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França recusava o turismo mas arrisca ir mais cedo de férias

Blanc queria manter a concentração mas a sobranceria é um pecado mortal. A Suécia, qual tartaruga, ultrapassou a lebre do grupo e mudou as passadas dos gauleses no Euro: Benzema e companhia terão de correr muito mais para eliminarem a candidata Espanha nos 'quartos'.
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Aquele que é provavelmente o melhor golo do Euro até agora: um pontapé acrobático de Ibrahimovic
Aquele que é provavelmente o melhor golo do Euro até agora: um pontapé acrobático de Ibrahimovic /  Getty
Ibrahimovic disse adeus ao Europeu em grande
Ibrahimovic disse adeus ao Europeu em grande / Getty

Erik Hamren tinha avisado: "Não temos nada a perder mas sobra muito para ganhar". A Suécia estava eliminada, recusou o papel de figurante e colocou a França no plano secundário do grupo D. Ou seja, no segundo lugar, aquele a que todos queriam fugir para não cruzar com a Espanha.

E só quem não viu o jogo poderá ter ficado surpreendido com o 2-0 final. A França esteve bem no plano téorico - "Não vamos fazer turismo", dizia o técnico Laurent Blanc na véspera - mas péssima na ação prática: entrou de salto alto e, quando queria voltar à à sola rasa para dar corda aos sapatos, era demasiado tarde. Nem com os ténis (e as pernas) de Usain Bolt conseguiriam agarrar Ibrahimovic e companhia...

O MINUTO 54', o golo de Ibrahimovic. Provavelmente, um dos melhores golos do Euro. Provavelmente, de um dos melhores avançados do Euro. De certeza, pelo único jogador com 1,93m capaz de apanhar de primeira um cruzamento tenso da direita para lançar um míssil à baliza com um acrobático pontapé de moínho 

O MOMENTO A entrada em campo. Não pela disposição tática ou pela disponibilidade física mas pela forma (distinta) como cada equipa encarou o encontro: a Suécia mais solta e aventureira; a França mais presa e sobranceira. E foi aqui que esteve a chave do encontro  

O HERÓI Larsson, o semi-desconhecido médio do Sunderland (que, no ano passado, até desceu à 2.º Divisão inglesa com o Birmingham) que parece ter guardado todo o futebol para o último encontro com um golo e uma assistência. E como a última imagem é sempre aquela que fica, pode estar a caminho o Euromilhões para o médio de 27 anos... 

A ESTRELA Lloris, que mais do que um capitão foi o único líder capaz de impedir que a França saísse do Olímpico de Kiev com uma pesada goleada. Isaksson, o homólogo sueco, também foi um gigante (na exibição, porque no resto ter dois metros ajuda muito), mas o guarda-redes francês fez três intervenções espetaculares que adiou o segundo golo dos escandinavos até ao período de compensação  

O JOKER Wilhelmsson. A Suécia já tinha estado melhor na primeira parte mas foi a entrada do extremo que revolucionou por completo o encontro. A idade não perdoa mas, aos 32 anos, merecia não estar relegado ao campeonato do Qatar. E merecia, já agora, não ter sido sempre relegado para o banco por Erik Hamren... 

O VILÃO Mexès, o central que Laurent Blanc queria que servisse de inspiração a Rami mas que acabou por ser um reflexo de tudo o que um jovem defesa não deve fazer: entradas fora de tempo, cortes em falso (Toivonen atirou ao poste num lance assim) e falta de sangue frio para, sabendo que estava 'tapado', evitar cartões. E assim ficará de fora no decisivo encontro com a Espanha 

O SEGREDO O ataque sueco andou sempre envolvido em experiências: primeiro jogou Rosenberg e a coisa correu tão mal que o próprio Ibrahimovic pediu ao treinador para mudar; a seguir entrou Elmander mas o avançado que fraturou o pé um mês e meio antes do Euro acabou por vacilar de novo ao terror das lesões; por fim, a aposta recaiu em Toivonen e à terceira foi de vez - Ibra teve um parceiro à altura... 

O ERRO Ménez tinha sido uma das melhores unidades da França frente à Ucrânia mas voltou a ser relegado para o banco em detrimento de Ben Arfa. E mal, como se viu com o passar dos minutos: só mesmo quando entrou é que os gauleses tiveram alguma reação. É que jogar com a Suécia é uma coisa, enfrentar agora com a Espanha é outra... 

O NÚMERO 1. Ibrahimovic tornou-se o primeiro jogador da história do futebol a marcar mais do que um golo em três edições do Euro, ao mesmo tempo que se aproximou do registo de Michel Platini e Alan Shearer em fases finais. Não existem vitórias morais mas o sueco já ganhou um junto prémio na passagem pela Ucrânia. E contribuiu também para a primeira derrota de França nos últimos 24 jogos. É obra!  

O ACONTECIMENTO Foi o primeiro encontro do Euro precedido de um minuto de silêncio, em homenagem ao apresentador desportivo televisivo Thierry Roland, que era amigo de Michel Platini. Nas bancadas, a convite da UEFA, está um grupo de crianças do centro de reabilitação de Chenobyl - uma parte social do Euro que se deve aplaudir 

O AMANHÃ A Suécia já tinha as malas feitas mas regressa a casa de cabeça levantada e deixando para a Rep. Irlanda e para a Holanda o 'título' de únicas equipas incapazes de somar pontos em 2012; já a França brincou com o fogo e pode queimar-se: apanha a Espanha no duelo mais escaldante dos 'quartos' 

FICHA DE JOGO Estádio Olímpico de Kiev (Ucrânia). Árbitro: Pedro Proença (Portugal). Suécia: Isaksson; Mellberg, Granqvist, J. Olsson, M. Olsson; Larsson, Svensson (Holmen, 78'), Kallström, Bajrami (Wilhelmsson, 46'); Toivonen (Wembloom, 78') e Ibrahimovic. Treinador: Erik Hamren. França: Lloris; Debuchy, Rami, Mexès, Clichy; M'Vila (Giroud, 83'), Diarra; Ben Arfa (Malouda, 59'), Nasri (Ménez, 77'), Ribery e Benzema. Treinador: Laurent Blanc. Golos: 1-0, Ibrahimovic (54'); 2-0, Larsson (90+1'). Cartões amarelos: Mexès (68'), Svensson (71') e Holmen (81')   


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