Só quando o dia nasce é que quem está a correr as 24 Horas TT de Fronteira (disputadas, este ano, entre 27 e 29 de Novembro) percebe a quantidade de gente que está acampada à volta dos 17 km do circuito. São tendas, carrinhas, fogueiras, assadores e, no caso de alguns espectadores mais sofisticados, até máquinas de tirar cerveja.
Toda esta multidão saúda entusiasticamente os concorrentes que fazem a última volta, este ano cerca de dez minutos antes da uma da tarde. Os comissários, distribuídos ao longo do percurso, mal recebem pela rádio a informação que já foi dada a bandeira de chegada, agitam as bandeiras de várias cores, até então usadas para comunicar com os concorrentes.
É, de facto, um momento de grande emoçao para quem tenha conseguido aguentar as 24 horas de corrida. Segue-se o tradicional desfile até ao pódio, com pilotos, mecânicos e amigos encarrapitados nos carros que, depois de terem sofrido noite e dia, já parecem incapazes de suportar esta nova provação. Foi aí que o público pôde ver mais de perto os carros que esteve 24 horas a ver passar, desde os buggies artesanais mas muito rápidos dos concorrentes franceses até um Hummer e alguns protótipos de dimensões impressionantes que nem parecem caber nas zonas mais estreitas da pista.
Este ano a prova, organizada pelo ACP, teve uma novidade: a possibilidade de os pilotos levarem "penduras" para dar algumas voltas, desde que possuíssem licença desportiva e estivessem equipados com capacete, fato ignífugo, etc. É interessante para quem nunca viu uma prova por dentro e, para os turnos das quatro da manhã, ter mais um ser vivo dentro do carro, mesmo que fale pouco, é uma grande ajuda.
O nosso esforçado Nissan Patrol lá se aguentou a mais umas 24 Horas e lá terminámos em 44º (classificaram-se mais dez concorrentes de um lote inicial de 70). Felizmente e ao contrário do referido na crónica anterior, o princípio de incêndio no buggy da equipa luso-francesa de Mário Andade não teve consequências de maior, não comprometendo uma merecida vitória. Se alguns portugueses ilustres, de Carlos Sousa a Pedro Lamy, ficaram pelo caminho, no lugar mais baixo do pódio falou-se português: João Pais, João Rato, Francisco Cabral e António Pais terminaram em terceiro lugar com uma pick-up diesel Mazda BT-50.