrais sindicais (GSEE para o setor privado e Adedy do público) anunciaram para hoje uma greve geral de 24 horas e que deverá afetar escolas, transportes públicos, setor administrativo e as ligações com as ilhas. Os líderes sindicais também convocaram uma manifestação que vai decorrer no centro de Atenas, frente ao Parlamento.
"Para além dos golpes já concretizados, as novas medidas são a crónica de uma morte anunciada (...) o objetivo consiste em penalizar o direito ao trabalho e baixar os salários entre 20 e 30%", sublinhou a propósito o presidente da GSEE, Iannis Panagopoulos.