Ninguém sabe exactamente o que disse o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, ao filho, também Luís, quando este lhe disse que iria ser candidato a deputado pelo PSD. Mas não terá ficado muito contente. Sabe-se que Fernando Reis, presidente da Câmara de Barcelos, não escondeu o desagrado por ver o filho, Nuno, dar-lhe a mesma notícia. A verdade é que ambos os autarcas não se podem queixar de ter sido apanhados de surpresa: apesar de ainda jovens Luís (28 anos) e Nuno (30 anos) há muito que namoravam a vida política.
Também Carlos Encarnação, presidente da Câmara de Coimbra, não pode dizer que não previa a candidatura do seu filho Nuno (36 anos) na lista do PSD. "Ele gosta da política desde os tempos da Jota, ao contrário da irmã, que nunca ligou a isto". E muito menos se pode queixar Bernardino Vasconcelos, presidente da Câmara da Trofa, cujo filho Tiago (39 anos) é o 16º da lista pelo Porto.
Luís Menezes foi escolhido pela secção de Gaia. Concorre em sétimo lugar, perfeitamente elegível, e obteve 90% dos votos da secção quando foi indicado. Nuno Reis também vai em lugar elegível pela lista de Braga. Antes de se meterem nestas candidaturas, como geralmente fazem os filhos, ouviram a opinião dos pais. Mas como também geralmente fazem os filhos, não deram grande importância à opinião dos pais.
"Permita-me que não lhe repita o que me disse o meu pai", pediu ao Expresso Luís Menezes, "só lhe digo que, para além do conselho, ele me mostrou os prós e os contras. E ele conhece bem ambos". Nuno Reis explicou que o pai preferia que ele continuasse na sua vida profissional. Uma posição que coincide com a de Carlos Encarnação, que diz que educou os filhos para primeiro tratarem das suas vidas. "Para que o meu pai não fique preocupado, tenciono não largar completamente os afazeres profissionais", confessa Tiago Vasconcelos, que já anda na política activa há 20 anos e se tinha candidatado ao Parlamento nas últimas legislativas, em lugar não elegível.
Em nenhum dos casos, estes jovens candidatos precisavam da política para viver. Todos têm formação superior e ocupam lugares confortáveis em empresas de sucesso.
Texto publicado na edição do Expresso de 8 de Agosto de 2009