25
Anterior
O buraco sem fundo
Seguinte
Os cinco cavacos
Página Inicial   >  Blogues  >  Antes pelo contrário  >  Fica para os outros

Fica para os outros

Os cortes salariais tocam a todos os funcionários públicos. A todos não. Há uma aldeia gaulesa que se pode safar: o Banco de Portugal. Por ordem do BCE, que é firme com todos os Estados, mas amigo dos seus amigos.
|

O Banco de Portugal está a esquivar-se à redução dos salários dos seus funcionários. Diz que essas reduções têm de ser aprovadas pelo Banco Central Europeu. Porque o BCE manda implementar politicas de austeridade mas trata dos seus, pode ser que se safem. É que em vários países que estão a aplicar as medidas mais duras de cortes salariais os bancos centrais foram olimpicamente poupados. E, em geral, o BCE tem exigido que as reduções de salários dos governadores entrem apenas em vigor em novos mandatos. Tão lestos que são a cortar nos outros, tão seguros que são a prescrever estricnina aos pacientes europeus, tão rigorosos que são com os seus próprios direitos adquiridos.

Note-se que o Banco de Portugal não está a fazer nenhuma pressão para ser a primeira instituição pública a fazer os cortes, dando o exemplo do que aconselha aos demais. Está à espera que o BCE diga que não para ser poupado. E isto naquela que é, provavelmente, a instituição do Estado com os mais escandalosos privilégios. Aquela da qual muitos dos principais advogados da sangria salarial em todo o País recebem reformas pornográficas, por vezes resultado de passagens fugazes pelo Banco.

Esta é apenas mais uma história bem reveladora da verdadeira natureza desta crise. Uma história em que o sacrifício é sempre transferido para o vizinho de baixo. Porque esta crise não é apenas financeira. É ética. Aliás, se se lembram como isto começou, a primeira resulta da segunda.


Opinião


Multimédia

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

Todas as ilhas têm a sua nuvem

Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica. Obrigatória para projetos de férias de natureza.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.


Comentários 25 Comentar
ordenar por:
mais votados
Ética e civismo
A ética não passa infelizmente de uma palavra para citar, mas que nunca é incorporada nos comportamentos dos dirigentes do Estado e de outras instituições públicas.

O problema ainda mais grave, quanto a mim, porque não é apenas falta de ética. É também falta de vergonha e de respeito pelos contribuintes.

O outro exemplo actual é o dos magistrados que, além de falta de ética, vergonha e respeito, ainda têm o prazer (só se pode entender assim) de gozar com os contribuintes e de admitir publicamente que interferem na política. E não vi quase ninguém da classe política a indignar-se ou a pedir medidas contra esta gente sem escrúpulos. Nem tão pouco jornalistas ou comentadores. Uns pequenos reparos e chega.

Será que não existe um código deontológico e de responsabilidade cívica que esta gente esteja a violar descaradamente? Que seja justa causa para despedimento ou, no mínimo, congelamento de carreiras?

Com tantos milhões de leis e de regulamentos, será que não existe uma norma que vigie esta falta de escrúpulos e que permita a aplicação de sanções exemplares?

Não acredito, mas se calhar, não há mesmo…
Re: Ética e civismo
È como se fosse uma "off shore"
Vitor Constâncio,ex-Governador do Banco de Portugal, sabia que o seu chorudo vencimento,estava protegido por esta espécie de off-shore,uma couraça à prova de qualquer crise nacional.Mesmo assim,deu à sola.antes que alguém se lembrasse desta mordomia.
São as "off-shore" Portuguesas,mesmo nas barbas dos discursos inflamados dos politicos de palanque.
Pobre Povo,que está na fila da sopa.
Re: È como se fosse uma
Barroso tratou da vidinha
Re: È como se fosse uma
Esta democracia
É rica em condimentos, então os exemplos esses é de bradar aos céus, pobre povo que continua a ser explorado.
Falavam dos outros, estes são bem piores.
É a Lei, ó Daniel Oliveira
O General Ramalho Eanes, tinha direito a uma certa reforma em acumulação. Provou-se em Tribunal, mas... ele prescindiu da dita por entender não ter ÉTICAMENTE, direito à mesma.

Ouvi eu - ninguém me contou - você no "Eixo do Mal", perante o elogio de outros, declarar que não considerava nada de elogioso, porque se ele tinha DIREITO, estava no seu DIREITO receber.

Talvez para evitar comentar a reforma acumulada com a da Assembleia da República por parte do seu candidato “é-preciso-é-mais-esquerda-Alegre”. Reforma que ele recebe por não trabalhar durante mais de trinta anos num organismo público. Organismo que, pelos vistos, sempre pagou para a Caixa. Quer dizer, NÓS sempre pagamos os descontos de Manuel Alegre.

Sim, acho mal que o BCE não permita a redução de salário no BP, mas o BCE – que eu saiba – ainda não disse nada.

Este texto, serviu só para realçar o seu “duplipensar”: numas coisas parece uma virgem escandalizada, noutras, o Legalismo sobrepõe-se.

Mas cada um, é como é…
Greve aos impostos por um ano !
Se o Povo deixasse de ser a carneirada que é, um rebanho submisso guardado por cães de fila dos banqueiros e dos políticos, em vez de andar aos berros nas ruas para os quais os governantes se estão nas tintas, deveriam é fazer greve aos impostos por um ano.
Isso sim, seria uma medida inteligente e que colocaria os políticos em sentido e atentos às necessidades do Povo num ápice.
Esta gente sem escrúpulos só conhece a linguagem do dinheiro. Tirem-lhe os euros e veriam como a maioria dos problemas se resolveriam.
Re: Greve aos impostos por um ano !
Re: Greve aos impostos por um ano !
Re: Greve aos impostos por um ano !
Re: Greve aos impostos por um ano !
Re: Greve aos impostos por um ano !
Tem toda a razão
E mais. O nosso ex-Governador ( "o piromano" ) enquanto lá andou a dormir foi responsavel por três incendios ( BCP, BPN e BPP ) e no fim foi premiado com a vice-presidencia do BCE. Devia é ter sido preso por dormir em serviço.
Concordo
Os que deviam dar o primeiro passo
não podem dar o último
Faz o que eu digo ...
e não o que eu faço!
Não é assim .... CHULOS!
Esta é aquela MÁXIMA:
- Somos todos iguais ,mas há uns mais iguais...
O Daniel é mesmo mau!
Então mas acha que estes queridos, habituados a um certo nível de vida merecem sofrer com a crise, sabe Daniel, estas pobres vítimas sofrem tanto ao terem que recomendar medidas austeras, imagino os apertos nos coraçõezitos... Eles fazem muito bem em tentarem escapar à austeridade, claramente não estão habituados, deixem isso para o povão, esse "burro de carga" que aguenta tudo!!!
Bota abaixo!
Estamos perante mais um dos textos ultimamente recorrentes em que se aponta o dedo a tudo e todos indiscriminadamente. Qualquer suposta "classe" que venha afirmar estar contra determinada medida é de imediato enxovalhada e objecto de todos os insultos. Pior, quem critica é frequente fazê-lo da forma demagógica que podemos ver neste texto, ou seja, ao invés de tentar perceber a razão desta ou daquela medida usa termos como "pornográfico", "privilégios" e outros do género. Já foram os professores, os funcionários públicos, os magistrados, agora são os do BdP, amanhã serão outros. Isto só leva a que estejamos sempre contra a "outra classe" desde que não seja a nossa. E independentemente do mérito e rigor do trabalho que os visados façam serão sempre apelidados de privilegiados por comentadores de baixo nível que mais não fazem do que dizer mal de tudo e todos. Já agora gostava de saber se o ilustre opinador também vai ver o seu ordenado cortado. Visto estar no privado estas medidas não se lhe aplicam, motivo para também podermos chamá-lo de privilegiado e afirmar que para si está tudo bem desde que não lhe vão à carteira. É demagógico? É. Injusto? Também. Pense nisso antes de criticar tudo e todos, especialmente quando não tem conhecimento de facto ou moral para o efeito...
Não somos todos iguais

Parece-me que não se tenha uma boa visão das classes pobres no mundo politico e não haja respeito pelas.

Por exemplo os amigos recebem privilégios de parte dos seus amigos e vice-versa.
Talvez valha o provérbio latino: "Do ut dês". Eu dou a fim de receber?
a pouco e pouco...
vão aparecendo as excepções. já foi a acumulação de vencimento público com a pensão para quem lá está, agora são os do BdP, a seguir quem sabe, os juízes? e tudo muito bem justificado a explicar aos pretos do costume porque é que só eles é que não têm direitos adquiridos.
Funcionário do Banco de Portugal.
Caro Daniel Oliveira,

Sou funcionário do BdP, técnico, e tal como os funcionários da Função Publica também tenho as costas largas.

Relativamente à questão ética garanto-lhe que acharia injusto e insensato não cortarem os salários do pessoal do BdP na mesma medida que o farão aos restantes trabalhadores do Estado. Mas ao mesmo tempo aproveito para o informar que a extensão de cortes de que tenho ouvido falar, nos corredores da instituição, está para lá do que é proposto na FP.

Quanto aos "escandalosos privilégios" de que fala, dou-lhe o exemplo de dois amigos meus, com formação e funções comparáveis à minha, que na ultima semana passaram por mim em belos AUDIs dados pelas empresas privadas em que trabalham. E nem sequer são pessoas que precisem de ir a clientes. Eu não tenho privilégios desses. Tenho um carro que paguei do meu bolso, já com 10 anos, e uma casa de duas assoalhadas nos suburbios.

Eu sei que o caro Daniel Oliveira é politico e como tal é natural que se dedique a estas politiquices. Mas para quê especular quando tem tantos assuntos concretos que merecem a sua indignação ?

Cumprimentos.
Demagogia!!
Vamos lá esclarecer os "jornaleiros" que opinam sem conhecimento de causa. O BP é uma centro de receita para o Estado e não um centro de custo! Trocando por miudos, o BP dá dinheiro ao Estado, não sorve dinheiro do Estado. Se a situação é de crise há que tratar o que está mal e não perturbar o que está bem, sendo o que está mal todas os "sorvedores" de dinheiro público, a saber: CP, TAP, AR, Empresas municipais, Autarquias, etc.. Deixo a seguinte pergunta: Se têm um filho que se porta bem e um que se porta mal, para que o que se porta mal mudar você castigaria o que se porta bem? O problema é que as opiniões neste país apenas visam a crítica destrutiva e não visam entender e melhorar!
Comentários 25 Comentar

Últimas

Receba a nova Newsletter
Ver Exemplo

Pub