23 de abril de 2014 às 12:07
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Global Witness perde fé no controlo de diamantes de sangue

ONG resolveu abandonar o Processo Kimberley por não acreditar na sua eficácia no controlo da comercialização de diamantes provenientes de zonas de conflito.
Ana C. Oliveira (www.expresso.pt)
O Processo Kimberley impõe que todos os diamantes vendidos internacionalmente sejam certificados Bruno Vincent/Getty Images O Processo Kimberley impõe que todos os diamantes vendidos internacionalmente sejam certificados

A organização não-governamental Global Witness anunciou hoje que irá abandonar o Processo Kimberley , uma iniciativa internacional surgida em 2000 e que tem por objetivo manter o fluxo de diamantes de sangue afastado dos mercados lucrativos.

Um comunicado divulgado hoje no site oficial da organização refere que o Processo Kimberley falhou a sua missão, nomeadamente em locais como o Zimbábue e a Costa do Marfim, não conseguindo pôr termo à relação entre os diamantes provenientes de zonas de conflito e a violência exercida nestes locais.

"Os consumidores têm o direito de saber o que estão a comprar e de que forma foi obtido" refere Charmian Gooch, diretora da Global Witness, acrescentando: "A verdade é que a maioria dos consumidores ainda não tem a certeza da origem dos seus diamantes ou se estes estão ou não a financiar situações de violência".

O Processo Kimberley, que resulta de uma ação conjunta entre a indústria de diamantes, governos e organizações não-governamentais, impõe que todos os diamantes vendidos internacionalmente sejam certificados, de forma a garantir que são provenientes de zonas livres de conflito.

Situação no Zimbabué causou o divórcio


Em novembro, o Processo Kimberley voltou a autorizar a exportação de diamantes provenientes dos campos de exploração de Marange, no Zimbabué, cuja venda tinha proibido em 2009 devido às alegadas violações dos Direitos Humanos por parte do Exército, que detinha o controlo das explorações

Segundo o comunicado da Global Witness, as concessões das explorações foram então entregues a grupos ligados ao Governo do Presidente Robert Mugabe. Organizações como a Global Witness e a Human Rights Watch teriam já alertado para a continuidade da violência nas explorações de diamantes de Marange, onde em agosto a BBC avançou a descoberta de campos de tortura de mineiros.

A aprovação da exportação de diamantes provenientes destes campos por parte do Processo Kimberley foi definida pela Global Witness como "desapontante" e terá originado a sua saída do grupo.

"Na última década, as eleições no Zimbabué têm sido associadas à intimidação dos eleitores e orquestrar este tipo de violência exige dinheiro. O facto de o Processo Kimberley se recusar a confrontar esta realidade é um ultraje", refere Charmian Gooch.

"Os consumidores não deveriam comprar diamantes de Marange e a indústria não os deveria fornecer", conclui a diretora da Global Witness.

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