21 de abril de 2014 às 1:39
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Fiadores são terceiros mais sobreendividados

Cerca de 14% dos processos de sobreendividamento que chegaram à DECO no primeiro semestre foram de fiadores.

Os portugueses que aceitam ser fiadores já estão em terceiro lugar na lista dos mais sobreendividados, a seguir aos desempregados e aos que sofrem cortes salariais, segundo dados da DECO.

Dos 2648 processos de sobreendividamento que chegaram à DECO nos primeiros seis meses deste ano, cerca de 14% foram de pessoas que afiançaram familiares ou amigos, tomando sobre si a responsabilidade de pagar as dívidas destes em caso de incumprimento, e que agora estão também em situação de sobreendividamento.

"Assistimos todos os dias à degradação da vida económica das famílias. Estamos a atingir estados de pobreza incalculáveis e isso é terrível porque estão-se a arrastar familiares, geralmente os pais, para essa situação", disse à Lusa o secretário-geral da DECO, Jorge Morgado.

Desemprego é principal causa


A principal razão do sobreendividamento é o desemprego, que representava em junho 33% dos casos enviados à DECO, seguida da deterioração das condições laborais (cortes salariais e não pagamento de horas extraordinárias e comissões) que atingiu os 26%.

Em terceiro lugar na lista surgem "outras causas", que incluem a fiança e a penhoras, mas esta última está relacionada com a fiança, que por sua vez está diretamente relacionada com o desemprego dos devedores, que ativa as obrigações dos fiadores.

"A situação é de verdadeiro desespero", afirmou a coordenadora do gabinete de apoio ao sobreendividado da DECO, Natália Nunes, explicando que muitos daqueles devedores são já desempregados de longa duração à beira de perder o subsídio de desemprego ou outros apoios sociais.

3300 imóveis entregues


"Muitos não têm qualquer perspetiva de emprego e os pais reformados, e fiadores, não vão receber este ano os subsídios de férias e natal. É muito complicado", defendeu Natália Nunes.

Recentemente o governo criou um o grupo de trabalho para elaborar uma nova legislação para o crédito à habitação que equilibre as relações entre os consumidores e a banca.

Estimativas da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), divulgados terça feira, revelam que cerca de 3300 imóveis foram entregues em dação em pagamento por famílias e por promotores imobiliários no primeiro semestre deste ano, uma média de 18 casas por dia.

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Valha-nos a troika
"Recentemente o governo criou um o grupo de trabalho para elaborar uma nova legislação para o crédito à habitação que equilibre as relações entre os consumidores e a banca."
Os "bons" governos actuam segundo as seguintes formas por ordem de prioridades:
1- Nacionalizam as brutais perdas dos bancos dando a "taluda" aos que criaram esses buracões.
2- Pedem resgates a troco de soberania e colocam a governação nas mãos dos credores.
3- Aumentam os impostos até que a receita comece a diminuir.
4- Criam grupos de trabalho para equilibrar as relações entre os consumidores e a banca o que é ridículo quando o próprio governo não tem qualquer poder sobre a banca.
5- Tudo menos equilibrar as contas do estado pelo lado da despesa.
Com estes princípios de governação valha-nos a troika que parece farta da incapacidade do governo para atacar o que é preciso atacar: a gordura do estado que só existia quando Passos Coelho estava na oposição.
Alguém ainda se lembra da frase lapiadar de Passos Coelho :Estamos preparados para governar com o FMI"?
Agora parece claro que nem para isso estavam preparados.
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Frases lapidares
Se a situação do nosso país melhorasse com frases lapidares teria um sucesso garantido e a curtíssimo prazo, devido à soltura (sinónimo: diarreia) das ditas frases a que o nosso querido PM e os seus estimados ministros e secretários de estado nos têm habituado. Já para não falar no nosso adorado PR.
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Burrice tem limites!
Economia não fica prospera por decreto. O sistema de poder que “governa” Portugal está nas mãos de incompetentes e gente de mau porte, e, não é de hoje que isso acontece, mas isso sim bem próximo de 40 anos.

Somente os ingênuos para não lhes chamar outra coisa, podem acreditar que ao assinar uma procuração em branco (votar), está a dar o seu contributo para que os políticos nos proporcionem o paraíso na terra.

Quando os portugueses tiverem capacidade para entenderem, que lhes faz tanta os políticos, como os proxenetas às prostitutas, com certeza os seus problemas estão bem perto de ser solucionados. Até lá se limitem a ser chulados tal quais as prostitutas e bico calado.
 
Pena é que aqueles que à muitos anos não votam nessa corja de salafrários, sejam compulsivamente espoliados e tenham de pagar pelos erros cometidos por esses “patriotas” de meia tigela que não se cansam de ser enganados.
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