25/05/2012 atualizado às 22:38
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Ganhar tempo e vender o que resta

Ao viajar pelo mundo, Sócrates vende dívida a países 'amigos' e ganha tempo. Dois valores preciosos que os analistas financeiros não valorizam. Estão enganados.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 20 de janeiro de 2011

Não é preciso ser um génio da finança para perceber o que está José Sócrates a fazer este fim de semana no Qatar. O pretexto da visita é outro, naturalmente. Mas o objetivo a atingir é simples e urgente: ter mais uma opção de colocação de dívida pública. Apesar de jornais como o Expresso terem repetidas vezes noticiado a operação diplomática que o Governo lançou nos últimos meses de 2010 junto de países 'amigos', os analistas insistem em não perceber o que se estava (e está) a passar.

Qualquer crise de dívida pública mede-se por indicadores simples. Uma mão cheia de bom senso e outra com uma máquina de calcular chegam para traçar o destino. E quando Portugal tem que pedir emprestado 47 mil milhões de euros em 2011 e os juros estão perto dos sete por cento, o destino está traçado: tem que recorrer ao FMI e ao fundo de emergência europeu.

Mas a história das crises de dívida pública mostra que, muitas vezes, a política internacional joga um papel mais determinante do que a aritmética. Já se começou a ver que a China nos deu a mão. Brasil e Líbia vão mostrar o mesmo. Registem o nome do Qatar, que tem o 14º maior fundo soberano do mundo e as terceiras maiores reservas mundiais de gás natural.

O fundo soberano do Qatar é desconhecido dos políticos portugueses. Mas tem feito negócios relevantes um pouco por toda a parte. Em 2009 deu que falar quando vendeu as ações preferenciais que detinha na Volkswagen, o ano passado investiu mil milhões na maior empresa francesa de construção naval, comprou 10 por cento de uma empresa de eletricidade indiana e estabeleceu uma operação importante na Indonésia.

Não sei o que o Qatar vai querer em troca, mas não deverá andar muito longe do que a China, Líbia ou Brasil vão querer: participações em empresas portuguesas, posições preferenciais no porto de Sines, etc.

É um caminho perigoso? Sim. Mas está traçado. Não sei se evita a vinda do FMI, mas atrasa o processo. E talvez o atrase a ponto de a União Europeia perceber que o resgate de um país não evita o contágio do país seguinte. Deixar os holofotes incidir sobre Espanha é um risco que a UE não pode correr. Um risco económico mas, acima de tudo, um risco político inaceitável. Um risco que, curiosamente, pode salvar Portugal. Até que a UE se decida, resta a Sócrates visitar países 'amigos'.

Ricardo Costa

Texto publicado na edição do Expresso de 15 de janeiro de 2011

 

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The Guardian
Jonatas (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Quinta feira, 20 de janeiro de 2011
In Brussels this week, EU finance ministers wrestled with the latest political dispute over the euro: how to reconfigure the ?750bn (?630bn) rescue fund set up last May. The meetings were deadlocked, with the European commission leading calls for a prompt increase in how much the fund can lend countries in distress, while Germany led the reluctant camp, arguing there was no need to rush either to top up the fund or to extend its lending activities.

The economic fundamentals in the eurozone are heading in contradictory directions: Germany and northern Europe emerging strong from recession, while southern Europe is locked into a vicious cycle of debt and deflation. This and the sovereign debt troubles of half a dozen countries have put the euro at risk. But the perils are compounded by the frictions between the political leaders charged with settling the crisis.

The same day last week that S?crates was being brushed off by Berlin, Jos? Manuel Barroso, commission president, announced in Brussels that the euro rescue fund had to be reinforced.

Publicly, Merkel and her finance minister, Wolfgang Sch?uble, described Barroso's intervention as "unnecessary". Privately, the chancellor's office told Barroso to shut up, that the ?440bn guaranteed by eurozone governments was none of his business since it was not his money.
 
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Um dia não faltará nada.Porque tudo se foi
FVRoxo (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Sábado, 22 de janeiro de 2011
As grandes análises sobre Portugal no contexto Europeu que tenho encontrado nos ultimos 1o anos têm vindo mais de "povo anónimo" do que de muitas e muitas linhas de leitura.
E este artigo do RCosta valoriza essa perspectiva:
nunca ninguém deu um porco a quem lhe ofereceu um chouriço.Porque este certamente não tem porcos". E não é amigo. Apenas quis ser simpático. Nunca amigo.
 
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