25/05/2012 atualizado às 22:38
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Google Street View: Passeio ou olhar indiscreto?

O sucesso do Google Street View em Portugal é indiscutível. No entanto, navegar por imagens da cidade a 360 graus, tiradas ao nível da rua, reacende a questão da violação da privacidade.

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)
20:00 Quinta feira, 3 de setembro de 2009
Google Street View: Passeio ou olhar indiscreto?
A Av. da Liberdade e muitas outras vias podem ser observadas livremente
A Av. da Liberdade e muitas outras vias podem ser observadas livremente

Dez dias depois do arranque em Portugal, o Street View parece um serviço online de sucesso indiscutível: uma pesquisa no Google com as palavras "Google Street View Portugal" mostra-nos que mais de 1,5 milhões de visitantes já fizeram o mesmo antes de nós. Mas as ameaças à vida privada ou à segurança continuam a pairar, à semelhança do que se passou noutros países. O Street View permite visualizar e navegar por imagens de cidades a 360 graus tiradas ao nível da rua (ver em maps.google.pt).

Na privacidade há, aparentemente, formas rápidas e simples de resolvermos os problemas. Basta clicarmos no botão "Comunicar um problema", que surge no canto inferior esquerdo de qualquer foto, e preenchermos um formulário onde todas as reclamações e comentários parecem possíveis, tanto no que diz respeito a imagens de um rosto, casa ou carro como de conteúdos ofensivos ou inadequados (erros, imagens de má qualidade, problemas de segurança).

Em embaixadas como a britânica nem todos os ângulos são possíveis
Em embaixadas como a britânica nem todos os ângulos são possíveis

Mas na segurança tudo parece mais complexo. Passeando pela cidade de Lisboa chegamos à conclusão que não foi apenas nos EUA que se verificaram restrições à actuação da Google, quando se tratava de fotografar instalações militares do Pentágono. O edifício do Ministério da Defesa no Restelo, por exemplo, só pode ser visto de um dos lados (Av. Ilha da Madeira), porque a rua onde se localiza a sua entrada principal (Gonçalves Zarco) não foi fotografada. O mesmo se passa com algumas das ruas ou avenidas que dão acesso a embaixadas de países alvo de ameaças terroristas, como os EUA, Reino Unido ou Espanha. Aliás, uma boa parte das ruas do Restelo - onde se encontram muitas embaixadas - está inacessível no Street View.

E as restrições não se ficam por aqui. Há entradas de sedes de bancos que não podem ser observadas. O mesmo acontece com a Mesquita Central de Lisboa (avenidas Ressano Garcia e José Malhoa) ou com zonas envolventes do aeroporto. "A Google não recebeu nenhum pedido para remoção de um edifício ou de qualquer local sensível", afirmou Inês Gonçalves ao Expresso. A responsável do marketing da Google Portugal admitiu "que haja certas ruas de Lisboa ou Porto que não estejam ainda disponíveis, mas a Google continua a recolher imagens de forma a melhorar cada vez mais o Street View e a experiência dos utilizadores". E os edifícios públicos são disponibilizados, "desde que sejam observados da via pública". Inês Gonçalves não adiantou números, mas revelou que "até agora recebemos poucos pedidos de remoção de imagens e alguns utilizadores solicitam a inclusão da sua casa, rua ou cidade". Nas cidades, as próximas a serem fotografadas pelos carros da Google (como o que figura nesta página) serão Braga, Barcelos, Maia, Paredes, Aveiro, Águeda, Évora, Portalegre, Setúbal, Alverca, Amadora e Costa da Caparica.



Vantagens

Explorar cidades e regiões do mundo que sempre quis visitar ou regressar a locais que já visitou;

Observar a localização do alojamento das suas férias;

Mostrar à família e amigos onde mora, onde trabalha ou os seus restaurantes e lojas preferidas;

Planificar um percurso, um passeio ou um ponto de encontro;

Passear virtualmente pela área onde está interessado em comprar ou arrendar uma casa.

Inconvenientes

Ameaças à privacidade: imagens de pessoas, em especial quando os rostos não foram desfocados; imagens de carros, com destaque para aqueles em que as matrículas não estão desfocadas; fotos de casas particulares;

Problemas de segurança: edifícios públicos, instalações militares, embaixadas de países alvo de ameaças terroristas ou em guerra, bancos, infra-estruturas de natureza estratégica;

Conteúdos inadequados ou ofensivos, como nudez.

Suíça e Japão criticam Street View

Pelo menos três países já reagiram mal à entrada do Street View: Suíça, Japão e Grécia. No primeiro caso, o porta-voz do Comissariado Federal de Protecção de Dados, Hanspeter Thur, exigiu em comunicado, a 21 de Agosto, que "a Google retire imediatamente a Suíça do seu serviço de Street View". Assim, a empresa americana não está a respeitar as condições negociadas, porque há rostos e matrículas de carros que podem ser identificados, o que é uma intromissão na vida privada dos cidadãos.

No Japão, os protestos das organizações de defesa da vida privada levaram a Google a decidir simplesmente refazer as imagens, fotografando as ruas, avenidas e praças de um ângulo mais afastado. E na Grécia, onde o Street View está a ser montado, a Agência de Protecção de Dados fez depender o seu arranque "de informações adicionais" sobre quanto tempo ficarão as imagens guardadas na base de dados da Google, ou que medidas estão previstas para dar a conhecer aos cidadãos os seus direitos de privacidade.

No Reino Unido o serviço chegou em 18 de Março, mas, em Abril, um grupo de moradores de Milton Keynes bloqueou um carro da Google Street View que estava a tirar fotos das suas casas, alegando que o serviço estava a facilitar o crime. V.A.

Números

12 países já têm cidades disponíveis no Street View: Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Holanda, Reino Unido, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Taiwan

250 cidades de todo o mundo podem ser visitadas, percorrendo cada rua, avenida ou praça com um ângulo de visão de 360º

10 cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto estão acessíveis: Gaia, Almada, Barreiro, Seixal, Montijo, Sesimbra, Oeiras, Benavente e, claro está, Lisboa, Porto e arredores

4 meses separam a data das fotos da sua disponibilidade no Street View Portugal

Como reclamar

1 Se quiser remover imagens, basta clicar em "Comunicar um problema", o botão do canto inferior esquerdo da foto a corrigir

2 Segue-se um formulário que contempla várias opções (cara, o o carro, a casa, etc.)

3 A Google garante: "a imagem será removida após verificação da reclamação"

Texto publicado na edição do Expresso de 29 de Agosto de 2009

Palavras-chave  Ciência
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Microsoft trama Google

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AS pessoas têm é que deixar de andar na rua!!!
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:27 | Quinta feira, 3 de setembro de 2009
OS que não querem aparecer fecham-se em casa e os que gostam de fitas vão para a rua e que se exibam como quiserem!!!
Falando sério, parece-me existir aqui um equívoco ou uma falsa questão. Existem regras para a publicação de fotos que são seguidas de forma quase sagrada pelos repórteres fotográficos. Se essas regras forem seguidas nao creio que se levantem problemas.
 
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    Re: AS pessoas têm é que deixar de andar na rua!!!    Ver comentário
Ci (seguir utilizador), 1 ponto , 22:32 | Quinta feira, 3 de setembro de 2009
quem não deve não teme
B l u e S k y (seguir utilizador), 1 ponto , 21:19 | Quinta feira, 3 de setembro de 2009
privacidade?
na rua? em lugares públicos?
E as imagens diárias do tráfego automóvel?
e as imagens diárias nas tv's?
e as imagens publicadas em todos os jornais?
 
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Rara oportunidade
mrrcabral (seguir utilizador), 1 ponto , 22:19 | Quinta feira, 3 de setembro de 2009
Vivo no estrangeiro e confesso que foi com uma ponta de emoção que revisitei certos locais da minha infância...Só é pena que as imagens levem tanto tempo a carregar. Mas não há nada que pague ver a antiga Biarritz, já que o velho Bangú é agora uma sorumbática agência bancária...
 
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Boa Solução da Google
zeddd (seguir utilizador), 1 ponto , 23:42 | Quinta feira, 3 de setembro de 2009
Arranjar queixinhas , a e tal... eu apareço... deixem-se de tretas, quem não deve não teme! Deixem a Google trabalhar, a conta deles as grandes casas de software tiveram de baixar preços etc, com a Google só se ganha , boas soluções, e toda a gente pode contribuir.Microsoft, change or die.
 
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Em que ficamos?
Imbroglio (seguir utilizador), 1 ponto , 10:22 | Sexta feira, 4 de setembro de 2009
Que complicados somos! Querem informação, querem segurança, mas não querem ser vistos. O melhor é pensarem no que querem, em primeiro lugar, não? Quanto aos lugares de risco, acho bem que se preservem.
 
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