Depois de demitir esta semana alguns governantes, Raul Castro deu a conhecer a sua equipa, formada por figuras emergentes e muito vinculadas ao Exército, seja como oficiais no activo ou por estarem muito próximas ao Presidente cubano.
O antigo líder de Cuba, Fidel Castro, por sua vez, tenta pôr fim aos rumores de que os "homens de Fidel" foram substituídos pelos "homens de Raul".
Nas suas habituais "Reflexões" publicadas ontem no site do jornal "CubaDebate", o líder cubano enfatiza que os que foram afastados do Conselho de Ministros não tinham sido escolhidos por ele, tendo chegado aos cargos "por proposta de outros companheiros do Partido ou do Estado". "Não me dediquei nunca a esse ofício", acrescenta.
Fidel vai mais longe e critica os destituídos Felipe Perez Roquem, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, e José Luiz Rodrigues, que tinha a pasta da Economia, por seu "papel indigno" provocado pela "ambição".
Diz, também, que o seu irmão Raul Castro consultou-o antes de nomear os novos ministros, "embora não exista nenhuma norma que o obrigasse a isso". l
Raul Castro demitiu mais de uma dezena de responsáveis cubanos, medida que surpreendeu meio mundo, deixando estupefactos sobretudo os próprios cubanos.
Segundo o jornal "El Mundo", a substituição de Pérez Roque por Bruno Rodríguez, com experiência na ONU, está a ser intepretada por alguns como um movimento com vista a um possível diálogo com Washington. Uma interpretação que não reúne, porém, consenso pelo facto de Pérez ter alegadamente excelentes relações com alguns países europeus.
Entretanto, o Presidente dos EUA, Barack Obama, está a preparar o restabelecimento das relações com Cuba, após 50 anos de conflito, confiando no Brasil como mediador para facilitar esse diálogo.
No próximo dia 17, o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva visitará Washington com o objectivo de preparar a cimeira de Trinidad e discutir a possibilidade de incluir o assunto Cuba/EUA na agenda dessa reunião.