O presidente da Impresa
disse hoje no Parlamento considerar que houve um plano do Governo para enfraquecer os grupos privados de comunicação social e que acredita que o Executivo teve conhecimento prévio do negócio PT/TVI.
"Penso que houve [um plano] por parte deste Governo para enfraquecer os [grupos] privados", disse Francisco Pinto Balsemão, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura sobre liberdade de expressão.
O plano começou "com a produção de legislação com vista a determinados efeitos", referiu, defendendo que existem alguns meios que podem combater a situação.
Desde logo, afirmou, é preciso "saber quem são os proprietários dos media" porque "é muito importante a transparência".
"Quantos projetos editoriais conhecemos que não têm possibilidade de sobrevivência e que são mantidos por investidores que, eventualmente, têm objetivos de exercer influência para ganharem dinheiro noutros mercados", questionou.
"Outro instrumento muito importante são os conselhos de redação", defendeu, explicando que, quando nomeia um diretor editorial, "interessa-me ter um conselho de redação" até porque "se vir que aquela redação, não quer aquele diretor, ele não conseguirá dirigir".
Também "os códigos de conduta jornalística são muito importantes" porque "é algo que está publicado e que os nossos leitores, espetadores e leitores online podem brandir contra nós".
Pinto Balsemão está a ser ouvido pela comissão parlamentar sobre um alegado plano do Governo para controlar a comunicação social, nomeadamente através da compra da TVI pela Portugal Telecom a fim de afastar José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, tidos como contrários ao Governo.
"É minha convicção que a PT não avançaria sem conhecimento do primeiro ministro", disse, acrescentando, no entanto, que José Sócrates afirmou não ter tido conhecimento e que, "neste momento, não temos provas do contrário".
"O público é um grande aliado do jornalismo de qualidade", concluíu.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a
clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.
Calendário das audições
Dia 17
15h00 - José Manuel Fernandes (ex-Director do Público)
16h45m - Mário Crespo (Jornalista da SIC)
Dia 18
15h00 - António Costa (Director do Diário Económico)
16h45m - Alberto Arons de Carvalho, ex-deputado do PS e professor de comunicação social
Dia 19
10h00 - Felícia Cabrita (Jornalista do Sol)
11h30m - Armando Vara
Dia 24
15h00 - Henrique Monteiro (Director do Expresso)
16h45 - Paulo Penedos, advogado
Dia 25
15h00 - João Maia Abreu ( Ex-Director de Informação da TVI)
16h45 - Rui Pedro Soares (ex- Administrador da Portugal Telecom)
Dia 26
10h00 - José António Saraiva (Director do Semanário "Sol")
Dia 2 de Março
16h45m - Bernardo Bairrão (Administrador Delegado da Media Capital)
Dia 3 de Março
15h - Manuela Moura Guedes (Jornalista da TVI)
16h45m - Dr. Francisco Pinto Balsemão (Presidente do Conselho de Administração do Grupo Impresa)
Dia 4 de Março
15h - Alfredo Maia (Presidente do Sindicato dos Jornalistas)