Conferência Rio+20
Fernando Henrique Cardoso otimista quanto às negociações da Rio+20
“Fizemos alguns progressos em 20 anos, mas não os suficientes”, considera Fernando Henrique Cardoso, recordando que “no Brasil houve progressos no combate à pobreza, na literacia, no ambiente e na intervenção da sociedade civil”
Marcelo Sayao/EPA
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Em declarações feitas ontem num debate organizado pela iniciativa "Mais Velhos + Mais Novos", que promove o diálogo sobre o desenvolvimento sustentável entre personalidades de relevo mundial mais velhas e mais jovens, o antigo Presidente brasileiro insistiu que "o mais importante é a atitude dos países da ONU que sair desta conferência, e não o documento final a ser aprovado, que não terá força de lei, em especial para os mais jovens".
No mesmo debate, Gro Harlem Brundtland, a mãe do conceito de desenvolvimento sustentável, surgido em 1997 no relatório "O nosso futuro comum" de uma comissão da ONU liderada pela ex-primeira-ministra da Noruega, considerou que, "apesar do ceticismo reinante, acreditamos fortemente que há ainda tempo para que a Rio+20 conte para as gerações futuras".
Brundtland acrescentou que "não podemos admitir uma espera de outros 20 anos para colocar o nosso planeta num caminho mais sustentável" e admitiu que em 1992 (na Conferência Rio-92) "havia mais otimismo e hoje há mais sentido da crise, mas desde então os padrões de sustentabilidade do planeta continuaram a crescer e a situação é hoje pior em muitos aspetos".
"Fizemos alguns progressos em 20 anos, mas não os suficientes", considerou Fernando Henrique Cardoso, recordando que "no Brasil houve progressos no combate à pobreza, na literacia, no ambiente e na intervenção da sociedade civil".
Reunião plenária de hoje é decisiva
Documento ainda em discussão
Entretanto, o documento para discussão na cimeira de chefes de Estado e de Governo que começa amanhã, ainda não está aprovado pelas delegações técnicas dos países da ONU. As negociações prolongaram-se até às duas da madrugada de hoje mas subsistem divergências, nomeadamente dos países da União Europeia. Hoje está marcada nova ronda de discussões para as 14h30 (hora de Lisboa).
"Estamos no meio de uma crise financeira, com diferentes tipos de países a lutarem contra ela, muitas vezes sem uma ideia concreta do que fazer, mas o desenvolvimento sustentável é a alternativa correta para estes países voltarem a crescer", argumentou a ex-primeira ministra da Noruega.
A mãe do desenvolvimento sustentável disse ainda que "precisamos de um acordo claro quanto ao processo para criar novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, seguindo o exemplo dos Objetivos do Milénio para 2015 da ONU, que ajudem a galvanizar os esforços para fazer crescer as economias de modo a reduzir a pobreza e a desigualdade e a proteger o ambiente".


