20 de maio de 2013 às 15:24
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FMI vai "monitorizar" austeridade de Itália

Durão Barroso e Van Rompuy confirmam que a Itália vai ser "monitorizada" trimestralmente pelo Fundo Monetário Internacional. Um primeiro passo para "retirar" o país da bota do foco dos mercados da dívida

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, confirmaram em conferência de imprensa ao final da manhã, no âmbito dos trabalhos finais do G20 em Cannes, o que fonte europeia havia adiantado de madrugada. A Itália aceitou ser "monitorizada" trimestralmente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no que respeita à implementação do seu programa de austeridade e de reformas estruturais.

A Comissão Europeia e o FMI avançarão com relatórios sobre a situação, em particular sobre três pontos críticos, a alteração das reformas, a flexibilização do emprego e as privatizações.

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, confirmou que os relatórios do fundo sobre a Itália serão públicos e foi anunciado que ela se deslocará àquele país ainda antes do final do mês.

FMI e UE em Roma na próxima semana


Missões das duas entidades partirão para Roma na próxima semana. Van Rompuy sublinhou, na conferência de imprensa, que não se tratou de um diktat ao governo de Berlusconi, mas que este agiu de por sua iniciativa ao convidar o FMI. No entanto, referiu que é obrigação da União Europeia avaliar de "um modo detalhado" as decisões tomadas pelo governo italiano e a sua implementação.

Este poderá ser um primeiro passo para retirar a Itália do foco dos mercados da dívida.

As palavras de Barroso e Van Rompuy confirmaram o que já era uma evidência: além da crise grega, a Itália foi um tema capital na reunião do G20.

Il Cavalieri poderá cair nos próximos quinze dias


A "intervenção suave" do FMI em Itália surgiu, durante esta cimeira do G20 em Cannes, como resposta ao desencanto da chanceler Angela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarbozy sobre o comportamento do governo italiano chefiado por Sílvio Berlusconi. Sarkozy teria mesmo colocado em dúvida a "credibilidade política" do Il Cavalieri.

Para além da crise política grega - já batizada de "Papandemónio" ou "Papantomina" -, o jornal francês Le Figaro refere que a principal preocupação em Cannes é com a Itália. Os 20 estudariam uma espécie de "parede corta-fogo" para proteger Itália e também Espanha, envolvendo o Fundo Europeu de Estabilização Financeira e o FMI.

Na próxima semana ou no máximo nos próximos 15 dias, o Parlamento italiano votará disposições orçamentais com novas medidas de austeridade e de reformas estruturais e o desfecho da votação é, ainda, uma incógnita, podendo funcionar como um voto de confiança ou o despedimento do primeiro-ministro.

Juros a 10 anos em máximo ontem


Apesar de uma alegada intervenção do Banco Central Europeu no mercado secundário da dívida soberana, ao abrigo do seu programa de compra de títulos (conhecido pelo acrónimo SMP), já na vigência da nova presidência de Draghi, as yields (juros implícitos) dos títulos do Departamento do Tesouro italiano a 10 anos mantêm-se, hoje, na abertura, acima de 6% no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg. Ontem atingiram durante o dia um máximo histórico de 6,4%. Durão Barroso referir-se-ia, aliás, na conferência de imprensa, a este número como um "facto objectivo" das duvidas dos mercados financeiros.

A probabilidade de incumprimento da dívida italiana baixou dos níveis de alarme de ontem (quando o preço dos credit default swaps ligados á dívida italiana ascendeu a mais de 525 pontos base), mas mantém-se elevada em 33,5%, com o país a conservar o seu lugar - o 8º - no "clube da bancarrota" (o TOP 10 dos países com maior risco de default), segundo dados da CMA DataVision.

 

 

Comentários 1 Comentar
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Mais uma farsa.
o cujo é da confiança do FMI, logo irá abrandar o possivel a Berlusconi
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