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Gerês: incendiários não são os suspeitos do costume

Incendiários detidos no Gerês não são os suspeitos do costume (madeireiros, pastores e caçadores) mas sim vizinhos vingativos, doentes mentais, alcoólicos e pessoas em busca de atenção.

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)
19:32 Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Homem contempla na região de Barzia, no Parque Nacional da Peneda Gerês, uma zona consumida pelo fogo
Homem contempla na região de Barzia, no Parque Nacional da Peneda Gerês, uma zona consumida pelo fogo
Francisco Seco/AP
Bombeiros tentam controlar um fogo no Mezio, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês
Bombeiros tentam controlar um fogo no Mezio, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês
Hugo Delgado/Lusa

A PJ de Braga mantém no Parque Nacional da Peneda Gerês várias brigadas, com inspetores disseminados pelos locais afetados por incêndios. Mas os três detidos por fogo posto nada tinham a ver com a área protegida do parque nacional.

Dois casos envolviam vinganças pessoais por "má vizinhança" e o terceiro incêndio terá sido desencadeado por um doente mental com problemas de alcoolismo, de uma aldeia situada nos arredores de Barcelos, Durrães.

"Todos os anos ele ateia fogos. Depois, confessa tudo às autoridades e até reconstitui os crimes, mas como não há testemunhas e os advogados o aconselham a nunca prestar declarações ao juiz de instrução criminal, acaba por sair em liberdade", apurou o Expresso junto de um autarca.

Uma área imensa que vai desde Melgaço a Montalegre, passando por Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Terras de Bouro - ou seja, cinco municípios de três distritos, Vila Real, Braga e Viana do Castelo - também não facilita o trabalho à PJ, que diariamente é confrontada com muitas denúncias por fogo posto em matas e florestas do Parque Nacional da Peneda Gerês.

Dificuldade na recolha de prova


Segundo vários investigadores da PJ, "o crime de incêndio florestal é dos de maior dificuldade em recolher prova concludente para os tribunais". Acresce que "quem poderia testemunhar é gente isolada e muito idosa, às vezes com mais de 80 anos, que nunca entrou num tribunal e receia acusar os vizinhos". O mutismo chega ao ponto de no Alto Minho os mais velhos comentarem que "à Polícia e à Guarda nem as horas certas do relógio se diz".

Sem testemunhos, os magistrados não aplicam prisão preventiva nem medidas de segurança como o internamento compulsivo. "É preciso haver mais do que uma pessoa presenciar alguém a lançar o fogo, o que é muito difícil em zonas ermas dos montes", confessa ao Expresso um especialista da PJ.

Gerês há muitos...


"Quando se fala no Gerês, às vezes confunde-se as zonas mais montanhosas e ermas com outras como a vila termal do Gerês, onde o fogo não chegou ao núcleo urbano e ficou a centenas de metros", referiu ao Expresso já esta semana um industrial hoteleiro.

"Com as chamas a arderem a muitas dezenas de quilómetros no Soajo, já no Alto Minho, chegámos a ter canceladas num só dia cerca de 30 reservas para alojamento quando não havia já sequer focos de incêndio na vila do Gerês", acrescenta.

O mesmo industrial não quis ser identificado à conta desta revelação curiosa: "Quando as chamas se aproximaram da vila, eram mais os soldados da GNR do que os bombeiros. Aliás, houve gente irada que foi protestar para o centro de operações da Proteção Civil". E mais: "Meios aéreos a sério só passavam cá quando havia diretos televisivos".

Os suspeitos do costume


A motivação e a autoria dos incêndios florestais que têm assolado a serra do Gerês escapam, na maioria dos casos, às razões e aos suspeitos do costume no julgamento popular, como apurou o Expresso junto de moradores e de autoridades que têm lidado com o fenómeno nas últimas semanas.

Se madeireiros, pastores e caçadores são quase sempre os primeiros suspeitos quando se fala de incêndios e nomeadamente de fogo posto, as fontes contactadas pelo Expresso no Gerês apontam antes para casos de vingança entre vizinhos desavindos e negligência de turistas e de emigrantes na origem de muitos fogos naquela zona banhada pelo rio Cávado.

A questão das madeiras tem que se lhe diga. Existe muita madeira alvo das cobiças alheias em terrenos baldios, geralmente administrados pelas autarquias locais. Se arder é comprada a metade do preço, em condições razoáveis.

Se é certo que os pastores precisam de renovar os pastos, a verdade é que não é esta a altura que mais lhes convém, mas sim em fevereiro e março. No entanto, a autorização para a realização de queimadas controladas é sempre dificultada pelos responsáveis do Parque Nacional da Peneda Gerês.

"Patos bravos" negligentes


Com os caçadores registaram-se em anos anteriores casos de vinganças, quando um ou outro ficou fora das áreas de caça associativa. Num desses episódios, por exemplo, o dono de um terreno não podia caçar no mesmo, o que terá aumentado a sua revolta.

Queima-se para vender e comprar (sem burocracias) madeira mais barata, queimam-se áreas para renovar os pastos em pleno verão quente ou para afastar e dizimar a caça. Mas, segundo apurou o Expresso, poucos são os que arriscam queimar as próprias terras, ficar sem caça ou sem uma área considerável de pasto.

Estes são casos isolados, porque as vinganças de vizinhos e as negligências de "patos bravos" no Parque Nacional da Peneda Gerês constituem um número significativo de ignições que se transformam em grandes fogos florestais.

"Há turistas que fazem fogos e grelhados de dia e de noite nesta altura do ano, assim como emigrantes que para limparem os lixos envolventes das casas ateiam o fogo e depois perdem o controlo da situação", explica uma fonte conhecedora da situação.

O caso do "Sãobentinho"


O caso mais típico é o do incendiário misterioso do São Bento da Porta Aberta, que ataca há anos consecutivos impunemente. Desta vez, a GNR evitou que incendiasse à hora do costume, mas ele acabou por vingar-se ateando o fogo à noite. Na sexta-feira, dia da habitual procissão, havia a circundar o santuário e as matas das cercanias muitos soldados da GNR, incluindo patrulhas a cavalo, para prevenir o incêndio mais do que certo.

As forças da GNR dissuadiram o misterioso incendiário que, diz-se na zona, ateia o fogo para desviar as atenções da procissão e da romaria todos os anos".

Os cavalos da GNR deixaram as matas ao final da tarde e o certo é que logo ao princípio da noite foi ateado o "incêndio tradicional" no monte em frente ao São Bento da Porta Aberta, conhecido popularmente por "Sãobentinho".


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Prenda-se os incendiários durante a época dos fogo
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 20:54 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Em muitos países a justiça mete os incendiários à sombra durante os meses de verão e resulta.

Será que os juízes portugueses não sabem disso?

Vamos deixar esses malvados à solta para deitar mais fogo?
 
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Isto é brincar com a vida de inocentes!
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 21:17 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Até já é tradição? O S.Bentinho?

Porque não está esse homem preso? Por ser uma figura típica?
Não consigo entender.
É como deixar uma arma na mão de um homicida e vê-lo escolher a vítima.

A lei é cumplice destes crimes! Está na hora de a mudar.

Talvez um vídeo com os últimos momentos da infeliz bombeira que morreu queimada agitasse as consciências de quem manda neste País!
Por respeito a quem dá a vida, metam estes tipos na cadeia e deitem fora a chave!
 
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    Re: Isto é brincar com a vida de inocentes!    Ver comentário
lusofora (seguir utilizador), 1 ponto , 21:36 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Srs Governantes
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:48 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
O que se lê aqui é um verdadeiro atentado há dignidade moral e cívico de uma pessoa.
Todos os anos ele ateia fogos. Depois, confessa tudo às autoridades e até reconstitui os crimes, mas como não há testemunhas e os advogados o aconselham a nunca prestar declarações ao juiz de instrução criminal, acaba por sair em liberdade", apurou o Expresso junto de um autarca.
Será preciso dizer mais alguma coisa, é deplorável a atitude destes advogados, mais ainda sabendo que existiram mortes.
Sinto uma enorme revolta e vergonha ao mesmo tempo.
 
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Depois de ler este artigo..
vera borges (seguir utilizador), 1 ponto , 22:06 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Penso no ser humano..tanta vontade de dizer tanta coisa,
mas ao mesmo tempo sinto que há tantas coisas a fazer e que todos parecem sem vontade...
Será falta de coragem? Não há capacidade de assumir responsabilidades?

Percebo que há pessoas que têm medo de falar...

Valha-nos pensar que o amanhã existe, porque o que sinto é uma enorme tristeza , dor, revolta... por este meu país ser assim.
 
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futuro a floresta pertence
Limes (seguir utilizador), 1 ponto , 1:30 | Quinta feira, 19 de agosto de 2010
Existe uma cidade na Europa que as autoridades áh anos que andam atrás de um incendiário que ateia fogo a qualquer coisa. Ainda não conseguiram mais que um retrato roubo que até a data ainda não apanharam.

Portanto para as autoridades portuguesas nada mais lhe resta que é construir aceiros e tratar da floresta com amor e carinho e sem desprezo e arrogância.
 
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que incendiarios?
llex (seguir utilizador), 1 ponto , 3:51 | Quinta feira, 19 de agosto de 2010
todos os anos a mesma coisa com os incendiarios! a maioria dos fogos comeca a' beira das estradas.sera' assim tao dificil imaginar o pessoal a atirar as piriscas dos cigarros janela fora? ou e' preciso um desenho?
 
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pois
anamv5 (seguir utilizador), 1 ponto , 8:18 | Quinta feira, 19 de agosto de 2010
Apenas o receio de penas efectivas de prisão mais duras, poderá travar estes indivíduos.
Mas como diz o artigo se ninguém testemunha, como é que se chega ao incendiário??
Nestes casos as autoridades tem 2 "adversários", os criminosos e a população local.
 
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Pena de morte
aldegalense (seguir utilizador), 1 ponto , 10:20 | Quinta feira, 19 de agosto de 2010
Num país onde se despenalizou o aborto e se quer legalizar a eutanásia porquê tanto escrúpulo contra a pena de morte??? A mesma existe nos E.U.A. E não me refiro a prevenção do crime refiro-me a punição do mesmo! De outro modo não existiam quaisquyer penas umas vez que o crime continua a aumentar apesar delas. É uma questão de justiça!
 
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