Desde de que o atual Governo tomou posse, já sairam da Administração Central mais de 15 mil funcionários públicos, apurou o Expresso com base nos números provisórios ontem apresentados num ecrã pelo secretário de Estado da Administração Pública no Parlamento.
Em média, no segundo semestre de 2011, abandonaram o Estado 88 pessoas por dia.
Aos 15 mil, é preciso somar os 4451 que já tinham abandonado, no primeiro semeste, o seu emprego. Contas feitas, em 2011 deixaram de trabalhar para o Estado 20.262 funcionários. Em 31 de dezembro do ano passado, faziam parte dos quadros de pessoal dos ministérios 492.162 pessoas.
A confirmar-se este valor, terão abandonado a administração central 4% dos trabalhadores, oito décimas acima dos 3,2% anunciados por Hélder Rosalino.
Ontem, durante a audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Hélder Rosalino disse que entre 17 e 20 mil pessoas tinham deixado a função pública no ano passado. Embora apresentasse um diapositivo com os números apurados pela Direção-Geral do Emprego Público, o secretário de Estado preferiu ser mais vago.
Aposentação natural
Segundo o governante, a redução de funcionários é "um resultado positivo" e a debandada geral no segundo semestre (15.811 saídas), explica-se com o "maior controlo no recrutamento e com a saída natural para a aposentação".
Fazendo fé no quadro apresentado por Hélder Rosalino no ecrã da sala onde decorreu a reunião, mas que não foi entregues aos jornalistas nem aos deputados, alguns ministérios até registam um crescimento do número de funcionários no segundo semestre do ano passado. É o caso dos Negócios Estrangeiros, das Finanças e da Presidência do Conselho de Ministros. Em contrapartida, na Saúde, Educação e Defesa mais de 12 mil pessoas abandonaram os quadros entre julho e dezembro de 2011.
O compromisso assinado com a troika, implica que o Governo corte, este ano e em 2013, 2% dos efetivos da administração pública, isto é, mais de nove mil pessoas em cada ano.