A Fitch afirmou hoje que o risco de derrapagens nas metas orçamentais que Portugal está obrigado a cumprir é grande e considera mesmo que podem ser necessárias medidas adicionais em 2012 devido à situação financeira das empresas públicas.
"O risco de derrapagem -- quer de piores desenvolvimentos macroeconómicos ou de insuficiente controlo da despesa -- é grande", diz a agência no mesmo comunicado em que anuncia o corte do 'rating' de Portugal para 'lixo'.
Entre os riscos apontados está também a situação financeira das empresas públicas, que a agência considera poder obrigar Portugal a tomar mais medidas adicionais de consolidação durante o próximo ano.
"As empresas públicas são outro fator de risco orçamental e têm sido responsáveis por várias revisões em alta dos números do défice e da dívida no passado ano. Dados estes riscos, a Fitch vê uma significativa probabilidade de mais medidas de consolidação serem necessárias durante o ano de 2012", diz.
A Fitch diz que está a trabalhar com um cenário base onde espera que a dívida pública portuguesa aumente de 93,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2010, para cerca de 110 por cento do PIB no final deste ano, um salto superior a 16 pontos percentuais do PIB em apenas um ano, atingindo um pico máximo de 116 por cento no final de 2013.
No entanto, a agência elogia a proposta de Orçamento do Estado para 2012, considerando que a proposta está "bem desenhada e baseada em
expetativas razoáveis quanto à evolução do PIB", diz que esta contem cortes de despesa significativos, de onde sublinha os cortes nos subsídios de natal e férias da Função Pública e pensionistas.
Neste sentido, a agência espera que Portugal consiga atingir as metas orçamentais com que se comprometeu para o próximo ano, de 4,5 por cento do PIB deixando o alerta para os desenvolvimentos que podem colocar estas metas em causa.
Para este ano, a expetativa da agência é que a meta de défice orçamental de 5,9 por cento estabelecida no acordo com a 'troika', também seja atingida, lembrando no entanto que este só será atingido com recurso a medidas extraordinárias e irrepetíveis, com destaque para a transferência dos fundos de pensões da banca para a Segurança Social.