O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, revela que nunca na vida conheceu um despacho igual ao do caso Freeport. Numa entrevista publicada hoje no "Diário de Notícias", o magistrado garante que não encontra explicações credíveis para não ter sido ouvido quem quer que seja.
Pinto Monteiro é claro ao afirmar que os procuradores, nestes últimos seis anos de investigação, podiam ter ouvido quem quisessem, como e onde quisessem, não havendo motivos para que o primeiro-ministro não tenha sido questionado.
As críticas de Pinto Monteiro estendem-se ao sindicato dos magistrados do Ministério Público. O PGR acusa o sindicato de tentar substituir as instituições, afirmando que não é mais que um lobby de interesses pessoais que quer funcionar como "um pequeno partido político".
Pinto Monteiro lembra que é urgente decidir se o Ministério Público deve ser autónomo ou se se mantém o atual estado em que o PGR tem tão poucos poderes que "parece a rainha de Inglaterra".
Entretanto, o PGR nomeou um inspetor para explicar o que se passou na investigação do Freeport.