Futebol é 11 contra 11, e no fim Portugal ganha à Holanda
Há dias, José Manuel Delgado, n'A Bola, afirmou que assistiu ao Portugal-Holanda com um jornalista albanês ao seu lado. E, pelo que percebi, o tal albanês estava a torcer pelos holandeses. Não me espanta. Durante o Mundial de 2006 , a comitiva albanesa torcia sempre pela Holanda. "Ui, ui, Gullit e Van Basten", diziam. Ora, tendo em conta estas referências arqueológicas, fiquei a saber uma coisa: a televisão na Albânia ainda tem muita chuva, ou então não há mesmo televisão. Os albaneses estavam centrados na glória do passado holandês e não no poderio da esquadra de Figo, Deco, Ronaldo, Pauleta e, claro, Maniche, o comedor de tulipas.
Resultado? Um grupo de albaneses e albanesas quis fazer uma aposta comigo antes do jogo dos oitavos de final. Se Portugal perdesse, eu tinha de pagar uma garrafa de vinho a cada um (eram 5 ou 6). Se a Holanda perdesse, cada um deles tinha de oferecer aqui ao menino uma garrafa de vinho. Os vinhos não podiam ser comprados nos supermercados, mas logo ali, no restaurante, que não era propriamente a tasca do Herr Schmitt. A confiança com que apresentaram a aposta demonstrava um desconhecimento profundo em relação à décima quinta lei da Termodinâmica: Futebol é 11 contra 11 e no final Portugal ganha à Holanda. Azar-o-deles.
Como se sabe, Portugal ganhou o jogo com um golo de Maniche à Maniche, e eu levei para o alojamento 5 ou 6 garrafas de um belo vinho californiano ou chileno. Pelas minhas contas, as garrafas devem ter custado qualquer coisa como um quinto do vencimento dos albaneses. Ou seja, aquela aposta devia ser considerada como extorsão, devia entrar nas contas da exploração dos povos do sul por parte do vil Ocidente. Mas, arre, foi tão bom comprovar a existência da décima quinta lei da Termodinâmica: Futebol é 11 contra 11 e no final Portugal ganha à Holanda. Uma lei que, diga-se, também é aplicável à Inglaterra. Aliás, o mata-mata seguinte, os quartos de final contra a Inglaterra, também rendeu uma ou outra garrafita. Sozinho e no estrangeiro, o Mundial de 2006 foi bom para o meu orgulho pátrio e, acima de tudo, para a minha adega.


