"É um chavão, mas o futebol ficou mais pobre porque perde uma das suas referências na defesa de princípios e valores, que estão cada vez mais adulterados", diz Toni sobre a morte de José Torres. (Veja vídeo SIC no final do texto)
José Torres «era amigo do seu amigo, que eu - e muitos outros no Benfica, no Vitória de Setúbal ou no Estoril, onde foi jogador - tive o privilégio de conviver», diz Toni
Visão
Toni, antigo jogador e treinador do Benfica, considera que o futebol português "ficou mais pobre" com a morte do antigo futebolista internacional português e glória do Benfica, José Torres.
"É um chavão, mas o futebol ficou mais pobre porque perde uma das suas referências na defesa de princípios e valores, que estão cada vez mais adulterados", disse hoje Toni à agência Lusa.
Também antiga glória benfiquista, Toni recorda um dos jogadores que ficará para sempre ligado à história do clube 'encarnado' e da seleção nacional, ao fazer parte dos 'magriços', que no Mundial de futebol de Inglaterra em 1966 conquistaram o 3.º lugar. "Tive o privilégio de conviver com esse jogador e homem chamado José Torres. Falar do futebolista é dizer aquilo que ele foi e é para o Benfica e para a seleção nacional. Como homem, a vertente que está mais escondida do público, é falar dos valores e princípios que defendia", sublinha Toni.
Carimbo para muitos golos de Eusébio
O antigo jogador e treinador do Benfic a diz que foi a "bonomia" de José Torres, a par da sua altura (1,91 metros), que lhe valeram a alcunha de 'bom gigante' como era tratado por todos em campo e fora dele. "Era amigo do seu amigo, que eu e, muitos outros no Benfica, no Vitória de Setúbal ou no Estoril, onde foi jogador, tive o privilégio de conviver", reiterou.
Toni lembra ainda a figura do grande jogador que teve a sua década de glória nos anos 1960, recordando que muitos dos golos de Eusébio "levaram o carimbo da cabecinha de José Torres", já que o seu forte era o jogo aéreo.
Mea culpa na hora da doença
"Agora, é altura de partilhar a dor com a família, especialmente com a mulher que foi de uma dedicação extraordinária em relação à doença que tinha", expressa Toni, que se arrepende ainda da pouca atenção que os colegas de Torres, ele incluído, dedicaram à doença de Alzheimer que bateu à porta do antigo jogador, que representou o Benfica entre 1959 e 1971.
"Os seus colegas pouco fizeram, e há aqui um mea culpa, de termos assobiado um pouco ao lado com aquilo que ia acontecendo ao José Torres. Nesta altura, as palavras e elogios são sempre fáceis", lamenta Toni.
José Torres morreu hoje, aos 71 anos de idade, após 15 dias de internamento no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa.