França e Alemanha com juros em mínimos históricos
Os juros dos títulos alemães a 2, a 3 e a 5 anos fecharam hoje em mínimos desde a adesão à moeda única. No caso dos títulos franceses, fecharam em mínimos nos prazos a 2, a 3, a 5 e a 10 anos.
A divisão dentro dos quatro países do núcleo duro da zona euro - Alemanha, França, Itália e Espanha - agrava-se de dia para dia, tomando em linha de conta o sentimento dos investidores na dívida revelado pelos movimentos das yields no mercado secundário dos títulos soberanos, segundo dados da Bloomberg.
Hoje, as yields (juros) dos Bunds, os títulos alemães, fecharam no mercado secundário em novos mínimos históricos, desde a adesão ao euro, nos prazos a 2, a 3 e a 5 anos. No caso dos bilhetes do Tesouro emitidos pela Agência do Tesouro francês - designados por BTAN e OAT (acima de 5 anos) -, os mínimos históricos nos juros verificaram-se nos prazos a 2, a 3, a 5 e a 10 anos, e inclusive a 7 anos, que é a média das maturidades da dívida francesa.
Assumir perdas na compra de dívida
Os juros dos Bunds a 2 e a 3 anos fecharam em valores negativos, os mais baixos ocorridos desde a adesão ao euro: -0,055% e -0,016% respetivamente. Ou seja, os investidores internacionais, nestes casos, assumem perdas nominais (e, ainda maiores, em termos reais), por tomar dívida alemã, que, a par dos títulos do Tesouro norte-americano e dos títulos franceses e suíços, são considerados valores de refúgio.
Os títulos do Tesouro suíço a 3 e a 5 anos estão, também, em valores negativos ainda mais baixos do que no caso alemão, tendo fechado em -0,247% e -0,004% respetivamente.
No caso dos BTAN franceses, os juros nos prazos a 2 anos fecharam próximo de 0%, mais ainda em terreno positivo, em 0,079%, e no prazo a 3 anos em 0,284%.
Nos prazos mais longos, os juros dos Bunds marcaram novo mínimo histórico na maturidade a 5 anos, fechando em 0,283%, e baixaram para 1,232% na maturidade a 10 anos. Neste prazo, os juros dos Bunds estão inclusive abaixo dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano que se situavam, ao final da tarde, em 1,447%. Os BTAN fixaram novos mínimos nos prazos a 5 anos, fechando em 0,832%, e a 10 anos, fechando em 2,147%. No prazo a 7 anos, que é a média das maturidades da dívida francesa, os juros fixaram novo mínimo em 1,478%.
Juros em Espanha reaproximam-se dos 7%
Em contraste, os juros das obrigações espanholas (OE) e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) fecharam a subir em todas os prazos. Na maturidade a 10 anos, os juros das OE subiram para 6,82%, prosseguindo uma subida de aproximação à linha vermelha dos 7%, e os juros dos BTP fecharam em 6,11%. Os juros das OE são hoje em dia, nas várias maturidades, superiores aos verificados, no mercado secundário, para os títulos irlandeses, nomeadamente nos prazos a 2 e a 9 anos.
Olhando para os prémios de risco da dívida espanhola e italiana, medindo o diferencial de juros no prazo a 10 anos em relação aos Bunds alemães, verificamos que subiu hoje para 5,58 pontos percentuais no caso de Espanha e 4,88 pontos percentuais no caso de Itália. Em termos de comparação, o prémio de risco da dívida portuguesa subiu ligeiramente para 9,27 pontos percentuais.
Leilões a seguir
Esta semana vão decorrer emissões de dívida em Espanha - amanhã, nos prazos a 12 e 18 meses, e na 5ª feira OE a 2, a 5 e a 7 anos -, França - na 6ª feira, BTAN a 3, a 4 e 5 anos, e OAT (obrigações assimiláveis do Tesouro francês) a 10 e 28 anos, e Alemanha - Bunds a 2 anos na 4ª feira. Portugal realizará um leilão de dívida a 6 e 12 meses na 4ª feira.



