0
Anterior
A Caipirinha Cup
Seguinte
Máquinas Falantes na posse da Câmara de Alcobaça
Página Inicial   >  Blogues  >   Fica bem

Fica bem

Num recanto de Benfica pratica-se boa cozinha portuguesa, das lulas de coentrada ao arroz de vitela barrosã.
|
Fica bem

O objectivo está em Benfica, porém se se disser apenas que é na Travessa do Rio talvez não se saiba bem onde fica, até porque não se supõe qualquer rio para aquelas bandas. Acrescente-se então que, vindo pela Estrada de Benfica ou pela Avenida do Uruguai, se toma a Avenida Gomes Pereira (no primeiro caso virando à esquerda, no segundo seguindo em frente) e nesta volta-se na primeira à direita, que responde por Rua Nina Marques Pereira.

Os automobilizados deverão deixar os popós por aqui, pois ao fundo desta, do lado direito, é que bem fica a quase escondida Travessa do Rio, curta, com trajecto só pedestre até à Estrada de Benfica, debaixo dum prédio em cuja esquina finalmente se vê a tabuleta toponímica. Ora Travessa do Rio porquê? Segundo alguns, lembrança de um curso de água que outrora passava no local e que se manifestou pela última vez aquando das catastróficas cheias de 1967.

Alvo atingido no nº6. Ao lado dos degradados edifícios amarelos do antigo Laboratório de Medicina Veterinária, cá temos o restaurante A Travessa.

Inaugurado em 25 de Abril de 1992, os três sócios fundadores, profissionais de hotelaria, continuam a ser os mesmos e a desempenhar as respectivas funções: o cozinheiro Toni (nome de guerra de António Silva), Arménio Pinto no balcão e Vítor Pinto na sala. Esta como que dividida por dois arcos, chão ladrilhado, paredes com azulejos até dois terços e o resto branco guarnecido de gravuras, loiças, recortes e candeeirinhos, dois balcões laterais, mesas em que apenas o papel da toalha de cima destoa, num ambiente por assim dizer familiar.

A lista das comidas, de orientação esmagadoramente portuguesa, tem o sector variável e o fixo. Exemplo de Pratos do Dia: "arroz de tamboril com gambas" (€12,50), "safio à marinheira" (€10) e "espadarte à espanhola" (€10,50); "presa de pata negra com salada russa" (€11), "arroz de vitela barrosã com cogumelos frescos" (€11), "naco de vitela barrosã no forno" (€11), "plumas de porco preto no churrasco" (€11) e "língua de vitela guarnecida (€9).

Em outro dia, apareceram "bacalhau à Dr. Guimarães" (€13), "filetes de peixe-galo com açorda de ovas" (€16,50) e repetiu o discutível safio; surgiram "dobrada com feijão branco" (€9,50), "carne de porco preto com gambas" (€11), "bochechas de porco preto à Beira" (€11) e reapareceram arroz de vitela e naco de vitela. A única promessa de pratos em dia específico é a de cabrito assado e/ou pá de cordeiro assada, aos domingos. Quanto à parte fixa da lista, contam-se 13 Entradas, 2 Sopas, 6 Mariscos, 5 Peixes e 6 Carnes (bifalhada e parentela).

Nótulas de prova. Supranumerários, interessantes "rissóis" e "croquetes". Correctos em molho capaz os "carapaus de escabeche" (€3,50). Enchido atilado e ovos mexidos mimosos na "alheira com ovo". O "bacalhau à Dr. Guimarães" - homenagem a Manuel Guimarães (1938-1997), saudoso homem da cultura e do turismo, tomarense de adopção, historiador e crítico de gastronomia -, de ingredientes primeiro cozidos e depois submetidos ao forno, o gadídeo lascado sobre batata fininha e cebola e sob espinafres e broa migada, esteve muito apetitoso e ajustado de azeite.

Do melhor que podem dar as "lulas de coentrada com gambas" (€12). Caldoso e saborido o "arroz de vitela barrosã com cogumelos frescos". Consoladora a já tão rara "língua de vitela guarnecida", embora às batatas chips, aliás impecáveis, tivesse preferido o puré de batata. Bem acompanhadas e de execução competente as "bochechas de porco preto à Beira". Genuinidade e bom nível sápido no "naco de vitela barrosã no forno", acolitado por ameno esparregado em apresentação original.

Há 14 doces, com largo contributo tradicional e conventual. Carta de vinhos robusta, por regiões, sem datas, a preços não especulativos: 96 tintos, 30 brancos, 7 verdes brancos (4 Alvarinhos) e 4 espumantes. Serviço eficiente e amável. Como a oferta permite sempre fugir às trivialidades e aos modismos e a cozinha é digna e consistente, conclua-se que A Travessa fica bem neste recanto de Benfica.


A Travessa
Travessa do Rio, 6 e 6-A
Lisboa
Tel. 217 160 543 (fecha às segundas)

Opinião


Multimédia

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Com Deus na alma e o diabo no corpo

Quem os vê de fora pode pensar que estão possuídos. Eles preferem sublinhar o lado espiritual e terapêutico desta dança - chamam-lhe "krump" e nasceu nos bairros pobres dos Estados Unidos. De Los Angeles para Chelas, em Lisboa, já ajudou a tirar jovens do crime. Ligue o som bem alto e entre com o Expresso no bairro. E faça o teste: veja se consegue ficar quieto.

O Cabo da Roca depois da tragédia que matou casal polaco

Os turistas portugueses e estrangeiros que visitam o Cabo da Roca, em Sintra, continuam a desafiar a vida nas falésias, mesmo depois da tragédia que resultou na morte de um casal polaco, cujos filhos menores estavam também no local. Durante a visita do Expresso, um segurança tentou alertar os turistas para o perigo e refere a morte do casal polaco. O apelo não teve grande efeito. Veja as imagens.

Ó Capitão! meu Capitão! ergue-te e ouve os sinos

Ele foi a nossa ama... desajeitada. Ele foi o professor que nos inspirou no liceu. Ele trouxe alegria, mesmo nas alturas mais difíceis. Ele indicou-nos o caminho na faculdade. Ele ensinou-nos a manter a postura, mas também a quebrar preconceitos. Ele ensinou-nos que a vida é para ser aproveitada a cada instante. Ó capitão, meu capitão, crescemos contigo e vamos ter de envelhecer sem ti. 

Crumble. A sobremesa mais fácil do mundo

Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida, especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Voámos num F-16

Um piloto da Força Aérea voou com uma câmara GoPro do Expresso e temos imagens inéditas e exclusivas para lhe mostrar num trabalho multimédia.

Salada de salmão com sorvete de manga

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione.

Por faróis nunca dantes navegados

São a salvaguarda dos navegantes, a luz que tranquiliza o mar. Há 48 faróis em Portugal continental e nas ilhas. Este é um acontecimento único: todos os faróis e 1830 km de costa disponíveis num mesmo trabalho. Para entendê-los e vê-los, basta navegar neste artigo.

Parecem casulos onde gente hiberna à espera de ver terra

No Porto de Manaus não há barcos, mas autocarros bíblicos que caminham sobre água. Têm vários andares e estão cheios de camas de rede que parecem casulos onde homens, mulheres e crianças aguardam o destino. E há gente a vender o que houver e tiver de ser junto ao Porto. "Como há Copa, tem por aí muito gringo que vem ter com 'nóis'. E então fica mais fácil vender"

O adeus de Lobo Antunes às aulas de medicina

O neurocirurgião deu terça-feira a sua "Última Lição" no auditório do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na véspera de deixar o seu trabalho no serviço nacional de saúde.

Jaguar volta a fabricar desportivo dos anos 60

Até ao verão será fabricado um número limitado de desportivos Jaguar E-Type Lightweight, seguindo todas as especificações originais, incluindo a continuação do número de série das unidades produzidas em 1963.

"Naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas"

Mais do que uma manifestação, o 'primeiro' 1º de Maio é recordado como a grande festa da Revolução dos Cravos, quando o povo saiu às ruas em massa e a união das esquerdas era um sonho possível. "O 1º de Maio seria mais uma primeira coisa, porque naquela altura estavam continuamente a acontecer primeiras coisas." Foi há 40 anos.

Este trabalho não foi visado por qualquer comissão de censura

Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das Ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.


Comentários 0 Comentar

Últimas

Ver mais

Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador
PUBLICIDADE

Pub