24 de abril de 2014 às 11:57
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Fica para os outros

Os cortes salariais tocam a todos os funcionários públicos. A todos não. Há uma aldeia gaulesa que se pode safar: o Banco de Portugal. Por ordem do BCE, que é firme com todos os Estados, mas amigo dos seus amigos.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

O Banco de Portugal está a esquivar-se à redução dos salários dos seus funcionários. Diz que essas reduções têm de ser aprovadas pelo Banco Central Europeu. Porque o BCE manda implementar politicas de austeridade mas trata dos seus, pode ser que se safem. É que em vários países que estão a aplicar as medidas mais duras de cortes salariais os bancos centrais foram olimpicamente poupados. E, em geral, o BCE tem exigido que as reduções de salários dos governadores entrem apenas em vigor em novos mandatos. Tão lestos que são a cortar nos outros, tão seguros que são a prescrever estricnina aos pacientes europeus, tão rigorosos que são com os seus próprios direitos adquiridos.

Note-se que o Banco de Portugal não está a fazer nenhuma pressão para ser a primeira instituição pública a fazer os cortes, dando o exemplo do que aconselha aos demais. Está à espera que o BCE diga que não para ser poupado. E isto naquela que é, provavelmente, a instituição do Estado com os mais escandalosos privilégios. Aquela da qual muitos dos principais advogados da sangria salarial em todo o País recebem reformas pornográficas, por vezes resultado de passagens fugazes pelo Banco.

Esta é apenas mais uma história bem reveladora da verdadeira natureza desta crise. Uma história em que o sacrifício é sempre transferido para o vizinho de baixo. Porque esta crise não é apenas financeira. É ética. Aliás, se se lembram como isto começou, a primeira resulta da segunda.

Comentários 25 Comentar
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Ética e civismo
A ética não passa infelizmente de uma palavra para citar, mas que nunca é incorporada nos comportamentos dos dirigentes do Estado e de outras instituições públicas.

O problema ainda mais grave, quanto a mim, porque não é apenas falta de ética. É também falta de vergonha e de respeito pelos contribuintes.

O outro exemplo actual é o dos magistrados que, além de falta de ética, vergonha e respeito, ainda têm o prazer (só se pode entender assim) de gozar com os contribuintes e de admitir publicamente que interferem na política. E não vi quase ninguém da classe política a indignar-se ou a pedir medidas contra esta gente sem escrúpulos. Nem tão pouco jornalistas ou comentadores. Uns pequenos reparos e chega.

Será que não existe um código deontológico e de responsabilidade cívica que esta gente esteja a violar descaradamente? Que seja justa causa para despedimento ou, no mínimo, congelamento de carreiras?

Com tantos milhões de leis e de regulamentos, será que não existe uma norma que vigie esta falta de escrúpulos e que permita a aplicação de sanções exemplares?

Não acredito, mas se calhar, não há mesmo…
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È como se fosse uma "off shore"
Vitor Constâncio,ex-Governador do Banco de Portugal, sabia que o seu chorudo vencimento,estava protegido por esta espécie de off-shore,uma couraça à prova de qualquer crise nacional.Mesmo assim,deu à sola.antes que alguém se lembrasse desta mordomia.
São as "off-shore" Portuguesas,mesmo nas barbas dos discursos inflamados dos politicos de palanque.
Pobre Povo,que está na fila da sopa.
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Barroso tratou da vidinha Ver comentário
Re: È como se fosse uma Ver comentário
Esta democracia
É rica em condimentos, então os exemplos esses é de bradar aos céus, pobre povo que continua a ser explorado.
Falavam dos outros, estes são bem piores.
É a Lei, ó Daniel Oliveira
O General Ramalho Eanes, tinha direito a uma certa reforma em acumulação. Provou-se em Tribunal, mas... ele prescindiu da dita por entender não ter ÉTICAMENTE, direito à mesma.

Ouvi eu - ninguém me contou - você no "Eixo do Mal", perante o elogio de outros, declarar que não considerava nada de elogioso, porque se ele tinha DIREITO, estava no seu DIREITO receber.

Talvez para evitar comentar a reforma acumulada com a da Assembleia da República por parte do seu candidato “é-preciso-é-mais-esquerda-Alegre”. Reforma que ele recebe por não trabalhar durante mais de trinta anos num organismo público. Organismo que, pelos vistos, sempre pagou para a Caixa. Quer dizer, NÓS sempre pagamos os descontos de Manuel Alegre.

Sim, acho mal que o BCE não permita a redução de salário no BP, mas o BCE – que eu saiba – ainda não disse nada.

Este texto, serviu só para realçar o seu “duplipensar”: numas coisas parece uma virgem escandalizada, noutras, o Legalismo sobrepõe-se.

Mas cada um, é como é…
Greve aos impostos por um ano !
Se o Povo deixasse de ser a carneirada que é, um rebanho submisso guardado por cães de fila dos banqueiros e dos políticos, em vez de andar aos berros nas ruas para os quais os governantes se estão nas tintas, deveriam é fazer greve aos impostos por um ano.
Isso sim, seria uma medida inteligente e que colocaria os políticos em sentido e atentos às necessidades do Povo num ápice.
Esta gente sem escrúpulos só conhece a linguagem do dinheiro. Tirem-lhe os euros e veriam como a maioria dos problemas se resolveriam.
Re: Greve aos impostos por um ano ! Ver comentário
Re: Greve aos impostos por um ano ! Ver comentário
Re: Greve aos impostos por um ano ! Ver comentário
Re: Greve aos impostos por um ano ! Ver comentário
Re: Greve aos impostos por um ano ! Ver comentário
Tem toda a razão
E mais. O nosso ex-Governador ( "o piromano" ) enquanto lá andou a dormir foi responsavel por três incendios ( BCP, BPN e BPP ) e no fim foi premiado com a vice-presidencia do BCE. Devia é ter sido preso por dormir em serviço.
Concordo Ver comentário
Os que deviam dar o primeiro passo
não podem dar o último
Faz o que eu digo ...
e não o que eu faço!
Não é assim .... CHULOS!
Esta é aquela MÁXIMA:
- Somos todos iguais ,mas há uns mais iguais...
O Daniel é mesmo mau!
Então mas acha que estes queridos, habituados a um certo nível de vida merecem sofrer com a crise, sabe Daniel, estas pobres vítimas sofrem tanto ao terem que recomendar medidas austeras, imagino os apertos nos coraçõezitos... Eles fazem muito bem em tentarem escapar à austeridade, claramente não estão habituados, deixem isso para o povão, esse "burro de carga" que aguenta tudo!!!
Bota abaixo!
Estamos perante mais um dos textos ultimamente recorrentes em que se aponta o dedo a tudo e todos indiscriminadamente. Qualquer suposta "classe" que venha afirmar estar contra determinada medida é de imediato enxovalhada e objecto de todos os insultos. Pior, quem critica é frequente fazê-lo da forma demagógica que podemos ver neste texto, ou seja, ao invés de tentar perceber a razão desta ou daquela medida usa termos como "pornográfico", "privilégios" e outros do género. Já foram os professores, os funcionários públicos, os magistrados, agora são os do BdP, amanhã serão outros. Isto só leva a que estejamos sempre contra a "outra classe" desde que não seja a nossa. E independentemente do mérito e rigor do trabalho que os visados façam serão sempre apelidados de privilegiados por comentadores de baixo nível que mais não fazem do que dizer mal de tudo e todos. Já agora gostava de saber se o ilustre opinador também vai ver o seu ordenado cortado. Visto estar no privado estas medidas não se lhe aplicam, motivo para também podermos chamá-lo de privilegiado e afirmar que para si está tudo bem desde que não lhe vão à carteira. É demagógico? É. Injusto? Também. Pense nisso antes de criticar tudo e todos, especialmente quando não tem conhecimento de facto ou moral para o efeito...
Não somos todos iguais

Parece-me que não se tenha uma boa visão das classes pobres no mundo politico e não haja respeito pelas.

Por exemplo os amigos recebem privilégios de parte dos seus amigos e vice-versa.
Talvez valha o provérbio latino: "Do ut dês". Eu dou a fim de receber?
a pouco e pouco...
vão aparecendo as excepções. já foi a acumulação de vencimento público com a pensão para quem lá está, agora são os do BdP, a seguir quem sabe, os juízes? e tudo muito bem justificado a explicar aos pretos do costume porque é que só eles é que não têm direitos adquiridos.
Funcionário do Banco de Portugal.
Caro Daniel Oliveira,

Sou funcionário do BdP, técnico, e tal como os funcionários da Função Publica também tenho as costas largas.

Relativamente à questão ética garanto-lhe que acharia injusto e insensato não cortarem os salários do pessoal do BdP na mesma medida que o farão aos restantes trabalhadores do Estado. Mas ao mesmo tempo aproveito para o informar que a extensão de cortes de que tenho ouvido falar, nos corredores da instituição, está para lá do que é proposto na FP.

Quanto aos "escandalosos privilégios" de que fala, dou-lhe o exemplo de dois amigos meus, com formação e funções comparáveis à minha, que na ultima semana passaram por mim em belos AUDIs dados pelas empresas privadas em que trabalham. E nem sequer são pessoas que precisem de ir a clientes. Eu não tenho privilégios desses. Tenho um carro que paguei do meu bolso, já com 10 anos, e uma casa de duas assoalhadas nos suburbios.

Eu sei que o caro Daniel Oliveira é politico e como tal é natural que se dedique a estas politiquices. Mas para quê especular quando tem tantos assuntos concretos que merecem a sua indignação ?

Cumprimentos.
Demagogia!!
Vamos lá esclarecer os "jornaleiros" que opinam sem conhecimento de causa. O BP é uma centro de receita para o Estado e não um centro de custo! Trocando por miudos, o BP dá dinheiro ao Estado, não sorve dinheiro do Estado. Se a situação é de crise há que tratar o que está mal e não perturbar o que está bem, sendo o que está mal todas os "sorvedores" de dinheiro público, a saber: CP, TAP, AR, Empresas municipais, Autarquias, etc.. Deixo a seguinte pergunta: Se têm um filho que se porta bem e um que se porta mal, para que o que se porta mal mudar você castigaria o que se porta bem? O problema é que as opiniões neste país apenas visam a crítica destrutiva e não visam entender e melhorar!
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