A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, declarou hoje que trabalha para o interesse do país e não para as sondagens e considerou que a história vai dar-lhe razão e condenar a política do PS.
No final de uma reunião com a Federação da Indústria Têxtil e do Vestuário, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Manuela Ferreira Leite foi questionada sobre as críticas feitas pelo ex-presidente do partido Marcelo Rebelo de Sousa à sua liderança.
"Não sou comentadora e por isso não comento comentários", começou por responder a presidente do PSD.
Interrogada sobre a avaliação que faz da sua própria liderança, Manuela Ferreira Leite acrescentou: "O meu trabalho, o meu objectivo é o país, não são as sondagens. Não farei propostas com o objectivo de melhorar opiniões. Continuarei a defender o bem-estar e a evolução do país e contra isso ninguém me vai demover".
"Portanto, seja mais popular ou menos popular, eu não tenho nenhuma orientação política com base nas sondagens, tenho uma orientação política com base no interesse do país. Se me vierem dizer que aquilo que faz aumentar as sondagens é dizer alguma coisa que seja uma fantasia, que não seja verdadeiro, que seja um engano, não contem comigo para isso. Só falarei verdade aos portugueses e só defenderei aqueles pontos que são necessários e exigentes para o crescimento do país", prosseguiu.
Manuela Ferreira Leite disse ainda que "tem valido de pouco os Governos que ganham com maioria absoluta, como é o caso do PS".
"A história vai-me dar razão e vai dizer quanto foi errada toda esta política do PS e aí as sondagens foram favoráveis", concluiu a presidente do PSD.
No seu programa de comentário política na RTP1, no domingo, Marcelo Rebelo de Sousa criticou a liderança de Manuela Ferreira Leite, considerando que "nos últimos dois meses e meio esteve mais tempo calada do que a falar" e assinalando o facto de, "numa altura em que há crise social e desemprego", não se deslocar a empresas e sindicatos.
"Tem uma mensagem que passa em termos sociais? Daqui por uns tempos, não sei se muitos, se poucos, atinge-se, se não há uma mudança nisto, o ponto de não retorno, que é o PSD deixar de concorrer para ganhar, passar a concorrer como o PP, o PC e o Bloco de Esquerda, para tirar a maioria ao PS e perder por poucos. Já não é concorrer para ganhar nem é jogar para empatar, é jogar para perder por poucos. Isto não é o PSD", criticou Marcelo Rebelo de Sousa.
O ex-presidente do PSD declarou-se "preocupado", defendendo que "o que está a puxar o PSD para baixo, mostram as sondagens, é a imagem da líder e não vale a pena negar a evidência e dizer que o mal é das sondagens".
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite "tem vindo a degradar a imagem brutalmente", na sua opinião "por culpa dos conselheiros".