25/05/2012 atualizado às 16:55

Freeport: Inquirição a tio de Sócrates afasta-o como suspeito

Nenhum dado novo foi levantado durante a inquirição a Júlio Monteiro. Não há suspeitos de receber luvas.

Rui Gustavo e Micael Pereira
14:00 Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Júlio Monteiro ainda hesitou em levar o vistoso Bentley para o tribunal de Cascais
Júlio Monteiro ainda hesitou em levar o vistoso Bentley para o tribunal de Cascais
Alberto Frias

Júlio Monteiro era esperado quarta-feira numa sala do Tribunal de Cascais por Maria Alice Fernandes e outros três inspectores da PJ de Setúbal. Os dois procuradores do DCIAP, Vítor Magalhães e Paes Faria, chegaram depois e, apesar de dirigirem as investigações do caso, pouco intervieram, limitando-se a uma ou outra observação ou pedido de esclarecimento.

A directora da Judiciária de Setúbal, que já declarou num processo judicial estar convicta de que Sócrates é vítima de uma cabala política, dirigiu a inquirição e fez a quase totalidade das perguntas, que pouco trouxeram de novo. Daí o à-vontade sorridente de Júlio Monteiro à saída do tribunal. "Saiu como entrou: testemunha", resumiu aliviado o advogado Belmiro Sá Leão. E, de facto, nenhum dos dados apurados no interrogatório incriminam o tio de Sócrates e por isso não foi constituído arguido. Não houve perguntas sobre contas offshore e a inquirição incidiu sobre factos que são do conhecimento público e sobre o relacionamento de Monteiro com Sócrates. Foi a única altura em que o tio Júlio ficou pouco à-vontade, descrevendo a relação como "distante". Desde que o caso Freeport rebentou nos jornais os dois não voltaram a falar.

De acordo com uma fonte judicial, Júlio Monteiro começou por ser confrontado com a relação com Charles Smith, o escocês que intermediou o negócio da construção do outlet de Alcochete e já é um dos arguidos no processo, indiciado por corrupção activa. Monteiro explicou como é que o conheceu - são vizinhos na Quinta do Lago e apontou o local exacto onde está a casa de Smith - e esclareceu que nunca teve relações comerciais com ele. "Só propunha negócios pouco rentáveis".

Explicou que Smith se queixou de um escritório de advogados que lhe exigiu quatro milhões (não se lembra se de euros ou de contos) para conseguir a aprovação do projecto de construção do Freeport e que mediou pessoalmente uma reunião com o sobrinho Sócrates, então ministro do Ambiente. "Não sei se a reunião aconteceu porque o Smith nem sequer me agradeceu".

Depois de garantir que não conhecia o outro arguido do processo - Manuel Pedro, o sócio português da Smith&Pedro, indiciado por corrupção - Júlio Monteiro foi confrontado com o e-mail enviado pelo filho, Hugo, aos responsáveis do Freeport, onde pedia dividendos por ter "desbloqueado" a situação. Estava dirigido a um director da empresa com conhecimento de Sócrates e de Monteiro. Segundo a mesma fonte, o endereço electrónico era jsocrates@neuroniocriativo.pt.

Júlio Monteiro admirou-se com a "novidade" e teve de telefonar a uma funcionária para explicar que tinha sido o filho - que continua na China - a criar os endereços "para se fazer importante". Ao fim de um dia aparentemente perfeito, Napoleão, o dogue francês da família voltou a casa (estava desaparecido) e mereceu um comunicado do escritório de advogados.

A investigação ao caso acelerou depois do ultimato do procurador-geral, que deu 15 dias aos investigadores para ouvirem todos os envolvidos no caso. Manuel Pedro voltou a ser interrogado ao longo do dia de ontem, para ser confrontado com as declarações do outro arguido, Charles Smith.

Pedro já tinha sido chamado a depor na terça-feira no tribunal do Montijo, no mesmo dia e no mesmo local em que a Polícia Judiciária interrogou João Cabral, funcionário da Smith&Pedro e uma das pessoas presentes na gravação de vídeo que as autoridades inglesas têm e onde Smith admite o pagamento de 'luvas' para a aprovação do Freeport.

João Cabral confirmou ao Expresso que foi notificado apenas como testemunha, desmentindo uma notícia que chegou a circular ontem de que teria sido constituído como o terceiro arguido no processo

Com os dois sócios e o funcionário da Smith&Pedro, mais o tio de Sócrates, o Ministério Público ouviu nove pessoas em quatro anos, sendo que as cinco primeiras ainda em 2005, no início da investigação. Há dois arguidos, suspeitos de terem pago luvas, mas nenhum suspeito de as ter recebido.

É muito improvável que Sócrates venha a ser ouvido, mesmo como testemunha.

As perguntas a Júlio Monteiro

Como é que conheceu Charles Smith?
Que tipo de negócios teve com ele?
Conhece Manuel Pedro?
Porque é que era sócio do seu filho Hugo Monteiro na empresa Neurónio Criativo?
Como é que a empresa foi criada?
Porque é que a financiou?
Porque é que José Sócrates tinha uma conta de e-mail na Neurónio Criativo?
Como é que os e-mails foram criados?
Quanto é que a empresa facturou?
Já foi liquidada?
Teve conhecimento do mail enviado por Hugo Monteiro à Freeport?
Porque é que o mail foi enviado?
Porque é que proporcionou uma reunião entre Charles Smith e José Sócrates?
Sabe se e quando a reunião teve lugar?
Qual é a natureza da sua relação com o seu sobrinho, José Sócrates?


Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Fevereiro de 2009

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conclusões precipitadas
Nanquim (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 14:46 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Desde quando "A directora da Judiciária" pode emitir juizo de valor sobre o facto de um individuo ser ou não suspeito de uma investigação juricia que ainda está a correr?
E desde quando as perguntas e respostas de um determinado individuo o qualificam como arguido ou testemunha?
  Se assim fosse ninguém seria condenado pois normalmente os criminosos não confessam.
Lamento mas desta vez tenho mesmo que pensar que a notícia está bastante mal redigida desde o inicio... portanto qual a qualidade e veracidade das conclusões?
Com certaza muito próximo do zero.
 
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    o que tem de positivo?    Ver comentário
userEX166048 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:55 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Re: o que tem de positivo?    Ver comentário
Brilhantina (seguir utilizador), 1 ponto , 16:14 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Re: conclusões precipitadas    Ver comentário
aquitoueu (seguir utilizador), 1 ponto , 17:29 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Re: conclusões precipitadas    Ver comentário
philipe47 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:36 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Bentley    Ver comentário
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 18:22 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Re: conclusões precipitadas    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:53 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
justiça portuguesa ou inglesa ou ambas?
Joao Cruz (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 0:19 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
falamos de uma carta rogatória da justiça inglesa ou de um processo da justiça portuguesa ou de ambas ?

com o devido respeito, a quem favorece a confusão ?
 
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...
B l u e S k y (seguir utilizador), 1 ponto , 15:44 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
...de bentley em popa.
 
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    Re: ...    Ver comentário
zezitofreeport (seguir utilizador), 1 ponto , 19:39 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Hesitou.
Helder Antunes (seguir utilizador), 1 ponto , 16:10 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Legenda da foto: "Júlio Monteiro ainda hesitou em levar o vistoso Bentley para o tribunal de Cascais".

Pois foi, mas depois pensou: "Que se f... bou-lhes mostrar como é que bibe um empreendedor da cunstroção cibil".
E logo a seguir: "Quem não deve não teme, carago"

E quem eventualmente deva mas tem sobrinhos assim, não tem que temer na mesma!
 
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E que respondeu o tio do zezito?
Lennya (seguir utilizador), 1 ponto , 16:21 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Esta "estória" está a desenhar-se de tal maneira que um dia destes ainda temos que pedir desculpas ao vigarista do zezito... É como o caso do diploma. Num país de poucochinhos, até é giro um espertalhaço como este singrar. O pior é que quem paga somos nós!
 
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    Re: E que respondeu o tio do zezito?    Ver comentário
Brilhantina (seguir utilizador), 1 ponto , 17:21 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
    Ena, ena, um amiguinho do zezito...    Ver comentário
Lennya (seguir utilizador), 1 ponto , 21:58 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
O BENTLEY É SÓ FIGURANTE NA HISTÓRIA ......
NoReply (seguir utilizador), 1 ponto , 16:37 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Sejamos coerentes por favor!

Se ninguém se admira que a mãmã do Zézito com um rendimento declarado de 50 contitos ... perdão ... 250 euritos por anos (conforme li nos jornais), compre A PRONTO um apartamentozeco no exclusivíssimo Heron Castilho ...

Porque raio dão tanta atenção ao Bentleyzinho do Titio?

Não vêm que assim, estão declaradamente a imiscuir-se na vida pessoal e privada do 1º Ministro? Não se apercebem que assim, estão descaradamente a ofender familiares seus num ataque pessoal inaceitável num Estado de Direito? Não vislumbram que assim, participam mesmo que inadvertidamente nessa suja campanha negra que desde 2004, o persegue sistemáticamente?

Caríssimos, deixemos os apartamentos, os bentleys, os armanis, os safaris, etc, etc de lado, pois são coisas que pelos vistos qualquer pensionista tem ao seu alcance, e concentremo-nos no que é verdadeiramente importante.

Parafraseando um notável do futebol:

  "Deixem o Zézinho jogar!!!"
 
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Uma paródia de A Academia da Polícia (parte V)
Geraldo Sem Favor (seguir utilizador), 1 ponto , 17:11 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
.
 
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Tanta má lingua ...
cé?tico (seguir utilizador), 1 ponto , 17:14 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Será inveja?
 
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    será inveja???...só pode    Ver comentário
TARZANTABORDA (seguir utilizador), 1 ponto , 18:20 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Eu admirava-me era se fosse ao contrário.
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 17:19 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
E vamos caminhando cada vez mais para o esquecimento do caso freeport. Vai ficar provado que ninguém viu nada, ninguém recebeu nada, ninguém fez nada...
 
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    Re: Eu admirava-me era se fosse ao contrário.    Ver comentário
Brilhantina (seguir utilizador), 1 ponto , 17:22 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
haverá notas?
userEX142488 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:11 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Gostava de ver o (Engº?) Sócrates a dizer que o tio não recebeu notas.
Gostava de ouvir a Drª M. F. Leite a declarar que as notas recebidas não foram a título de luvas.
Gostava de ver o PGR a declarar que todos estes assuntos estão sob a investigação da justiça.
Deste modo, saberemos de que o(s) culpado(s) entregarão cinco mil euros ao estado (pretensamente) Português.
Viva a democracia, viva Sócrates!
 
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TITULO: Porquê ao TIO e não ao JULIO MONTEIRO?
Santropez (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Acho o titulo manipulador da opinião publica o que leva muita gente a comentar o Socrates e não o Julio Monteiro que é o que está em causa nesta noticia.

Socrates, são outras conversas.....

Além disso, aqueles que acham que não podemos fazer um julgamento popular a Dias Loureiro e esperar serenamente pela investigação e tribunais, também devem achar o mesmo sobre Julio Monteiro

 
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Viciado
flyboy (seguir utilizador), 1 ponto , 19:05 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Com uma directora de Pj que já parte do princípio de que um suspeito nada tem a ver com o crime,o caso está viciado.
 
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haverá alguém...
B l u e S k y (seguir utilizador), 1 ponto , 19:17 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
...que acredite na justiça em Portugal?
só se for em dia de carnaval.
 
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Segredo de justiça, qual segredo?
zezitofreeport (seguir utilizador), 1 ponto , 19:25 | Terça feira, 24 de fevereiro de 2009
Que respeito nos deve merecer uma Justiça que viola descaradamente as próprias regras que deveria fazer cumprir.

Quem sai beneficiado com este julgamento em praça pública? Portugal não é, seguramente.
 
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Arquive-se
doctorcj (seguir utilizador), 1 ponto , 0:41 | Quarta feira, 25 de fevereiro de 2009
Mandem de lá mais uma multa para um desses tipos e não se fala mais nisso. O Bragaparques pode funcionar como jurisprudencia, a malta manda mais uns palpites, zanga-se um bocado e pronto fica tudo na santa paz do senhor e mais barato ao erário público. Dediquemo-nos a falar da crise que sempre vai dando pano para mangas. O circo continua.........só não sei quem devemos mandar para a rua.....já são tantoooooooos
 
 
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