O líder do Bloco de Esquerda exclui a possibilidade de fazer uma coligação ou de celebrar um acordo de incidência parlamentar com o PS, dizendo em contrapondo que defenderá respostas que tragam soluções à esquerda.
As posições de Francisco Louçã foram transmitidas hoje ao primeiro-ministro indigitado e dadas a conhecer aos jornalistas no final de uma reunião de duas horas com o José Sócrates, em São Bento.
Acompanhado pelos dirigente bloquistas Luís Fazenda e Ana Drago, Francisco Louçã referiu que, face à pergunta do primeiro-ministro indigitado sobre uma eventual disponibilidade do Bloco de Esquerda para uma coligação ou um acordo de incidência parlamentar, deu a mesma resposta que já tinha transmitido na última campanha eleitoral.
"Não há condições"
"O Bloco de Esquerda, considerando o mandato que recebeu dos eleitores para a constituição de uma esquerda de alternativa e para trazer ao Parlamento propostas que enfrentem o núcleo decisivo da crise económica e seus efeitos sociais, e pelas diferenças óbvias em relação às grandes escolhas que o Governo e o PS têm feito ao longo do tempo, (conclui que) não há condições para qualquer forma de coligação", declarou Louça à saída da reunião.
Segundo Francisco Louçã, o Bloco de Esquerda terá "um sentido elevadíssimo de mobilização para respostas que à esquerda possam trazer soluções". "Queremos soluções para uma Segurança Social financiada publicamente e que permita responder à pobreza e à desigualdade; soluções para o emprego e combate à precariedade; e soluções para as questões económicas e sociais, que são o problema decisivo de umpaís que está recessão e em crise há tanto tempo", acrescentou o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
Francisco Louçã frisou depois que o Bloco de Esquerda apreciará "cada medida, cada proposta e cada solução de qualquer partido e, naturalmente, do Governo pelo seu valor e por um único critério: saber se dá um contributo para melhorar a vida dos nossos vizinhos, dos desempregados e dos mais pobres"
Esta tarde, José Sócrates termina o ciclo de reuniões com os partidos representados na Assembleia da República, acolhendo em São Bento uma delegação do PCP, comandada pelo secretário-geral Jerónimo de Sousa.